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Por que a capital do agro tem tanto maranhense?

A soja chegou com quem veio do Sul e se planta com máquina, quase sem gente; quem chama gente é a cidade que o dinheiro da soja paga, com carteira assinada e serviço quase o ano inteiro, e o Maranhão tinha gente jovem, um ônibus que já fazia o caminho e, na nossa leitura, a rede de quem foi antes: a migração segue o emprego, e ninguém tomou o lugar de ninguém.

leitura de 7 minvídeo de 9 min

Sorriso (MT)

Abertura

No fim da tarde, um ônibus que vem do Maranhão encosta na rodoviária de Sorriso, no meio da soja de Mato Grosso. Desce gente de mala e mochila, cansada da estrada, que veio para trabalhar. Na plataforma, alguém acena.

Ilustração de uma pequena rodoviária do interior ao entardecer: sob uma cobertura de concreto, um ônibus branco com faixa cor de areia está com o bagageiro aberto, e malas, caixas amarradas com barbante e um colchão enrolado esperam na plataforma; viajantes de costas andam até ele, entre eles uma mulher de mão dada com uma criança e um homem com uma caixa no ombro.
Sorriso, no fim da tarde: quem desce desse ônibus veio do outro lado do mapa.

A cidade, Capital Nacional do Agronegócio por uma lei federal de 2012⁠Fonte 1 · 2012Uma lei federal de 2012 deu a Sorriso (MT) o título de Capital Nacional do Agronegócio.Planaltoabrir a fontever na lista, nasceu nos anos setenta, de colonos vindos do Sul⁠Fonte 2 · 1980Sorriso (MT) nasceu no fim dos anos setenta, de colonos vindos do Sul: paranaenses e catarinenses trazidos pela Colonizadora Feliz e muitos gaúchos da região de Passo Fundo.IBGEabrir a fontever na lista. No Censo de 2000, Sorriso tinha 1.718 moradores nascidos no Maranhão⁠Fonte 3 · 2000No Censo de 2000, só 1.718 moradores de Sorriso (MT) tinham nascido no Maranhão.IBGEabrir a fontever na lista; no de 2022, eram 19.621, onze vezes mais⁠Fonte 4 · 2022Entre os Censos de 2000 e 2022, o número de moradores de Sorriso (MT) nascidos no Maranhão se multiplicou por 11, de 1.718 para 19.621.IBGEabrir a fontever na lista.

Por que a capital do agro tem tanto maranhense?

Sorriso (MT)

A cidade que o Sul plantou

Quem roda a Cuiabá-Santarém de carreta já ouviu tudo quanto é sotaque no posto de Sorriso. Dá para abrir o álbum de família da cidade: três retratos, um a cada Censo, que conta onde cada morador nasceu, não quando nem por que ele se mudou⁠Fonte 5 · 2022O Censo conta onde cada morador nasceu, não quando nem por que ele se mudou; o filho de maranhense nascido em Sorriso entra na conta como mato-grossense.IBGEabrir a fontever na lista. E uma dúvida atravessa os três: por que justo do Maranhão, e não da Bahia ou do Piauí?

No primeiro retrato, o Censo de 2000, metade dos moradores tinha nascido no Paraná, no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina⁠Fonte 6 · 2000No Censo de 2000, metade dos moradores de Sorriso (MT) tinha nascido no Sul: no Paraná, no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina.IBGEabrir a fontever na lista. No painel de chegadas da rodoviária, daqueles de letrinha que vira, a lista de onde nasceu quem veio de fora abria com o Sul; o Maranhão vinha lá embaixo⁠Fonte 7 · 2022Entre os moradores de Sorriso (MT) nascidos em outros estados, a ordem dos quatro estados desta história mudou a cada Censo: em 2000, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e só depois o Maranhão; em 2010, o Maranhão já vinha logo atrás do Paraná; em 2022, o Maranhão estava à frente de todos.IBGEabrir a fontever na lista. Era uma cidade com sotaque do Sul.

Ilustração de uma estrada de terra reta no Cerrado: um caminhão de mudança carregado de móveis, com uma família sentada no alto da carga, avança levantando poeira entre árvores retorcidas; do outro lado, uma área recém-desmatada com montes de galhos, um trator ao longe, uma casa de madeira e uma caixa-d’água.
Sorriso nos anos oitenta: as famílias do Sul chegam de mudança para abrir lavoura no Cerrado.

Sorriso foi o município que mais colheu soja no Brasil até 2023 e ficou em segundo em 2024 e 2025⁠Fonte 8 · 2025Sorriso (MT) foi o município que mais colheu soja no Brasil em todos os anos de 2000 a 2023; em 2024 e 2025 ficou em segundo, por menos de 1%, atrás de São Desidério (BA).IBGEabrir a fontever na lista; somando soja e milho, segue em primeiro⁠Fonte 9 · 2025Somando soja e milho, Sorriso (MT) é o município que mais colhe grãos no Brasil: 6,1 milhões de toneladas em 2025, bem à frente de Rio Verde (GO), com 4,3 milhões.IBGEabrir a fontever na lista.

Nº 1SOJA E MILHO o município que mais colhe grãos no Brasil

Nº 2SÓ SOJA atrás de São Desidério (BA)

Da estrada, a lavoura vai até o horizonte, e mal se vê gente nela: quem planta e quem colhe é a máquina. Em 2017, havia uma pessoa trabalhando para cada 228 hectares de lavouras como soja e milho⁠Fonte 10 · 2017Nas lavouras temporárias de Sorriso (MT), como soja e milho, havia uma pessoa trabalhando para cada 228 hectares em 2017.IBGEabrir a fontever na lista. Se a lavoura precisa de tão pouca gente, por que a cidade não parou de crescer?

