Mapa do Real
Como o Brasil funcionaEnergiaInfraestrutura

Por que o Brasil tem duas voltagens na tomada?

O Brasil tem duas voltagens porque foi ligado à luz aos pedaços, cada cidade com o padrão de quem montou a rede, e nada obrigou a juntar: a frequência teve de virar uma só, porque uma rede interligada só funciona num ritmo, enquanto a voltagem da tomada é feita pelo transformador de cada rua e nunca atrapalhou a rede; o governo só foi podando a lista, e a conta da convivência ficou com quem liga o aparelho.

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A casa dos outros

Abertura

Você liga o secador numa tomada igualzinha à da sua casa, só que em outra cidade, e em segundos ele começa a fumaçar. Na mesma parede, o carregador do celular continua carregando, como se nada tivesse acontecido.

Ilustração de um secador de cabelo rosa ligado numa tomada de parede, com o corpo em brasa, fumaça escura subindo e faíscas saindo do plugue.
O secador era “de cento e dez”. A tomada daquela cidade era de duzentos e vinte.

O secador era daqueles “de 110”⁠Fonte 1 · 2021Numa rede 220/127, a tensão nominal entre fase e neutro, a da tomada comum, é de 127 volts, o "110" do dia a dia.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista, e a tomada daquela cidade era de 220⁠Fonte 2 · 2021A outra tensão nominal da tomada no Brasil é de 220 volts: entre fase e neutro nas redes 380/220, e entre duas fases nas redes 220/127.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista. O Brasil já obrigou cidades inteiras a trocar uma regra da eletricidade, aparelho por aparelho. Por que nunca juntou as duas voltagens?

Na tomada errada

Por que o aparelho queima na casa dos outros?

Pense na voltagem como a pressão da água num cano. Dentro do secador, a resistência esquenta quando a corrente passa. Na tomada mais alta, a pressão sobe e a água que passa sobe junto, e como o calor cresce com as duas, um aparelho feito para 127 recebe no 220 cerca de 3 vezes a potência para a qual foi feito⁠Fonte 3 · 2026Um aparelho de resistência feito para 127 V (secador, chapinha, ferro, chuveiro), ligado numa tomada de 220 V, passa a receber cerca de três vezes a potência para a qual foi feito, porque num resistor a potência cresce com o quadrado da tensão.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista, e queima quase na hora⁠Fonte 4 · 2007Aparelho sem ajuste de tensão, ligado numa tensão maior que a indicada pelo fabricante, queima quase imediatamente; numa tensão menor, não funciona ou funciona mal.GREF, IF-USPabrir a fontever na lista.

O caso inverso não queima: um chuveiro feito para 220, ligado no 127, recebe só um terço da potência, e o prejuízo é o banho morno⁠Fonte 5 · 2026O contrário não queima. Um aparelho de resistência feito para 220 V, ligado em 127 V, recebe só cerca de um terço da potência e fica fraco; um chuveiro de 5.500 W feito para 220 V esquentaria como um de cerca de 1.830 W.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista.

O que o aparelho recebe na tomada errada

Potência recebida, em vezes a potência para a qual o aparelho foi feito

  • Secador no duzentos e vintefeito para cento e vinte e sete: queima3,0 vezes
  • Chuveiro no cento e vinte e setefeito para duzentos e vinte: esquenta pouco0,3 vezes

Fontes:⁠Fonte 3 · 2026Um aparelho de resistência feito para 127 V (secador, chapinha, ferro, chuveiro), ligado numa tomada de 220 V, passa a receber cerca de três vezes a potência para a qual foi feito, porque num resistor a potência cresce com o quadrado da tensão.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista⁠Fonte 5 · 2026O contrário não queima. Um aparelho de resistência feito para 220 V, ligado em 127 V, recebe só cerca de um terço da potência e fica fraco; um chuveiro de 5.500 W feito para 220 V esquentaria como um de cerca de 1.830 W.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista

Essa tomada diferente não fica longe. Seis em cada dez brasileiros moram numa cidade de 127, e um pouco mais de um terço numa de 220⁠Fonte 6 · 2022Seis em cada dez brasileiros moram num município de tomada 127; um pouco mais de um terço, num de 220; o resto, em municípios com as duas redes.ANEEL (BDGD) e IBGEabrir a fontever na lista. Para quem saiu de São Paulo, do Rio, de Minas ou do Paraná, Brasília, Goiânia, Florianópolis e quase todo o Nordeste são a casa dos outros⁠Fonte 7 · 2025A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Para boa parte do Nordeste, é São Paulo. Quem é caminhoneiro e dorme cada semana numa cidade conhece bem essa loteria.

Ilustração de um posto de beira de estrada à noite: uma carreta estacionada no pátio de cascalho, com a cortina da cabine-leito acesa por dentro; ao fundo, a cobertura do posto, outros caminhões no escuro e as luzes de uma cidadezinha num morro.
Para quem dorme cada noite numa cidade, a tomada é uma loteria.

E o “110” que todo mundo fala⁠Fonte 1 · 2021Numa rede 220/127, a tensão nominal entre fase e neutro, a da tomada comum, é de 127 volts, o "110" do dia a dia.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista? É apelido: pela regra da ANEEL, essa tomada é de 127 volts, e a medida adequada vai de 117 a 133⁠Fonte 8 · 2021Numa rede 220/127, a ANEEL considera adequada a tomada que mede entre 117 e 133 volts entre fase e neutro, e entre 202 e 231 volts entre duas fases.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista.

Guarde também a outra pergunta de sempre: qual das duas gasta mais na conta de luz?

Barracão (PR)

A tomada segue a empresa

O mapa do vídeo foi montado com os transformadores que cada distribuidora registra na ANEEL, cidade por cidade⁠Fonte 7 · 2025A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Em cidades, o Brasil se divide quase ao meio: 2.689 municípios têm tomada de 127 e 2.687 têm de 220⁠Fonte 9 · 2025Pelos transformadores das distribuidoras, 2.689 municípios brasileiros têm tomada de 127 volts, o "110" do dia a dia.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista⁠Fonte 10 · 2025Outros 2.687 municípios têm tomada de 220 volts; o país se divide quase ao meio em número de cidades.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista.

Quase meio a meio

Municípios pela tomada que os transformadores das distribuidoras entregam, 2025

  • Tomada de cento e vinte e sete2.689 municípios
  • Tomada de duzentos e vinte2.687 municípios

Os outros municípios têm as duas redes. Fontes:⁠Fonte 9 · 2025Pelos transformadores das distribuidoras, 2.689 municípios brasileiros têm tomada de 127 volts, o "110" do dia a dia.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista⁠Fonte 10 · 2025Outros 2.687 municípios têm tomada de 220 volts; o país se divide quase ao meio em número de cidades.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista

Há até ilhas: Salvador e Porto Alegre têm tomada de 127 no meio de vizinhos de 220⁠Fonte 7 · 2025A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Onde as duas se encostam, a tomada muda de uma cidade para a vizinha. No oeste, na divisa do Paraná com Santa Catarina, Barracão e Dionísio Cerqueira são cidades coladas: do lado paranaense, a tomada é 127; do catarinense, 220⁠Fonte 11 · 2025Na divisa do Paraná com Santa Catarina, Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC) são cidades coladas, e a tomada muda de uma para a outra: 127 volts do lado paranaense, 220 do lado catarinense.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Dá para queimar um secador só atravessando a divisa. No rio Paranaíba, as duas Cachoeira Dourada têm o mesmo nome e duas tomadas: 220 na goiana, 127 na mineira⁠Fonte 12 · 2025Existem duas Cachoeira Dourada, uma em Goiás e outra em Minas, vizinhas no rio Paranaíba, e cada uma tem uma tomada diferente: 220 volts na goiana, 127 na mineira.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista.

O mapa desta história

Hachurados, os estados de tomada de duzentos e vinte; nos pinos, as divisas onde ela muda, as ilhas de cento e vinte e sete e a serra da tradutora.

EquadorTrópico de Capricórniotomada de duzentos e vinteBarracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC)as duas Cachoeira Dourada (GO e MG)Salvador (BA)Porto Alegre (RS)Petrópolis (RJ)EquadorTrópico de Capricórniotomada de duzentos e vinteBarracão (PR)Cachoeira DouradaSalvadorPorto Alegre (RS)Petrópolis (RJ)

Hachurados: os estados onde a tomada é 220 em quase todas as cidades; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas⁠Fonte 7 · 2025A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Em azul, ilhas de 127 entre vizinhos de 220⁠Fonte 7 · 2025A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista. Mapa feito em código a partir dos estados do IBGE.

Então é o estado que decide? Não. Porto União fica em Santa Catarina, mas a luz vem da Copel, a empresa do Paraná⁠Fonte 13 · 2025A Copel, a distribuidora do Paraná, também atende um município de Santa Catarina, Porto União, a cidade-gêmea de União da Vitória.Copelabrir a fontever na lista. Rio Negro, no Paraná, recebe a luz da Celesc, a de Santa Catarina⁠Fonte 14 · 2024A Celesc, de Santa Catarina, atende parte de um município do Paraná, Rio Negro, a cidade-gêmea de Mafra.Celescabrir a fontever na lista. E a tomada vai junto com a empresa: 127 em Porto União, 220 em Rio Negro⁠Fonte 15 · 2025Nas cidades-gêmeas União da Vitória (PR) e Porto União (SC), a tomada da cidade é a mesma, 127 volts, porque a Copel atende os dois lados; o 220 da Celesc só aparece no interior de Porto União.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista⁠Fonte 16 · 2025O contrário acontece em Rio Negro, no Paraná, cidade-gêmea de Mafra (SC): a cidade é atendida pela Celesc e tem tomada de 220 volts, como Mafra; o 127 da Copel fica no interior do município.ANEEL (BDGD)abrir a fontever na lista.

Ilustração de uma rua tranquila entre duas cidadezinhas emendadas, com casas de alvenaria e de madeira, morros e araucárias ao fundo; no poste mais próximo de cada lado há um transformador, azul à esquerda e terracota à direita, e uma mulher de costas atravessa a rua com uma bolsa.
Na divisa, cada lado da rua tem o transformador da sua empresa, e a tomada muda com ele.

Quem decide a tomada é quem puxou o fio. E por que cada um puxou de um jeito?

Petrópolis (RJ)

Um país ligado aos pedaços

Por trás da tomada correm duas regras: a voltagem e uma outra, que o Brasil conseguiu juntar. A história começa no início do século passado, quando a luz chegou ao Brasil aos pedaços, cada cidade com a sua empresa e a sua usina.

Ilustração de uma rua de paralelepípedos do começo do século passado, com sobrados de sacada de ferro: um bonde elétrico aberto vem pelos trilhos enquanto operários levantam um poste novo de madeira; no fim da rua, uma usina de tijolo com chaminé alta.
A luz chegou aos pedaços: cada cidade com a sua empresa e a sua usina.

A outra regra é a frequência: quantas vezes por segundo a corrente vai e volta no fio. Em 1921, só no estado de São Paulo, 26 empresas de luz usavam quatro frequências diferentes⁠Fonte 17 · 1921Em 1921, só no estado de São Paulo, 26 empresas de eletricidade com 30 usinas usavam quatro frequências diferentes, 40, 50, 55 e 60 Hz.Força e luz (Unesp)abrir a fontever na lista.

Circula a explicação de que as empresas americanas trouxeram uma voltagem e as europeias, a outra, mas não se conhece documento que prove isso. Na frequência, onde dá para conferir, a bandeira não explica nada. A Light, que levava luz a São Paulo e ao Rio, rodava São Paulo em 60 e o Rio em 50⁠Fonte 18 · 1950A mesma Light operava São Paulo em 60 Hz e o Rio de Janeiro em 50 Hz; para trocar energia entre as duas cidades, em 1950 foi preciso uma subestação conversora em Aparecida (SP).Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista. Uma empresa só, dois ritmos: quem ditava o padrão eram as máquinas que cada rede comprou, não o passaporte da dona.

O problema aparecia quando duas redes vizinhas se encostavam, como em Petrópolis, na serra do Rio: a Light do Rio, em 50, e outra empresa, em 60⁠Fonte 19 · 1930Em outubro de 1930, em Petrópolis, entrou em operação a subestação Rio da Cidade, feita para converter energia entre a Light do Rio (50 Hz) e a vizinha CBEE, da Amforp (60 Hz); ela estreou socorrendo o Rio, quando revolucionários tomaram a usina de Ilha dos Pombos e a cidade ficou em parte às escuras.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista. Para trocar energia entre elas, construíram uma tradutora, uma subestação que recebia num ritmo e entregava no outro. Ela estreou às pressas em outubro de 1930, quando revolucionários tomaram a usina de Ilha dos Pombos e parte do Rio ficou às escuras: a energia que socorreu a capital passou por ela⁠Fonte 19 · 1930Em outubro de 1930, em Petrópolis, entrou em operação a subestação Rio da Cidade, feita para converter energia entre a Light do Rio (50 Hz) e a vizinha CBEE, da Amforp (60 Hz); ela estreou socorrendo o Rio, quando revolucionários tomaram a usina de Ilha dos Pombos e a cidade ficou em parte às escuras.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista. Era o Brasil numa imagem: vizinhos que só conversavam com tradutor.