Imperatriz (MA) e Sorriso (MT)

A cidade que precisou de mãos

Segundo retrato, o Censo de 2010: a cidade quase dobrou⁠Fonte 11 · 2010Entre os Censos de 2000 e 2010, a população de Sorriso (MT) quase dobrou, de 35.605 para 66.521 moradores.IBGEabrir a fontever na lista, e os nascidos no Maranhão quase quadruplicaram, de 1.718 para 6.290⁠Fonte 12 · 2010Entre os Censos de 2000 e 2010, os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Maranhão quase quadruplicaram, de 1.718 para 6.290.IBGEabrir a fontever na lista. No painel, o Maranhão já aparecia logo atrás do Paraná⁠Fonte 7 · 2022Entre os moradores de Sorriso (MT) nascidos em outros estados, a ordem dos quatro estados desta história mudou a cada Censo: em 2000, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e só depois o Maranhão; em 2010, o Maranhão já vinha logo atrás do Paraná; em 2022, o Maranhão estava à frente de todos.IBGEabrir a fontever na lista.

O que essa gente veio buscar? O primeiro palpite é o salário. Mas, na contratação com carteira assinada, Mato Grosso pagou em média R$ 2.263 em 2025, só 12% acima do Maranhão⁠Fonte 13 · 2025Em Mato Grosso, o salário médio de contratação com carteira em 2025 foi de R$ 2.263 por mês, só 12% acima do Maranhão.Novo Cagedabrir a fontever na lista.

Só que essa conta enxerga apenas quem entrou com carteira. O Censo olha todo mundo que trabalha: ponha os motoristas e operadores de máquina numa fila, do que ganha menos ao que ganha mais, e pegue quem ficou no meio. Em 2022, no Maranhão, ele ganhava R$ 1.400 por mês⁠Fonte 14 · 2022No Censo de 2022, quem trabalhava como operador de máquina ou motorista (o grupo que inclui o motorista de caminhão e o operador de máquina agrícola) ganhava no Maranhão uma mediana de R$ 1.400 por mês.IBGEabrir a fontever na lista; em Mato Grosso, R$ 2.500⁠Fonte 15 · 2022No mesmo grupo de ocupações, Mato Grosso pagava uma mediana de R$ 2.500 por mês, quase 80% a mais que o Maranhão e mais que São Paulo (R$ 2.100).IBGEabrir a fontever na lista. Quase o dobro⁠Fonte 16 · 2022No Censo de 2022, a renda mediana de operadores de máquina e motoristas em Mato Grosso era quase o dobro da do Maranhão.IBGEabrir a fontever na lista. Entre Imperatriz e Sorriso, a diferença é a mesma⁠Fonte 17 · 2022No Censo de 2022, a renda mediana do trabalho em Sorriso era quase o dobro da de Imperatriz.IBGEabrir a fontever na lista.

Como a contratação pode ser parecida e o bolso, quase o dobro? A diferença está na carteira. Em Sorriso, mais da metade de quem trabalha é empregado com carteira assinada⁠Fonte 18 · 2022No Censo de 2022, mais da metade de quem trabalhava em Sorriso (53%) era empregado do setor privado com carteira assinada.IBGEabrir a fontever na lista; no Maranhão, só 22%⁠Fonte 19 · 2022No Censo de 2022, só 22% de quem trabalhava no Maranhão era empregado do setor privado com carteira assinada; em Mato Grosso eram 42%, e em Sorriso, 53%.IBGEabrir a fontever na lista. A viagem troca o trabalho sem carteira por um com carteira, e com serviço de uma safra à outra. O preço que não aparece no salário: a família fica do outro lado do país.

Quem trabalha com carteira assinada

Empregados do setor privado com carteira, entre todos os que trabalham, Censo de 2022

  • Maranhãoo estado inteiro22%
  • Sorriso (MT)a cidade53%

Fontes:⁠Fonte 19 · 2022No Censo de 2022, só 22% de quem trabalhava no Maranhão era empregado do setor privado com carteira assinada; em Mato Grosso eram 42%, e em Sorriso, 53%.IBGEabrir a fontever na lista⁠Fonte 18 · 2022No Censo de 2022, mais da metade de quem trabalhava em Sorriso (53%) era empregado do setor privado com carteira assinada.IBGEabrir a fontever na lista

A lavoura e a cidade

Quem dá emprego

Mas carteira assinada onde? Na capital do agro, de cada dez moradores que trabalham, quantos estão no campo? Nem um. No Censo de 2022, só 9% trabalhavam na agropecuária⁠Fonte 20 · 2022No Censo de 2022, só 9% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na agropecuária, menos que na construção (11%) e menos da metade do comércio (20%).IBGEabrir a fontever na lista, menos que na obra e menos da metade do comércio⁠Fonte 21 · 2022No Censo de 2022, 11% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na construção.IBGEabrir a fontever na lista⁠Fonte 22 · 2022No Censo de 2022, 20% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam no comércio e na reparação de veículos.IBGEabrir a fontever na lista.

Onde trabalha quem mora na capital do agro

Moradores de Sorriso (MT) que trabalham, por atividade, Censo de 2022

  • Agropecuária9%
  • Construção11%
  • Comércioe reparação de veículos20%

Fontes:⁠Fonte 20 · 2022No Censo de 2022, só 9% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na agropecuária, menos que na construção (11%) e menos da metade do comércio (20%).IBGEabrir a fontever na lista⁠Fonte 21 · 2022No Censo de 2022, 11% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na construção.IBGEabrir a fontever na lista⁠Fonte 22 · 2022No Censo de 2022, 20% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam no comércio e na reparação de veículos.IBGEabrir a fontever na lista

E se o Censo deixou de fora quem só vem para a colheita? Nem com o dobro de gente o campo passaria o comércio.

Ilustração de uma lavoura plana de soja que vai até o horizonte, vista do acostamento de uma estrada, com uma cerca de arame no canto: uma única colheitadeira trabalha sozinha na borda entre a soja madura e a parte já colhida; não há ninguém no campo, e silos pequenos aparecem lá longe.
A lavoura vai até o horizonte e quase não tem gente: quem colhe é a máquina.

A soja trouxe o dinheiro; quem dá emprego é o que esse dinheiro põe para funcionar: a obra da casa nova, o mercado, a escola, a oficina.

E tem o calendário: depois da soja, no mesmo chão, vem a safrinha, o milho da segunda safra, e em Sorriso a colheita de milho é maior que a de soja desde 2012⁠Fonte 23 · 2025Em Sorriso, todo o milho é de segunda safra, a safrinha, plantada logo depois da colheita da soja na mesma terra; a mesma área dá duas colheitas por ano, e desde 2012 a de milho é maior que a de soja.IBGEabrir a fontever na lista. Quem puxa grão sabe o que isso quer dizer: duas temporadas de carga no mesmo ano.

Ilustração de uma rua larga e recém-asfaltada num bairro novo de uma cidade do agro, de manhã: à esquerda, uma casa sobe entre andaimes, com dois pedreiros de capacete, ao lado de um mercadinho de toldo terracota; à direita, uma oficina mecânica, uma borracharia e uma escola nova; no fim da rua, uma carreta de grãos passa diante dos silos.
A obra, o mercado, a escola: o dinheiro da soja virando trabalho na cidade.

Codó e Imperatriz (MA)

Por que justo do Maranhão

Em 2022, de cada 100 moradores de Sorriso nascidos no Nordeste, 85 eram do Maranhão⁠Fonte 24 · 2022Em 2022, de cada 100 moradores de Sorriso (MT) nascidos no Nordeste, 85 nasceram no Maranhão; os de Pernambuco eram 930 e os da Bahia, 465.IBGEabrir a fontever na lista. Por que um estado só? Por eliminação, uma pista de cada vez.

Ilustração da saída de uma pequena cidade do interior do Maranhão numa manhã clara: à esquerda, uma casa simples com uma rede terracota na varanda e uma mochila e uma sacola na porta, com uma senhora e uma criança de costas olhando a estrada; no centro, uma estrada de terra entre palmeiras de babaçu, por onde um rapaz de mochila vai embora rumo a um ônibus pequenino ao longe; à direita, lojinhas e jovens trabalhando na beira da rua, consertando uma moto e arrumando frutas.
Interior do Maranhão: gente jovem, trabalho por conta própria e uma estrada que leva para longe.

Primeira pista, o mercado de trabalho. O Maranhão tem a população mais jovem do Nordeste e o trabalho sem carteira mais comum do país⁠Fonte 25 · 2026O Maranhão tem a população mais jovem do Nordeste, uma das maiores fatias de moradores na zona rural do país e a maior taxa de informalidade entre os estados.IBGEabrir a fontever na lista, e a renda do trabalho quase sempre fica em último⁠Fonte 26 · 2026Desde 2012, o Maranhão teve o menor rendimento médio do trabalho do país em 43 dos 50 trimestres publicados; nos outros sete, só Piauí ou Bahia ficaram abaixo. A média de Mato Grosso oscilou entre 1,6 e 2,1 vezes a do Maranhão, e a distância diminuiu um pouco.IBGEabrir a fontever na lista. Mas, na renda, a Bahia e o Piauí ficam perto.

Segunda pista, o caminho. Em outubro de 2026, quatro linhas de ônibus ligavam o Maranhão a Sorriso; em 2021, eram duas⁠Fonte 27 · 2026Em outubro de 2026, a ANTT registrava quatro linhas interestaduais de ônibus com embarque em cidades do Maranhão e desembarque em Sorriso, de três empresas, com cerca de uma dúzia de partidas por semana; em 2021 eram duas linhas, de uma empresa só.ANTTabrir a fontever na lista. O ônibus não corta caminho: de Imperatriz, desce a Belém-Brasília até Goiânia, passa por Cuiabá e só então sobe a Cuiabá-Santarém⁠Fonte 28 · 2026O ônibus do Maranhão para Sorriso não corta caminho: desce a Belém-Brasília até Goiânia, vira para oeste, entra em Mato Grosso por Barra do Garças, passa por Cuiabá e só então sobe a Cuiabá-Santarém até Sorriso.ANTTabrir a fontever na lista, numa viagem de 2.755 km⁠Fonte 29 · 2021Pela linha de ônibus, Imperatriz fica a 2.755 km de Sorriso: o ônibus desce a Belém-Brasília até Goiânia, entra em Mato Grosso por Barra do Garças, passa por Cuiabá e sobe a BR-163.ANTTabrir a fontever na lista. Só que da Bahia também se chega a Mato Grosso.

O mapa desta história

Mato Grosso e Maranhão hachurados; a seta liga Imperatriz a Sorriso, mas o ônibus não vai em linha reta.

EquadorTrópico de CapricórnioSorriso (MT)Imperatriz (MA)Codó (MA)São Paulo (SP), o destino de sempreJoinville (SC), indústria e litoraldo MaranhãoEquadorTrópico de CapricórnioSorriso (MT)Imperatriz (MA)Codó (MA)São PauloJoinville (SC)

Sorriso: em 2022, de cada 100 moradores nascidos no Nordeste, 85 eram do Maranhão⁠Fonte 24 · 2022Em 2022, de cada 100 moradores de Sorriso (MT) nascidos no Nordeste, 85 nasceram no Maranhão; os de Pernambuco eram 930 e os da Bahia, 465.IBGEabrir a fontever na lista. De Imperatriz, o ônibus desce a Belém-Brasília até Goiânia e só sobe para Sorriso depois de Cuiabá⁠Fonte 28 · 2026O ônibus do Maranhão para Sorriso não corta caminho: desce a Belém-Brasília até Goiânia, vira para oeste, entra em Mato Grosso por Barra do Garças, passa por Cuiabá e só então sobe a Cuiabá-Santarém até Sorriso.ANTTabrir a fontever na lista. Mapa feito em código a partir dos estados do IBGE.

Ilustração de uma rodovia reta de pista simples entre lavouras de soja ao amanhecer: uma fila de carretas graneleiras com lonas cor de areia segue rumo ao horizonte, e um ônibus branco de faixa cor de areia, visto por trás, as ultrapassa pela outra faixa; ao longe, silos e o sol nascendo.
Na mesma estrada, o ônibus de quem vem trabalhar e as carretas da safra.

Sobra a terceira pista: a rede. Lembra de quem acenava na plataforma? Quem chega primeiro arruma uma vaga e chama o irmão, o primo, o vizinho, e cada viagem facilita a próxima. Algumas linhas param em Codó e em Timbiras⁠Fonte 27 · 2026Em outubro de 2026, a ANTT registrava quatro linhas interestaduais de ônibus com embarque em cidades do Maranhão e desembarque em Sorriso, de três empresas, com cerca de uma dúzia de partidas por semana; em 2021 eram duas linhas, de uma empresa só.ANTTabrir a fontever na lista, de onde, desde o fim dos anos noventa, saía gente todo ano para cortar cana em São Paulo, segundo uma socióloga que estudou as duas cidades⁠Fonte 30 · 2011A socióloga Maria Aparecida de Moraes Silva documentou que, desde o fim dos anos 1990, camponeses de Codó e Timbiras, no Maranhão, migravam todo ano para cortar cana em São Paulo, quase só homens, enquanto a família ficava.Revista da ANPEGEabrir a fontever na lista.