O governo tentou arrumar a frequência, e escolheu o lado que ia perder. Em 1938, um decreto de Getúlio Vargas mandou o país inteiro gerar em 50, com prazo “improrrogável” de oito anos⁠Fonte 20 · 1938Em 1938, um decreto-lei de Getúlio Vargas mandou todo o Brasil gerar eletricidade em 50 ciclos por segundo, com prazo "improrrogável" de oito anos.Planaltoabrir a fontever na lista. O improrrogável durou metade disso: em 1942, o prazo foi adiado sem data⁠Fonte 21 · 1942Em 1942, quatro anos depois do decreto de 1938, o prazo "improrrogável" para todo o país gerar em 50 ciclos foi prorrogado sem data, e as instalações novas passaram a poder usar 50 ou 60 ciclos, por zonas.Planaltoabrir a fontever na lista. A voltagem ficou fora da briga. Em 1957, a lista do governo para as casas tinha três voltagens, 110, 127 e 220, e cada cidade seguia com a que já tinha⁠Fonte 22 · 1957Em 1957, o regulamento federal listava três tensões para a ligação monofásica das casas, 110, 127 e 220 volts, e o trifásico em 220, 380 e 440 volts.Planaltoabrir a fontever na lista.

Rio de Janeiro e Itaipu

A troca que o Brasil fez

A frequência que Vargas não escolheu foi ganhando sozinha, usina por usina. Em 1964, mais de 73% da potência do país já girava em 60⁠Fonte 23 · 1964Em 1964, mais de 73% da potência instalada do Brasil já operava em 60 Hz, e nas usinas em construção a fatia era de 89%.Câmara dos Deputadosabrir a fontever na lista, e a Lei 4.454 pôs o Brasil inteiro nesse ritmo⁠Fonte 24 · 1964A Lei 4.454, de 6 de novembro de 1964, adotou 60 Hz em todo o território nacional, com a troca feita aos poucos e nenhuma instalação nova autorizada fora dos 60 Hz.Planaltoabrir a fontever na lista. A Câmara comparou a bagunça a ferrovias de bitolas diferentes⁠Fonte 25 · 1964Em 1964, o parecer da Câmara que defendeu a frequência única comparou a bagunça de 50 e 60 Hz às ferrovias com bitolas diferentes, em que o vagão de uma companhia não roda na linha da outra.Câmara dos Deputadosabrir a fontever na lista.

Por que trocar? Por causa da rede. A usina de Furnas começou a gerar em 1963, e a energia dela só chegaria às casas do Rio quando a cidade passasse para 60⁠Fonte 26 · 1963A energia de Furnas, que começou a gerar em setembro de 1963, só podia chegar às casas do Rio depois que a Light trocasse a cidade para 60 Hz.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista. Numa rede ligada de ponta a ponta, todas as usinas empurram a corrente juntas, como a bateria de uma escola de samba: se metade toca num andamento e metade no outro, não sai samba nenhum.

Ilustração de uma bateria de escola de samba desfilando à noite, vista de trás e de cima: fileiras de ritmistas de branco e chapéu de palha, com surdos, caixas e tamborins, todas as baquetas levantadas no mesmo ângulo, sob luzes de carnaval e confete.
Numa rede interligada, todas as usinas tocam no mesmo andamento.

Então o Brasil trocou, uma cidade de cada vez. Com 60, os motores giram 20% mais rápido⁠Fonte 27 · 1964Na troca de 50 para 60 Hz, os motores passam a girar 20% mais rápido, e por isso indústrias, medidores de luz e televisores tiveram de ser ajustados.Câmara dos Deputadosabrir a fontever na lista, e máquina de fábrica, medidor de luz e televisão precisavam de ajuste. No Rio, fizeram até um censo dos aparelhos⁠Fonte 28 · 1967Em 1967, o Ministério das Minas e Energia pôs a Eletrobras para coordenar a troca no país, e no Rio um escritório estadual fez um recenseamento dos aparelhos que sentiriam a mudança de frequência.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista, e mais de 1 milhão de consumidores trocaram de ritmo até 1971⁠Fonte 29 · 1971O programa de mudança de frequência da Light no Rio terminou em 1971, com mais de 1 milhão de consumidores da Guanabara e do estado do Rio passando para 60 Hz.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista. O Rio Grande do Sul só terminou em 1980⁠Fonte 30 · 1980O Rio Grande do Sul começou a trocar para 60 Hz em 1968, Porto Alegre levou de 1971 a 1977, e o resto do estado só terminou em 1980, dezesseis anos depois da lei.Memória da Eletricidadeabrir a fontever na lista.

A troca só parou numa fronteira. Em 1977, o Paraguai recusou mudar para 60, e o Brasil decidiu gerar Itaipu nas duas frequências⁠Fonte 31 · 1977Em 1977, o Paraguai recusou trocar o país para 60 Hz (a estatal paraguaia Ande estimou a troca em 76 milhões de dólares e três anos), e o Brasil decidiu gerar Itaipu nas duas frequências e pagar a conversão da parte paraguaia.Revista Tecnologia e Sociedadeabrir a fontever na lista. A usina que os dois países dividem nasceu partida ao meio: das 20 máquinas, dez giram em 50, o ritmo do Paraguai, e dez em 60, o do Brasil⁠Fonte 32 · 2026Das 20 unidades geradoras de Itaipu, dez operam em 50 Hz, a frequência do Paraguai, e dez em 60 Hz, a do Brasil.Itaipu Binacionalabrir a fontever na lista. É Petrópolis de novo, só que gigante.

Se o Brasil trocou o ritmo de cidades inteiras, por que não fez o mesmo com a voltagem? A frequência nasce na usina e corre igual pela rede inteira, e uma cidade num ritmo diferente só se liga às outras com tradutor. A voltagem, não. Os cabos grandes trazem a energia numa voltagem altíssima, e quem a baixa até a tomada é o transformador da rua, aquele cilindro cinza no alto do poste. Um transformador entrega 127; o da cidade vizinha, 220⁠Fonte 1 · 2021Numa rede 220/127, a tensão nominal entre fase e neutro, a da tomada comum, é de 127 volts, o "110" do dia a dia.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista⁠Fonte 2 · 2021A outra tensão nominal da tomada no Brasil é de 220 volts: entre fase e neutro nas redes 380/220, e entre duas fases nas redes 220/127.ANEEL (PRODIST)abrir a fontever na lista. A rede nem percebe: os dois recebem a mesma onda, no mesmo ritmo, como em Barracão e Dionísio Cerqueira.