Em Santa Catarina, um analista do IBGE viu o mesmo: quem foi bem recebido puxa outros pelo mesmo caminho⁠Fonte 31 · 2025Para um analista do IBGE, Santa Catarina atrai migrantes porque combina economia forte, desemprego muito baixo e bons indicadores sociais, e quem já se mudou e foi bem recebido puxa outros pelo mesmo caminho.Gazeta do Povoabrir a fontever na lista. Em Sorriso, ninguém mediu isso ainda. Na nossa leitura, a rede fica como hipótese, mas as pistas apontam para ela.

São Paulo, Santa Catarina e Sorriso

O terceiro retrato

E essa rede continua puxando gente? O terceiro retrato começa de longe.

Nos anos cinquenta, muitos nordestinos chegavam a São Paulo em cima do pau de arara⁠Fonte 32 · 1961Nos anos 1950, muitos migrantes nordestinos chegavam a São Paulo depois de longas viagens em cima do pau de arara, o caminhão de carga com gente sentada nas tábuas da carroceria.Museu da Imigraçãoabrir a fontever na lista. São Paulo segue como o destino mais procurado por quem sai do Nordeste, mas cada vez menos: entre 2005 e 2010, perto da metade ia para lá⁠Fonte 33 · 2010Entre 2005 e 2010, quase metade (45%) dos nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo.IBGEabrir a fontever na lista; entre 2017 e 2022, um em cada três⁠Fonte 34 · 2022Entre 2017 e 2022, um em cada três nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo (33%); entre 2005 e 2010 eram quase metade (45%). No mesmo período, a parte que foi para Mato Grosso subiu de 3% para 7%, e a de Santa Catarina de 2% para 8%.IBGEabrir a fontever na lista. E a rota que mais cresceu nem é a do agro: vai para a indústria e o litoral de Santa Catarina⁠Fonte 35 · 2022Entre 2010 e 2022, Santa Catarina foi o estado onde mais cresceu o número de moradores nascidos no Nordeste, e quase todos eles vivem no litoral e nos vales industriais, longe do Oeste das agroindústrias.IBGEabrir a fontever na lista.

Quem sai do Nordeste vai menos para São Paulo

Fatia dos que se mudaram do Nordeste para outra região e foram para o estado de São Paulo

2010202245%33%São Paulo

Mudanças nos cinco anos antes de cada Censo. Fontes:⁠Fonte 33 · 2010Entre 2005 e 2010, quase metade (45%) dos nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo.IBGEabrir a fontever na lista⁠Fonte 34 · 2022Entre 2017 e 2022, um em cada três nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo (33%); entre 2005 e 2010 eram quase metade (45%). No mesmo período, a parte que foi para Mato Grosso subiu de 3% para 7%, e a de Santa Catarina de 2% para 8%.IBGEabrir a fontever na lista

De volta a Sorriso: no Censo de 2022, os nascidos no Nordeste já eram 23.115⁠Fonte 36 · 2022No Censo de 2022, os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Nordeste (23.115) passaram os nascidos no Sul (21.841); em 2000 eram 2.612 contra 18.058.IBGEabrir a fontever na lista, e os do Sul, 21.841⁠Fonte 37 · 2022Os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Sul pararam de crescer: eram 22.432 em 2010 e 21.841 em 2022.IBGEabrir a fontever na lista. Ninguém tomou o lugar de ninguém: os nascidos no Sul pararam de crescer, os do Maranhão continuaram subindo, e a cidade, que triplicou desde o primeiro retrato⁠Fonte 38 · 2022No Censo de 2022, Sorriso (MT) tinha 110.635 moradores, três vezes a população de 2000.IBGEabrir a fontever na lista, cresceu para caber todo mundo. No painel, o Maranhão passou para a primeira linha⁠Fonte 7 · 2022Entre os moradores de Sorriso (MT) nascidos em outros estados, a ordem dos quatro estados desta história mudou a cada Censo: em 2000, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e só depois o Maranhão; em 2010, o Maranhão já vinha logo atrás do Paraná; em 2022, o Maranhão estava à frente de todos.IBGEabrir a fontever na lista. Nas vizinhas Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, a virada foi a mesma; em Sinop, não⁠Fonte 39 · 2022Em Lucas do Rio Verde e em Nova Mutum, vizinhas de Sorriso na Cuiabá-Santarém, os nascidos no Nordeste também passaram os nascidos no Sul no Censo de 2022; em Sinop, a maior cidade da região, não.IBGEabrir a fontever na lista.

E 44% dos moradores de Sorriso tinham nascido no próprio Mato Grosso⁠Fonte 40 · 2022No Censo de 2022, 44% dos moradores de Sorriso (MT) tinham nascido no próprio Mato Grosso; em 2000 eram 28%.IBGEabrir a fontever na lista: o filho de maranhense nascido ali entra no Censo como mato-grossense⁠Fonte 5 · 2022O Censo conta onde cada morador nasceu, não quando nem por que ele se mudou; o filho de maranhense nascido em Sorriso entra na conta como mato-grossense.IBGEabrir a fontever na lista. Pergunte a alguém de Sorriso de onde ele é, e a resposta mais comum já é “daqui mesmo”.

Ilustração de uma rua arborizada de uma cidade do agro no fim da tarde: crianças de mochila azul, vistas de costas, saem pelo portão de uma escola nova e andam pela calçada rumo ao fim da rua, onde sobem silos de grãos; alguns pais esperam ao longe, de moto e de bicicleta.
Os filhos de quem veio do Sul e de quem veio do Maranhão, na mesma calçada.

Veredito

A migração segue o emprego

A lavoura é tocada por máquina; quem chama gente é a cidade que o dinheiro da soja paga, com carteira assinada e serviço de uma safra à outra. O Maranhão tinha gente jovem e um caminho pela estrada da safra. O que decidiu, na nossa leitura, foi alguém esperando na plataforma.

Quem veio do Sul e quem veio do Maranhão estão construindo a mesma cidade, e muitos dos filhos já nasceram nela.

E o ônibus também faz o caminho de volta: entre 2017 e 2022, mais gente se mudou de São Paulo para o Nordeste do que o contrário, e o IBGE liga isso à volta de nordestinos para casa⁠Fonte 41 · 2022Entre 2017 e 2022, mais gente se mudou de São Paulo para o Nordeste do que do Nordeste para São Paulo; o IBGE associa esse fluxo à volta de nordestinos, muitas vezes com a família nascida em São Paulo.IBGEabrir a fontever na lista.

A migração segue o emprego. Ninguém tomou o lugar de ninguém.

Shorts deste vídeo

  • Quem trabalha na lavoura da capital do agro?

    Short e Reel

  • Do Maranhão para Mato Grosso: quase o dobro no bolso

    Short e Reel

  • O nordestino ainda vai para São Paulo?

    Short e Reel

Para ir além

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Fontes

Cada número do texto tem uma nota azul. Toque nela para ver de onde veio.

Lista completa, com links
  1. Uma lei federal de 2012 deu a Sorriso (MT) o título de Capital Nacional do Agronegócio.

    Planalto: Presidência da República, Lei nº 12.724, de 16/10/2012: 'Confere ao Município de Sorriso, no Estado de Mato Grosso, o título de Capital Nacional do Agronegócio' (origem: PLS 128/2010 no Senado, PL 2.180/2011 na Câmara)

  2. Sorriso (MT) nasceu no fim dos anos setenta, de colonos vindos do Sul: paranaenses e catarinenses trazidos pela Colonizadora Feliz e muitos gaúchos da região de Passo Fundo.

    IBGE: IBGE, Biblioteca, Histórico do município de Sorriso (MT) (Divisão Territorial Brasileira): colonização no final da década de 1970 'de paranaenses e catarinenses, trazidos pela Colonizadora Feliz', com 'grande parte de Gaúchos da região de Passo Fundo'; a agrovila virou distrito em 26/12/1980

  3. No Censo de 2000, só 1.718 moradores de Sorriso (MT) tinham nascido no Maranhão.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2000, SIDRA Tabela 631 (população residente por sexo e lugar de nascimento), Sorriso (MT), lugar de nascimento Maranhão: 1.718 de 35.605 moradores (4,8%)

  4. Entre os Censos de 2000 e 2022, o número de moradores de Sorriso (MT) nascidos no Maranhão se multiplicou por 11, de 1.718 para 19.621.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000 e 2022, SIDRA Tabela 631, Sorriso (MT), lugar de nascimento Maranhão: 1.718 (2000) e 19.621 (2022); razão 11,4

  5. O Censo conta onde cada morador nasceu, não quando nem por que ele se mudou; o filho de maranhense nascido em Sorriso entra na conta como mato-grossense.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos, SIDRA Tabela 631 (população residente, por sexo e lugar de nascimento): a tabela classifica cada morador pela UF onde nasceu; a migração recente é outro quesito (residência 5 anos antes, Tabelas 3206 e 10159)

  6. No Censo de 2000, metade dos moradores de Sorriso (MT) tinha nascido no Sul: no Paraná, no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2000, SIDRA Tabela 631 (população residente por sexo e lugar de nascimento), Sorriso (MT): 18.058 de 35.605 moradores nascidos na Região Sul (Paraná 24,6%, Rio Grande do Sul 16,3%, Santa Catarina 9,8%); Mato Grosso 27,8%; Região Nordeste 7,3%

  7. Entre os moradores de Sorriso (MT) nascidos em outros estados, a ordem dos quatro estados desta história mudou a cada Censo: em 2000, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e só depois o Maranhão; em 2010, o Maranhão já vinha logo atrás do Paraná; em 2022, o Maranhão estava à frente de todos.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000, 2010 e 2022, SIDRA Tabela 631 (população residente por lugar de nascimento), Sorriso (MT): Paraná 8.750, 12.498, 12.314; Rio Grande do Sul 5.811, 5.827, 5.465; Santa Catarina 3.497, 4.108, 4.063; Maranhão 1.718, 6.290, 19.621 (2000, 2010, 2022). Em 2010, nenhum outro estado fora de Mato Grosso passava do Maranhão (Região Sudeste 3.010, Região Norte 2.034, Centro-Oeste sem Mato Grosso 3.672, Nordeste sem o Maranhão 2.115); em 2022, o Maranhão é o 1º estado de nascimento fora de Mato Grosso (Mato Grosso 48.661). Consulta de 26/10/2026

  8. Sorriso (MT) foi o município que mais colheu soja no Brasil em todos os anos de 2000 a 2023; em 2024 e 2025 ficou em segundo, por menos de 1%, atrás de São Desidério (BA).

    IBGE: IBGE, Produção Agrícola Municipal (PAM), SIDRA Tabela 1612, soja em grão, quantidade produzida, todos os municípios: 2025 São Desidério (BA) 2.360.926 t, Sorriso (MT) 2.343.000 t, Formosa do Rio Preto (BA) 2.241.106 t; 2024 São Desidério 2.092.944 t, Sorriso 2.084.520 t; Sorriso em 1º lugar em cada ano de 2000 a 2023 (consultados ano a ano)

  9. Somando soja e milho, Sorriso (MT) é o município que mais colhe grãos no Brasil: 6,1 milhões de toneladas em 2025, bem à frente de Rio Verde (GO), com 4,3 milhões.

    IBGE: IBGE, Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, SIDRA Tabela 1612, quantidade produzida de soja em grão + milho em grão, todos os municípios: Sorriso (MT) 6.123.000 t (soja 2.343.000, milho 3.780.000), Rio Verde (GO) 4.340.350 t, Nova Mutum (MT) 4.024.200 t; Sorriso também é o 1º em milho (Rio Verde 2.669.200 t)

  10. Nas lavouras temporárias de Sorriso (MT), como soja e milho, havia uma pessoa trabalhando para cada 228 hectares em 2017.