Nada obrigava a juntar as duas voltagens, e ninguém juntou. O governo só podou a lista: um decreto de 1988 deixou só redes de 127 e de 220, obrigatórias em toda obra nova a partir de 1990⁠Fonte 33 · 1988Em 1988, um decreto tirou o 115 da lista e deixou só redes de 127 e de 220 volts (380/220, 220/127, 440/220 e 254/127), obrigatórias a partir de 1990 em toda obra de rede que instalasse transformador.Planaltoabrir a fontever na lista. O 110 do cardápio de 1957 saiu da lista e ficou na boca do povo⁠Fonte 22 · 1957Em 1957, o regulamento federal listava três tensões para a ligação monofásica das casas, 110, 127 e 220 volts, e o trifásico em 220, 380 e 440 volts.Planaltoabrir a fontever na lista.

Quanto custaria juntar? Um projeto do Senado fala em “enormes custos” para os consumidores⁠Fonte 34 · 2011A justificativa de um projeto de lei do Senado de 2011 diz que a frequência foi padronizada nos anos 1960, mas as tensões não, "em razão dos enormes custos" que a mudança traria aos consumidores.Senado Federalabrir a fontever na lista, mas não se conhece estudo oficial que tenha feito essa conta. A conta que existe é a da frequência: em 1964, a Câmara calculou que manter os conversores custaria cerca de 100 dólares por quilowatt, “quase o preço de uma usina”⁠Fonte 35 · 1964Em 1964, o parecer da Câmara dizia que manter os 50 Hz com conversores custaria cerca de 100 dólares por kW, "quase o preço de uma usina", e que trocar as instalações sairia mais barato para o consumidor.Câmara dos Deputadosabrir a fontever na lista. Trocar saía mais barato. Na voltagem, há um país fazendo a troca: a Arábia Saudita, que também tinha 127 e 220, decidiu em 2010 passar tudo para 230, e prevê 15 anos ou mais para o 127 sumir⁠Fonte 36 · 2010Em 2010, a Arábia Saudita decidiu trocar o 127/220 V pelo 230/400 V, começando pelas áreas e ligações novas, e o órgão de normas do país prevê que o 127 V pode levar 15 anos ou mais para sumir.SASO (Arábia Saudita)abrir a fontever na lista.

A parede de casa

Quem paga a conta

Volte àquela parede do começo. O carregador, como quase todo eletrônico, virou bivolt: se ajusta sozinho às duas voltagens, quase sem mudar o custo. Chuveiro, secador e ferro de passar esquentam muito, e um parecer do Senado registrou que nesses o bivolt não compensa⁠Fonte 37 · 2012Os aparelhos que transformam a corrente alternada em contínua, como os de informática e os de áudio e vídeo, viraram bivolt sem mudar muito o custo nem o consumo. Nos que transformam energia em calor ou movimento, com alta potência, o Senado registrou que o bivolt é técnica e economicamente inadequado.Senado Federalabrir a fontever na lista. Muito secador tem uma chavinha de voltagem, e, se ela ficar esquecida no 127 numa tomada de 220, ele queima do mesmo jeito⁠Fonte 3 · 2026Um aparelho de resistência feito para 127 V (secador, chapinha, ferro, chuveiro), ligado numa tomada de 220 V, passa a receber cerca de três vezes a potência para a qual foi feito, porque num resistor a potência cresce com o quadrado da tensão.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista.

Também há casa com as duas voltagens. É o mesmo transformador: entre uma fase e o neutro dá 127, entre duas fases dá 220, e é nessa tomada de duas fases que entram o chuveiro e o ar-condicionado numa cidade de 127⁠Fonte 38 · 2018Na rede 127/220 V do Rio, a ligação monofásica (uma fase e o neutro) só tem 127 V; a bifásica e a trifásica têm 127 V entre fase e neutro e 220 V entre duas fases, e é aí que entram chuveiro e ar-condicionado de 220 numa cidade de 127.Enel Rioabrir a fontever na lista. Antes de ligar, quem manda é a etiqueta do aparelho. Mexer na instalação é serviço para eletricista.

Ilustração de uma casa térrea em corte, como uma prancha de atlas: do transformador no poste da calçada, um cabo desce até o medidor; dentro, uma linha azul leva às tomadas comuns da sala e da cozinha, e uma linha terracota leva ao chuveiro elétrico do banheiro.
Na mesma casa, a tomada comum numa linha e o chuveiro na outra.

E qual das duas gasta mais na conta de luz? Gasta o mesmo. A conta cobra a energia que o aparelho usa, e um chuveiro da mesma potência usa a mesma energia nas duas voltagens⁠Fonte 39 · 2016O que o aparelho gasta não muda com a voltagem. Um chuveiro de mesma potência usa a mesma energia para esquentar a água em 127 V ou em 220 V; a diferença está só nos fios que levam a energia até ele, e com a fiação dentro das normas atuais as duas voltagens trazem o mesmo gasto.IFSC/USPabrir a fontever na lista. O que muda é o fio. Na tomada mais baixa, a pressão é menor, e para dar o mesmo calor precisa passar mais água: num chuveiro de 5.500 W, são cerca de 43 ampères no fio do 127⁠Fonte 40 · 2026Um chuveiro de 5.500 W ligado em 127 V puxa cerca de 43 ampères pelo fio.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista, contra 25 no do 220⁠Fonte 41 · 2026O mesmo chuveiro de 5.500 W, na versão de 220 V, puxa 25 ampères, pouco mais da metade.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista.

O mesmo chuveiro, duas correntes

Corrente no fio de um chuveiro forte, em ampères

  • No cento e vinte e sete43 A
  • No duzentos e vinte25 A

Fontes:⁠Fonte 40 · 2026Um chuveiro de 5.500 W ligado em 127 V puxa cerca de 43 ampères pelo fio.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista⁠Fonte 41 · 2026O mesmo chuveiro de 5.500 W, na versão de 220 V, puxa 25 ampères, pouco mais da metade.UFRN (IMD)abrir a fontever na lista

Mais corrente pede fio mais grosso, como mais água pede cano mais largo, e com a fiação dentro da norma a conta empata. A diferença fica na parede, não no boleto.