    IBGE: IBGE, Censo Agropecuário 2017, Sorriso (MT), estabelecimentos do grupo 'produção de lavouras temporárias': área 784.362 ha (SIDRA Tabela 6754) e pessoal ocupado 3.434 (Tabela 6884), 515 estabelecimentos; cálculo nosso: 784.362 / 3.434

  11. Entre os Censos de 2000 e 2010, a população de Sorriso (MT) quase dobrou, de 35.605 para 66.521 moradores.

    IBGE: Cálculo a partir de sorriso_populacao_2010 (IBGE, Censos Demográficos 2000 e 2010, SIDRA Tabela 631, Sorriso, população residente total): 66.521 / 35.605 = 1,87

  12. Entre os Censos de 2000 e 2010, os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Maranhão quase quadruplicaram, de 1.718 para 6.290.

    IBGE: Cálculo a partir de sorriso_maranhao_2000 e sorriso_maranhao_2010 (IBGE, Censos Demográficos 2000 e 2010, SIDRA Tabela 631, Sorriso, lugar de nascimento Maranhão): 6.290 / 1.718 = 3,66

  13. Em Mato Grosso, o salário médio de contratação com carteira em 2025 foi de R$ 2.263 por mês, só 12% acima do Maranhão.

    Novo Caged: Ministério do Trabalho e Emprego, Novo Caged, Sumário Executivo jan-dez 2025, Tabela 5 (salários médios de admissão por UF, valores nominais): Mato Grosso R$ 2.263,20; Maranhão R$ 2.025,64 (razão 1,117); São Paulo R$ 2.597,14; Goiás R$ 2.044,56

  14. No Censo de 2022, quem trabalhava como operador de máquina ou motorista (o grupo que inclui o motorista de caminhão e o operador de máquina agrícola) ganhava no Maranhão uma mediana de R$ 1.400 por mês.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10282, rendimento nominal mensal mediano de todos os trabalhos por grande grupo de ocupação no trabalho principal (COD), grupo 'Operadores de instalações e máquinas e montadores' (referência jul/2022, nominal): Maranhão R$ 1.400 (média R$ 1.761,14; 135.863 pessoas)

  15. No mesmo grupo de ocupações, Mato Grosso pagava uma mediana de R$ 2.500 por mês, quase 80% a mais que o Maranhão e mais que São Paulo (R$ 2.100).

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10282, grupo 'Operadores de instalações e máquinas e montadores', rendimento nominal mensal mediano de todos os trabalhos (referência jul/2022, nominal): Mato Grosso R$ 2.500 (média R$ 3.032,46; 167.538 pessoas); São Paulo R$ 2.100; Maranhão R$ 1.400. Outros grupos, Maranhão x Mato Grosso (mediana): construção e ofícios R$ 1.212 x R$ 2.000; ocupações elementares R$ 1.000 x R$ 1.400; serviços e comércio R$ 1.212 x R$ 1.700; trabalhadores qualificados da agropecuária R$ 500 x R$ 2.250

  16. No Censo de 2022, a renda mediana de operadores de máquina e motoristas em Mato Grosso era quase o dobro da do Maranhão.

    IBGE: Cálculo a partir de renda_operador_ma_2022 e renda_operador_mt_2022 (IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10282, grupo 'Operadores de instalações e máquinas e montadores', mediana de todos os trabalhos, nominal, jul/2022): R$ 2.500 / R$ 1.400 = 1,79

  17. No Censo de 2022, a renda mediana do trabalho em Sorriso era quase o dobro da de Imperatriz.

    IBGE: Cálculo a partir de renda_mediana_sorriso_2022 e renda_mediana_imperatriz_2022 (IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10289, mediana de todos os trabalhos, nominal, jul/2022): R$ 2.500 / R$ 1.400 = 1,79

  18. No Censo de 2022, mais da metade de quem trabalhava em Sorriso (53%) era empregado do setor privado com carteira assinada.

    IBGE: Cálculo a partir de ma_carteira_2022 (IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10280, empregados no setor privado com carteira, exclusive domésticos, sobre o total de ocupados com rendimento): Sorriso 30.915 de 58.664 = 52,7%

  19. No Censo de 2022, só 22% de quem trabalhava no Maranhão era empregado do setor privado com carteira assinada; em Mato Grosso eram 42%, e em Sorriso, 53%.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10280 (pessoas de 14 anos ou mais ocupadas com rendimento de trabalho, por posição na ocupação), empregados no setor privado com carteira (exclusive domésticos) sobre o total: Maranhão 495.848 de 2.254.256 (22,0%); Mato Grosso 728.656 de 1.725.537 (42,2%); Sorriso 30.915 de 58.664 (52,7%). Mediana desse grupo (jul/2022, nominal): Maranhão R$ 1.375, Mato Grosso R$ 2.000, Sorriso R$ 2.300

  20. No Censo de 2022, só 9% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na agropecuária, menos que na construção (11%) e menos da metade do comércio (20%).

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10262 (pessoas de 14 anos ou mais ocupadas, por seção de atividade do trabalho principal), Sorriso (MT): total 58.832; agropecuária 5.361 (9,1%); construção 6.672 (11,3%); comércio e reparação de veículos 11.560 (19,6%); indústria de transformação 5.239 (8,9%); transporte e armazenagem 4.076 (6,9%); atividades mal especificadas 8,2%

  21. No Censo de 2022, 11% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam na construção.

    IBGE: Cálculo a partir de sorriso_ocupados_agro_2022 (IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10262, Sorriso): construção 6.672 de 58.832 ocupados = 11,3%; geometria do quadro de cem trabalhadores

  22. No Censo de 2022, 20% dos moradores ocupados de Sorriso (MT) trabalhavam no comércio e na reparação de veículos.

    IBGE: Cálculo a partir de sorriso_ocupados_agro_2022 (IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 10262, Sorriso): comércio e reparação de veículos 11.560 de 58.832 ocupados = 19,6%; geometria do quadro de cem trabalhadores

  23. Em Sorriso, todo o milho é de segunda safra, a safrinha, plantada logo depois da colheita da soja na mesma terra; a mesma área dá duas colheitas por ano, e desde 2012 a de milho é maior que a de soja.

    IBGE: A partir de sorriso_milho_segunda_safra_2025: IBGE, Produção Agrícola Municipal, SIDRA Tabelas 1612 e 839, Sorriso (MT), milho 2ª safra 3.780.000 t em 2025 e 1ª safra sem produção; milho 1.998.402 t contra soja 1.961.880 t em 2012

  24. Em 2022, de cada 100 moradores de Sorriso (MT) nascidos no Nordeste, 85 nasceram no Maranhão; os de Pernambuco eram 930 e os da Bahia, 465.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022, SIDRA Tabela 631 (população residente por sexo e lugar de nascimento), Sorriso (MT): Maranhão 19.621 de 23.115 nascidos na Região Nordeste; Pernambuco 930, Piauí 882, Bahia 465, Alagoas 401, Ceará 367, Paraíba 300, Sergipe 89, Rio Grande do Norte 61

  25. O Maranhão tem a população mais jovem do Nordeste, uma das maiores fatias de moradores na zona rural do país e a maior taxa de informalidade entre os estados.

    IBGE: A partir de ma_idade_mediana_2022 (IBGE, Censo 2022, SIDRA Tabela 9515: idade mediana 30 anos, a menor do Nordeste), ma_rural_2022 (SIDRA Tabela 9923: 29,07% rural, a 2ª maior proporção do país) e ma_informalidade_2026 (PNAD Contínua, SIDRA Tabela 8529, 2º tri 2026: 56,9%, a maior das 27 UFs)

  26. Desde 2012, o Maranhão teve o menor rendimento médio do trabalho do país em 43 dos 50 trimestres publicados; nos outros sete, só Piauí ou Bahia ficaram abaixo. A média de Mato Grosso oscilou entre 1,6 e 2,1 vezes a do Maranhão, e a distância diminuiu um pouco.

    IBGE: IBGE, PNAD Contínua trimestral, SIDRA Tabela 5436, variável 5932, total dos sexos, 1º tri 2012 a 2º tri 2026 (a tabela não traz o 2º tri 2020 ao 1º tri 2022), em reais do 2º tri 2026. Maranhão x Mato Grosso: 2º tri 2012 R$ 1.679 x R$ 3.135 (1,87); 2º tri 2016 R$ 1.680 x R$ 3.168 (1,89); 2º tri 2022 R$ 1.868 x R$ 3.304 (1,77); 2º tri 2026 R$ 2.218 x R$ 3.994 (1,80). Razão máxima 2,08 (2º tri 2014), mínima 1,64 (1º tri 2019). Piauí abaixo do Maranhão em 2018T3, 2019T3, 2019T4, 2020T1; Bahia em 2023T1, 2023T2, 2024T3

  27. Em outubro de 2026, a ANTT registrava quatro linhas interestaduais de ônibus com embarque em cidades do Maranhão e desembarque em Sorriso, de três empresas, com cerca de uma dúzia de partidas por semana; em 2021 eram duas linhas, de uma empresa só.

    ANTT: ANTT, dados abertos, Gerenciamento de Autorizações (SIGMA), out/2026: Empresas, Linhas e Seções; Horários; Pontos do Esquema Operacional. Linhas com seção Maranhão-Sorriso: Expresso Satélite Norte CE/Fortaleza - MT/Sinop (CEMT0066037, 7 partidas por semana, para em Timon, Caxias, Codó, Peritoró, Bacabal, Santa Inês, Açailândia, Imperatriz e Estreito) e MA/Imperatriz - MT/Peixoto de Azevedo (MAMT0066034, 1 por semana); Rio Novo PI/Teresina - MT/Sinop (PIMT1557007, autorizada em 04/08/2025, 3 por semana); Expresso Mamoré MA/Timon - MT/Sinop (MAMT1655002, autorizada em 19/05/2026, 1 por semana, para em Chapadinha, Coroatá, Timbiras, Codó, Presidente Dutra, Barra do Corda e Grajaú). Em ago/2021 (arquivo de linhas e seções) só as duas linhas da Expresso Satélite Norte tinham seção Maranhão-Sorriso. Quadro de horários registrado, não viagens realizadas

  28. O ônibus do Maranhão para Sorriso não corta caminho: desce a Belém-Brasília até Goiânia, vira para oeste, entra em Mato Grosso por Barra do Garças, passa por Cuiabá e só então sobe a Cuiabá-Santarém até Sorriso.

    ANTT: A partir de rota_imperatriz_sorriso_km: ANTT, dados abertos, Pontos do Esquema Operacional (SIGMA, out/2026), linha Fortaleza (CE) - Sinop (MT), sequência Imperatriz, Estreito, Araguaína, Gurupi, Porangatu, Anápolis, Goiânia, Iporá, Aragarças, Barra do Garças, Primavera do Leste, Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso. Rodovias (Belém-Brasília, BR-070, Cuiabá-Santarém/BR-163) inferidas das cidades; conferir no SNV do DNIT

  29. Pela linha de ônibus, Imperatriz fica a 2.755 km de Sorriso: o ônibus desce a Belém-Brasília até Goiânia, entra em Mato Grosso por Barra do Garças, passa por Cuiabá e sobe a BR-163.

    ANTT: ANTT, dados abertos, Linhas e seções do transporte rodoviário interestadual de passageiros (ago/2021), extensão da seção Imperatriz (MA) - Sorriso (MT) na linha Fortaleza (CE) - Sinop (MT) da Expresso Satélite Norte: 2.755,24 km (na linha Imperatriz - Peixoto de Azevedo, 2.813,79 km; Bacabal - Sorriso 3.240,54 km; Timon - Sorriso 3.507,64 km). Trajeto pelos pontos do esquema operacional (ANTT, out/2026): Imperatriz, Estreito, Araguaína, Gurupi, Porangatu, Anápolis, Goiânia, Iporá, Aragarças, Barra do Garças, Primavera do Leste, Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso. Rodovias (Belém-Brasília BR-010/BR-153, BR-070, BR-163) inferidas das cidades; conferir no SNV do DNIT

  30. A socióloga Maria Aparecida de Moraes Silva documentou que, desde o fim dos anos 1990, camponeses de Codó e Timbiras, no Maranhão, migravam todo ano para cortar cana em São Paulo, quase só homens, enquanto a família ficava.