E obrigar todo aparelho a ser bivolt? Desde 2011, a ideia foi ao Congresso ao menos seis vezes⁠Fonte 42 · 2026Desde 2011, a obrigação do aparelho bivolt foi proposta ao menos seis vezes no Congresso; cinco propostas foram rejeitadas e arquivadas, e a de 2024 segue parada numa comissão da Câmara.Senado e Câmaraabrir a fontever na lista, com a indústria falando em preço até 60% mais alto⁠Fonte 43 · 2012Ao rejeitar o projeto do Senado de 2011, a Comissão de Assuntos Econômicos citou documentos da indústria segundo os quais o bivolt obrigatório subiria o preço final de muitos produtos de 25% a 60%.Senado Federalabrir a fontever na lista, e a proposta de 2024 está parada numa comissão da Câmara⁠Fonte 44 · 2026O projeto mais recente, de 2024, obriga todo equipamento elétrico produzido no país a ser bivolt; o relator na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara deu parecer pela aprovação em junho de 2025, e o projeto segue pronto para pauta nessa comissão, sem votação.Câmara dos Deputadosabrir a fontever na lista. Enquanto isso, a etiqueta segue mandando.

Veredito

A rede precisou de uma. A tomada, não.

O Brasil tem duas voltagens porque foi ligado à luz aos pedaços, cidade por cidade, cada uma com as máquinas de quem montou a rede, e nada obrigou a juntar. A frequência teve de virar uma só, porque uma rede interligada só funciona num ritmo. A voltagem sai do transformador de cada rua e nunca atrapalhou a rede, então cada cidade ficou com a sua, e o governo só foi podando a lista.

Vilão, nessa história, não tem. A conta da convivência ficou com quem liga o aparelho. O secador do começo funcionava: só estava na cidade errada.

A rede precisou de um ritmo só. A tomada, não.

Shorts deste vídeo

  • Por que o aparelho queima na casa dos outros?

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  • Qual dos dois queima no 220: o carregador ou o secador?

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  • Qual voltagem gasta mais na conta de luz?

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Fontes

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Lista completa, com links
  1. Numa rede 220/127, a tensão nominal entre fase e neutro, a da tomada comum, é de 127 volts, o "110" do dia a dia.

    ANEEL (PRODIST): ANEEL, PRODIST Módulo 8, Anexo VIII da Resolução Normativa nº 956/2021, Anexo 8.A, Tabela 4 (tensão nominal inferior a 2,3 kV, 220/127): faixa adequada (202 ≤ TL ≤ 231)/(117 ≤ TL ≤ 133); precária até 110 e 135 V; crítica abaixo de 110 ou acima de 135 V

  2. A outra tensão nominal da tomada no Brasil é de 220 volts: entre fase e neutro nas redes 380/220, e entre duas fases nas redes 220/127.

    ANEEL (PRODIST): ANEEL, PRODIST Módulo 8, Anexo VIII da Resolução Normativa nº 956/2021, Anexo 8.A, Tabela 4 (tensão nominal inferior a 2,3 kV, 220/127): faixa adequada (202 ≤ TL ≤ 231)/(117 ≤ TL ≤ 133); precária até 110 e 135 V; crítica abaixo de 110 ou acima de 135 V

  3. Um aparelho de resistência feito para 127 V (secador, chapinha, ferro, chuveiro), ligado numa tomada de 220 V, passa a receber cerca de três vezes a potência para a qual foi feito, porque num resistor a potência cresce com o quadrado da tensão.

    UFRN (IMD): UFRN, Instituto Metrópole Digital, curso técnico Conceitos de Eletricidade, aula 11 "Potência, energia e consumo de energia elétrica" (2016): P = U²/R, a potência dissipada num resistor. Cálculo próprio com as tensões nominais de 127 V e 220 V e a resistência constante: (220/127)² = 3,0008. Aproximação: a resistência do fio aquecido muda um pouco com a temperatura

  4. Aparelho sem ajuste de tensão, ligado numa tensão maior que a indicada pelo fabricante, queima quase imediatamente; numa tensão menor, não funciona ou funciona mal.

    GREF, IF-USP: GREF, Grupo de Reelaboração do Ensino de Física, Instituto de Física da USP, Leituras de Física, Eletromagnetismo, leitura 4 "Cuidado! É 110 ou 220?", p. 13 (arquivo de 2007)

  5. O contrário não queima. Um aparelho de resistência feito para 220 V, ligado em 127 V, recebe só cerca de um terço da potência e fica fraco; um chuveiro de 5.500 W feito para 220 V esquentaria como um de cerca de 1.830 W.

    UFRN (IMD): UFRN, Instituto Metrópole Digital, Conceitos de Eletricidade, aula 11 (2016): P = U²/R. Cálculo próprio: (127/220)² = 0,333; 5.500 W × 0,333 = 1.833 W. O GREF (IF-USP) diz o mesmo em palavras: numa tensão menor, o aparelho "não funciona ou funciona precariamente"

  6. Seis em cada dez brasileiros moram num município de tomada 127; um pouco mais de um terço, num de 220; o resto, em municípios com as duas redes.

    ANEEL (BDGD) e IBGE: Cálculo próprio: classificação dos municípios pela ANEEL BDGD (UNTRMT, 31/12/2025) cruzada com a população residente do Censo 2022 (IBGE, SIDRA tabela 4709, variável 93): 126,4 milhões em municípios de 127 (62,2%), 71,3 milhões em municípios de 220 (35,1%) e 5,4 milhões em municípios mistos (2,6%), de 203,1 milhões

  7. A tomada é 127 em quase todo o Norte, no Sudeste, no Paraná e no Mato Grosso do Sul; é 220 em quase todo o Nordeste, em Goiás, no Distrito Federal, no Tocantins e em Santa Catarina; Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm as duas, e Salvador, Aracaju, Porto Alegre e Cuiabá são 127 no meio de vizinhos de 220.

    ANEEL (BDGD): Cálculo próprio sobre a ANEEL BDGD (UNTRMT, 31/12/2025): 127 em pelo menos 96% dos municípios de AC, AM, AP, ES, MG, PA, PR, RJ, RO, RR e SP; 220 em pelo menos 99% de AL, CE, DF, GO, MA, PB, PE, PI, RN, SC e TO; divididos: BA (46 de 127, 288 de 220, 83 mistos), MT (73 de 127, 69 mistos), RS (71 de 127, 421 de 220), SE (69 de 127, 6 mistos) e MS (74 de 127, 5 mistos); exceções: Nova Friburgo (RJ) é 220

  8. Numa rede 220/127, a ANEEL considera adequada a tomada que mede entre 117 e 133 volts entre fase e neutro, e entre 202 e 231 volts entre duas fases.

    ANEEL (PRODIST): ANEEL, PRODIST Módulo 8, Anexo VIII da Resolução Normativa nº 956/2021, Anexo 8.A, Tabela 4 (tensão nominal inferior a 2,3 kV, 220/127): faixa adequada (202 ≤ TL ≤ 231)/(117 ≤ TL ≤ 133); precária até 110 e 135 V; crítica abaixo de 110 ou acima de 135 V

  9. Pelos transformadores das distribuidoras, 2.689 municípios brasileiros têm tomada de 127 volts, o "110" do dia a dia.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, Base de Dados Geográfica da Distribuidora (BDGD), posição de 31/12/2025, camada UNTRMT (transformadores de média para baixa tensão) de 102 distribuidoras (99 com posição de 31/12/2025 e 3 cooperativas com a de 31/12/2023), campos MUN, TEN_LIN_SE, FAS_CON_S e POT_NOM, transformadores ativos; cálculo próprio: município de 127 quando 80% ou mais da potência instalada dos transformadores entrega 127 V (ou 110 a 139 V) entre fase e neutro; Equatorial Goiás reclassificada pela norma NTC-04 (rede 380/220); 13 municípios da Light sem transformador classificável atribuídos à rede 127/220 da distribuidora; 5.571 municípios do IBGE

  10. Outros 2.687 municípios têm tomada de 220 volts; o país se divide quase ao meio em número de cidades.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, BDGD (posição de 31/12/2025), camada UNTRMT de 102 distribuidoras (99 com posição de 31/12/2025 e 3 cooperativas com a de 31/12/2023); cálculo próprio: município de 220 quando 80% ou mais da potência instalada dos transformadores ativos entrega 220 V (redes 380/220 e 440/220) entre fase e neutro; 195 municípios ficaram entre 20% e 80% (mistos)

  11. Na divisa do Paraná com Santa Catarina, Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC) são cidades coladas, e a tomada muda de uma para a outra: 127 volts do lado paranaense, 220 do lado catarinense.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, BDGD (31/12/2025): Barracão (IBGE 4102604) com 99% da potência dos transformadores ativos em 127 V (851 transformadores 220/127 e 254/127, da Copel, contra 13 da Celesc); Dionísio Cerqueira (4205001) com 92% em 220 V (1.053 transformadores da Celesc em 380/220 e 440/220, contra 44 da Copel); na área urbana, as 500 unidades consumidoras empresariais de Barracão são da Copel e 1.089 das 1.180 de Dionísio Cerqueira são da Celesc (UCBT_PJ)

  12. Existem duas Cachoeira Dourada, uma em Goiás e outra em Minas, vizinhas no rio Paranaíba, e cada uma tem uma tomada diferente: 220 volts na goiana, 127 na mineira.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, BDGD (31/12/2025), UNTRMT: Cachoeira Dourada (GO, IBGE 5204250, Equatorial Goiás, 395 transformadores, rede 380/220) e Cachoeira Dourada (MG, 3109808, Cemig, 169 transformadores 220/127); vizinhas na malha municipal do IBGE; população no Censo 2022: 7.782 e 2.315

  13. A Copel, a distribuidora do Paraná, também atende um município de Santa Catarina, Porto União, a cidade-gêmea de União da Vitória.

    Copel: Companhia Paranaense de Energia (Copel), relatório anual Form 20-F do exercício de 2025 à SEC (protocolado em 16/04/2026): "We hold concessions to distribute electricity in 394 of the 399 municipalities in the State of Paraná and in the municipality of Porto União in the State of Santa Catarina"

  14. A Celesc, de Santa Catarina, atende parte de um município do Paraná, Rio Negro, a cidade-gêmea de Mafra.

    Celesc: Celesc Distribuição S.A., resposta ao Ofício nº 0748/SCC-DIAL-GEAPI (protocolo de 23/05/2024), publicada no portal da Assembleia Legislativa de SC: concessão que contempla "92% do território do Estado de Santa Catarina, além de parte do município de Rio Negro, no Paraná" (Contrato de Concessão nº 56/99)

  15. Nas cidades-gêmeas União da Vitória (PR) e Porto União (SC), a tomada da cidade é a mesma, 127 volts, porque a Copel atende os dois lados; o 220 da Celesc só aparece no interior de Porto União.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, BDGD (31/12/2025): na área urbana de Porto União (IBGE 4213609), 1.236 das 1.327 unidades consumidoras empresariais de baixa tensão são da Copel (93%, códigos de 127 V), e na área rural 1.133 das 1.449 são da Celesc (220 V) (UCBT_PJ, ARE_LOC); nos transformadores, o município fica dividido (54% da potência em 127 V); União da Vitória (4128203) tem 100% em 127 V, todos da Copel

  16. O contrário acontece em Rio Negro, no Paraná, cidade-gêmea de Mafra (SC): a cidade é atendida pela Celesc e tem tomada de 220 volts, como Mafra; o 127 da Copel fica no interior do município.

    ANEEL (BDGD): ANEEL, BDGD (31/12/2025): na área urbana de Rio Negro (IBGE 4122305), 1.574 das 1.614 unidades consumidoras empresariais de baixa tensão são da Celesc (98%, todas em 220 V), e na rural 1.002 das 1.439 são da Copel (UCBT_PJ, ARE_LOC); Mafra (4210100) tem 100% da potência dos transformadores em 220 V

  17. Em 1921, só no estado de São Paulo, 26 empresas de eletricidade com 30 usinas usavam quatro frequências diferentes, 40, 50, 55 e 60 Hz.

    Força e luz (Unesp): SANTOS FILHO, Gildo Magalhães dos. Força e luz: eletricidade e modernização na República Velha. São Paulo: Editora Unesp, 2001, p. 34 (texto publicado pelo projeto Eletromemória, FFLCH-USP), a partir do quadro das usinas paulistas em funcionamento em dezembro de 1921 do engenheiro Francisco Egmydio da Fonseca Telles

  18. A mesma Light operava São Paulo em 60 Hz e o Rio de Janeiro em 50 Hz; para trocar energia entre as duas cidades, em 1950 foi preciso uma subestação conversora em Aparecida (SP).

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, História da operação do sistema interligado nacional (para o ONS, coord. Paulo Brandi de Barros Cachapuz, 2003, ISBN 85-85147-59-8), p. 16 do PDF: "Operando com freqüências diferentes em São Paulo (60 Hz) e no Rio de Janeiro (50 Hz)"; e blog "Aniversário da Light": subestação conversora de Aparecida do Norte, 1950

  19. Em outubro de 1930, em Petrópolis, entrou em operação a subestação Rio da Cidade, feita para converter energia entre a Light do Rio (50 Hz) e a vizinha CBEE, da Amforp (60 Hz); ela estreou socorrendo o Rio, quando revolucionários tomaram a usina de Ilha dos Pombos e a cidade ficou em parte às escuras.

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, História da operação do sistema interligado nacional (ONS, 2003), pp. 15-16 (p. 19 do PDF), "Experiências pioneiras"; subestação Rio da Cidade com duas unidades conversoras de 3 MW

  20. Em 1938, um decreto-lei de Getúlio Vargas mandou todo o Brasil gerar eletricidade em 50 ciclos por segundo, com prazo "improrrogável" de oito anos.