    Revista da ANPEGE: Maria Aparecida de Moraes Silva, 'Vidas transitórias: entre os cocais maranhenses e os canaviais paulistas', Revista da ANPEGE, v. 7, n. 1 (número especial), p. 161-178, out. 2011, DOI 10.5418/RA2011.0701.0014 (história oral em Timbiras e Codó e na região de Ribeirão Preto; a migração começa no fim dos anos 1990, depois da perda de acesso à terra e ao babaçu)

  31. Para um analista do IBGE, Santa Catarina atrai migrantes porque combina economia forte, desemprego muito baixo e bons indicadores sociais, e quem já se mudou e foi bem recebido puxa outros pelo mesmo caminho.

    Gazeta do Povo: Jefferson Mariano, analista do IBGE, em Gazeta do Povo, 'Santa Catarina desponta como principal destino de brasileiros que resolvem trocar de endereço', 02/07/2025 (atualizado em 05/08/2025)

  32. Nos anos 1950, muitos migrantes nordestinos chegavam a São Paulo depois de longas viagens em cima do pau de arara, o caminhão de carga com gente sentada nas tábuas da carroceria.

    Museu da Imigração: A partir de hist_hospedaria_1951_1961: Museu da Imigração do Estado de São Paulo, Núcleo Educativo, material 'Hospedaria 130' (2020), roteiro Migração Interna (migrantes chegando 'amontoados em cima do pau-de-arara')

  33. Entre 2005 e 2010, quase metade (45%) dos nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2010, SIDRA Tabela 3206 (residência em 31/07/2005); cálculo próprio, o mesmo de ne_fluxo_para_sp_2017_2022: emigrantes das UFs do Nordeste para UFs de fora da região 1.272.416, para São Paulo 570.023 (44,8%)

  34. Entre 2017 e 2022, um em cada três nordestinos que se mudaram para fora da região foi para São Paulo (33%); entre 2005 e 2010 eram quase metade (45%). No mesmo período, a parte que foi para Mato Grosso subiu de 3% para 7%, e a de Santa Catarina de 2% para 8%.

    IBGE: IBGE, Censo Demográfico 2022 (resultados preliminares da amostra), SIDRA Tabela 10159 (pessoas de 5 anos ou mais que não residiam na UF 5 anos antes, por lugar de residência 5 anos antes), e Censo 2010, SIDRA Tabela 3206 (residência em 31/07/2005); cálculo próprio: emigrantes das UFs do Nordeste para UFs de fora da região, 995.024 (2017-2022) e 1.272.416 (2005-2010); para São Paulo 332.361 (33,4%) e 570.023 (44,8%); Mato Grosso 68.840 (6,9%) e 34.750 (2,7%); Santa Catarina 80.290 (8,1%) e 21.533 (1,7%); Goiás 110.754 (11,1%) e 121.102 (9,5%)

  35. Entre 2010 e 2022, Santa Catarina foi o estado onde mais cresceu o número de moradores nascidos no Nordeste, e quase todos eles vivem no litoral e nos vales industriais, longe do Oeste das agroindústrias.

    IBGE: A partir de ne_sc_2022 (IBGE, Censos 2010 e 2022, SIDRA Tabela 631: Santa Catarina 59.273 → 216.309 nascidos no Nordeste, razão 3,65, a maior entre as UFs fora do Nordeste) e sc_nordestinos_fora_do_oeste_2022 (só 8,0% no Oeste Catarinense; Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Norte Catarinense somam 81,9%)

  36. No Censo de 2022, os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Nordeste (23.115) passaram os nascidos no Sul (21.841); em 2000 eram 2.612 contra 18.058.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000 e 2022, SIDRA Tabela 631, Sorriso (MT): nascidos na Região Nordeste 2.612 (2000), 8.405 (2010), 23.115 (2022); na Região Sul 18.058 (2000), 22.432 (2010), 21.841 (2022)

  37. Os moradores de Sorriso (MT) nascidos no Sul pararam de crescer: eram 22.432 em 2010 e 21.841 em 2022.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000, 2010 e 2022, SIDRA Tabela 631, Sorriso (MT), nascidos na Região Sul: 18.058 (2000), 22.432 (2010), 21.841 (2022)

  38. No Censo de 2022, Sorriso (MT) tinha 110.635 moradores, três vezes a população de 2000.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000, 2010 e 2022, SIDRA Tabela 631, Sorriso (MT), população residente total: 35.605 (2000), 66.521 (2010), 110.635 (2022)

  39. Em Lucas do Rio Verde e em Nova Mutum, vizinhas de Sorriso na Cuiabá-Santarém, os nascidos no Nordeste também passaram os nascidos no Sul no Censo de 2022; em Sinop, a maior cidade da região, não.

    IBGE: A partir de vizinhas_lucas_nordeste_2022, vizinhas_nova_mutum_nordeste_2022 e vizinhas_sinop_sul_2022 (IBGE, Censo 2022, SIDRA Tabela 631): Lucas do Rio Verde 15.719 nascidos no Nordeste contra 15.667 no Sul; Nova Mutum 11.695 contra 9.125; Sinop 16.807 contra 36.362

  40. No Censo de 2022, 44% dos moradores de Sorriso (MT) tinham nascido no próprio Mato Grosso; em 2000 eram 28%.

    IBGE: IBGE, Censos Demográficos 2000, 2010 e 2022, SIDRA Tabela 631, Sorriso (MT), nascidos em Mato Grosso: 9.895 de 35.605 (27,8%, 2000), 26.554 de 66.521 (39,9%, 2010), 48.661 de 110.635 (44,0%, 2022)

  41. Entre 2017 e 2022, mais gente se mudou de São Paulo para o Nordeste do que do Nordeste para São Paulo; o IBGE associa esse fluxo à volta de nordestinos, muitas vezes com a família nascida em São Paulo.

    IBGE: A partir de ne_retorno_sp_nordeste_2017_2022: IBGE, Censo Demográfico 2022 (resultados preliminares da amostra), SIDRA Tabela 10159, São Paulo → Nordeste 343.742 contra Nordeste → São Paulo 332.361; interpretação de retorno em Fecundidade e migração (2025), p. 57, 60 e 74

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