    Planalto: Decreto-Lei nº 852, de 11 de novembro de 1938, art. 23 e § 3º ("freqüência de cinqüenta (50) ciclos"; "prazo improrrogável de oito (8) anos"); o prazo foi prorrogado sem data e os 50 e 60 ciclos passaram a ser permitidos pelo Decreto-Lei nº 4.295, de 13 de maio de 1942, art. 6º

  21. Em 1942, quatro anos depois do decreto de 1938, o prazo "improrrogável" para todo o país gerar em 50 ciclos foi prorrogado sem data, e as instalações novas passaram a poder usar 50 ou 60 ciclos, por zonas.

    Planalto: Decreto-Lei nº 4.295, de 13 de maio de 1942 ("Estabelece medidas de emergência, transitórias, relativas à indústria da energia elétrica"), art. 6º: "O prazo de que trata o art. 23, § 3º, do decreto-lei nº 852, de 11 de novembro de 1938, fica prorrogado por um período que será oportunamente fixado, e passa a ser permitido o emprego, em novas instalações, das correntes alternadas trifásicas de 50 e de 60 ciclos por segundo, distribuídas por zonas a serem delimitadas pelo C. N. A. E. E."

  22. Em 1957, o regulamento federal listava três tensões para a ligação monofásica das casas, 110, 127 e 220 volts, e o trifásico em 220, 380 e 440 volts.

    Planalto: Decreto nº 41.019, de 26 de fevereiro de 1957, art. 47, redação original (distribuição secundária "trifásica a 220, 380 e 440 volts, monofásica a 110, 127 e 220 volts")

  23. Em 1964, mais de 73% da potência instalada do Brasil já operava em 60 Hz, e nas usinas em construção a fatia era de 89%.

    Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados, Projeto de Lei nº 2.267/1964 (Mensagem presidencial 369/64), parecer da Comissão de Minas e Energia: "Mais de 73% da capacidade instalada opera a 60 Hz"; usinas em construção 4.137,0 MW (89%) em 60 Hz contra 532,7 MW (11%) em 50 Hz

  24. A Lei 4.454, de 6 de novembro de 1964, adotou 60 Hz em todo o território nacional, com a troca feita aos poucos e nenhuma instalação nova autorizada fora dos 60 Hz.

    Planalto: Lei nº 4.454, de 6 de novembro de 1964, arts. 1º e 2º (o parágrafo único do art. 2º foi vetado); publicada no DOU de 10/11/1964

  25. Em 1964, o parecer da Câmara que defendeu a frequência única comparou a bagunça de 50 e 60 Hz às ferrovias com bitolas diferentes, em que o vagão de uma companhia não roda na linha da outra.

    Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados, PL nº 2.267/1964, parecer da Comissão de Minas e Energia, item 5 ("como é o caso das ferrovias com as várias bitolas")

  26. A energia de Furnas, que começou a gerar em setembro de 1963, só podia chegar às casas do Rio depois que a Light trocasse a cidade para 60 Hz.

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, História da operação do sistema interligado nacional (ONS, 2003), p. 37 do PDF ("A chegada da energia da usina aos consumidores cariocas estava condicionada à conversão do sistema Rio Light para 60 Hz"); data da primeira unidade no blog "Furnas Centrais Elétricas completa 64 anos" (Paulo Brandi, 28/02/2021)

  27. Na troca de 50 para 60 Hz, os motores passam a girar 20% mais rápido, e por isso indústrias, medidores de luz e televisores tiveram de ser ajustados.

    Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados, PL nº 2.267/1964, parecer da Comissão de Minas e Energia, itens 9 a 11 ("com 60 Hz, os motores giram com 20% mais de rotação"; ajuste dos televisores e calibragem dos medidores)

  28. Em 1967, o Ministério das Minas e Energia pôs a Eletrobras para coordenar a troca no país, e no Rio um escritório estadual fez um recenseamento dos aparelhos que sentiriam a mudança de frequência.

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, História da operação do sistema interligado nacional (ONS, 2003), p. 45, quadro "O programa de conversão de freqüência" (Escritório Técnico de Conversão de Freqüência, Cofre, da Comissão Estadual de Energia da Guanabara)

  29. O programa de mudança de frequência da Light no Rio terminou em 1971, com mais de 1 milhão de consumidores da Guanabara e do estado do Rio passando para 60 Hz.

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, blog "Aniversário da Light": "Termina o programa de mudança de frequência do sistema Rio Light. Mais de um milhão de consumidores..." (1971); o livro do ONS (2003, p. 45) registra ~60% dos consumidores convertidos no fim de 1969 e a conversão "praticamente" concluída em 1970

  30. O Rio Grande do Sul começou a trocar para 60 Hz em 1968, Porto Alegre levou de 1971 a 1977, e o resto do estado só terminou em 1980, dezesseis anos depois da lei.

    Memória da Eletricidade: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, História da operação do sistema interligado nacional (ONS, 2003), pp. 46-47 e 87 (CEEE, com Eletrobras e Eletrosul)

  31. Em 1977, o Paraguai recusou trocar o país para 60 Hz (a estatal paraguaia Ande estimou a troca em 76 milhões de dólares e três anos), e o Brasil decidiu gerar Itaipu nas duas frequências e pagar a conversão da parte paraguaia.

    Revista Tecnologia e Sociedade: MATIELLO, Catiane; QUELUZ, Gilson Leandro. A definição da frequência de geração da UHE de Itaipu: trajetórias e controvérsias sociotécnicas. Revista Tecnologia e Sociedade (UTFPR), v. 11, n. 23, 2015, pp. 62-64 (estudo da Ande citado de LIMA, 2006, p. 254; decisão de novembro de 1977 citada de MONTEIRO, 1999, p. 40); dólares nominais de 1977

  32. Das 20 unidades geradoras de Itaipu, dez operam em 50 Hz, a frequência do Paraguai, e dez em 60 Hz, a do Brasil.

    Itaipu Binacional: Itaipu Binacional, Perguntas Frequentes, pergunta 7 ("Por que existem dois tipos de freqüência, 50 e 60 Hz, na Itaipu?"); 20 unidades de 700 MW, 14 GW

  33. Em 1988, um decreto tirou o 115 da lista e deixou só redes de 127 e de 220 volts (380/220, 220/127, 440/220 e 254/127), obrigatórias a partir de 1990 em toda obra de rede que instalasse transformador.

    Planalto: Decreto nº 97.280, de 16 de dezembro de 1988, que alterou o art. 47 do Decreto nº 41.019/1957 (III e §§ 5º e 6º; prazo de 1º de janeiro de 1990; outros planos só com aprovação do DNAEE); declarado revogado pelo Decreto nº 10.810, de 27 de setembro de 2021, item LVI

  34. A justificativa de um projeto de lei do Senado de 2011 diz que a frequência foi padronizada nos anos 1960, mas as tensões não, "em razão dos enormes custos" que a mudança traria aos consumidores.

    Senado Federal: Senado Federal, Projeto de Lei do Senado nº 582, de 2011 (obrigatoriedade de equipamentos bivolt), Justificação; publicado no DSF de 20/09/2011. Afirmação do autor do projeto, sem estudo de custo citado

  35. Em 1964, o parecer da Câmara dizia que manter os 50 Hz com conversores custaria cerca de 100 dólares por kW, "quase o preço de uma usina", e que trocar as instalações sairia mais barato para o consumidor.

    Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados, PL nº 2.267/1964, parecer da Comissão de Minas e Energia, item 8 (conversores a "100 dólares por KW. Quase que o preço de uma usina geradora!"); dólares nominais de 1964

  36. Em 2010, a Arábia Saudita decidiu trocar o 127/220 V pelo 230/400 V, começando pelas áreas e ligações novas, e o órgão de normas do país prevê que o 127 V pode levar 15 anos ou mais para sumir.

    SASO (Arábia Saudita): Saudi Standards, Metrology and Quality Organization (SASO), campanha de plugues e tomadas, "About the campaign" (Resolução do Conselho de Ministros de 1431 H; motivo declarado, reduzir os perigos da tensão dupla)

  37. Os aparelhos que transformam a corrente alternada em contínua, como os de informática e os de áudio e vídeo, viraram bivolt sem mudar muito o custo nem o consumo. Nos que transformam energia em calor ou movimento, com alta potência, o Senado registrou que o bivolt é técnica e economicamente inadequado.

    Senado Federal: Senado Federal, Comissão de Assuntos Econômicos, parecer sobre o PLS nº 582/2011 (relator Sen. Luiz Henrique, contrário ao projeto), aprovado em 16/10/2012, seção II (Análise), com informações da Abinee; repetido na íntegra no parecer terminativo da CMA

  38. Na rede 127/220 V do Rio, a ligação monofásica (uma fase e o neutro) só tem 127 V; a bifásica e a trifásica têm 127 V entre fase e neutro e 220 V entre duas fases, e é aí que entram chuveiro e ar-condicionado de 220 numa cidade de 127.

    Enel Rio: Enel Distribuição Rio, Especificação Técnica nº 165, versão 02 (25/04/2018), "Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária", tabela 1 (limites de fornecimento: monofásico 1F-1N 127 V até 8 kVA; bifásico 2F-1N e trifásico 3F-1N 127/220 V)

  39. O que o aparelho gasta não muda com a voltagem. Um chuveiro de mesma potência usa a mesma energia para esquentar a água em 127 V ou em 220 V; a diferença está só nos fios que levam a energia até ele, e com a fiação dentro das normas atuais as duas voltagens trazem o mesmo gasto.

    IFSC/USP: Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), "O que é mais vantajoso: 110 ou 220V?", 28/11/2016, entrevista com o prof. Luiz Nunes de Oliveira, do Grupo de Física Teórica ("Se a fiação de uma casa for dimensionada de acordo com os padrões atuais, aparelhos de 110 e 220V trarão o mesmo gasto"). Conferido com UFRN/IMD, aula 11: energia = potência × tempo, sem a tensão na conta

  40. Um chuveiro de 5.500 W ligado em 127 V puxa cerca de 43 ampères pelo fio.

    UFRN (IMD): UFRN, Instituto Metrópole Digital, Conceitos de Eletricidade, aula 11 (2016): P = U·I. Cálculo próprio: 5.500 W / 127 V = 43,3 A

  41. O mesmo chuveiro de 5.500 W, na versão de 220 V, puxa 25 ampères, pouco mais da metade.

    UFRN (IMD): UFRN, Instituto Metrópole Digital, Conceitos de Eletricidade, aula 11 (2016): P = U·I. Cálculo próprio: 5.500 W / 220 V = 25,0 A

  42. Desde 2011, a obrigação do aparelho bivolt foi proposta ao menos seis vezes no Congresso; cinco propostas foram rejeitadas e arquivadas, e a de 2024 segue parada numa comissão da Câmara.

    Senado e Câmara: Senado Federal, PLS 582/2011 (Sen. Marcelo Crivella): rejeitado por unanimidade na CMA em 09/04/2013, arquivado em 29/04/2013. Câmara dos Deputados: PL 3.536/2012 (Reguffe), com os apensados PL 5.410/2013, PL 3.141/2015 e PL 4.693/2016, rejeitados na CDC (22/11/2017) e na CDEICS (04/09/2019) e arquivados em 18/09/2019 (art. 133 do RICD); PL 2.381/2024 (Pastor Gil) em tramitação. Contagem própria a partir das fichas de tramitação e da API de dados abertos da Câmara

  43. Ao rejeitar o projeto do Senado de 2011, a Comissão de Assuntos Econômicos citou documentos da indústria segundo os quais o bivolt obrigatório subiria o preço final de muitos produtos de 25% a 60%.

    Senado Federal: Senado Federal, Comissão de Assuntos Econômicos, parecer contrário ao PLS nº 582/2011 (relator Sen. Luiz Henrique), 16/10/2012: "os documentos técnicos da indústria elétrica e eletrônica brasileira apontam para um aumento de 25% a 60% no preço final de muitos de seus produtos". Estimativa da indústria, sem conferência independente; o mesmo parecer cita "aumento estimado do consumo energético de até 15%" nos aparelhos com motor

  44. O projeto mais recente, de 2024, obriga todo equipamento elétrico produzido no país a ser bivolt; o relator na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara deu parecer pela aprovação em junho de 2025, e o projeto segue pronto para pauta nessa comissão, sem votação.

    Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados, PL 2.381/2024 (Dep. Pastor Gil), "Institui a obrigatoriedade de fabricação de equipamentos elétricos bivolt no Brasil", apresentado em 13/06/2024; parecer do relator Dep. Aureo Ribeiro pela aprovação em 18/06/2025; situação em 03/11/2026: "Pronta para Pauta na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC)"; depois vão a Indústria, Comércio e Serviços e a CCJC, em apreciação conclusiva

Como este artigo foi feito

  • Pauta escolhida por uma pessoa e pesquisa em fontes públicas, citadas nas notas.
  • Vídeo e artigo elaborados a partir do roteiro, revisado e aprovado por uma pessoa.
  • Mapas, gráficos e o tatu feitos em código a partir dos dados citados.
  • Versão final assistida e aprovada por uma pessoa antes de publicar.

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