Por que a soja está trocando Santos pela Amazônia?
O mapa sempre esteve do lado do Norte e só faltavam a lei, o porto e o asfalto, que chegaram nessa ordem; mas o atalho é um rio, que cobra a barcaça, seca e tem gente morando nele, e por isso Santos não perdeu carga, perdeu a exclusividade.
Rio Tapajós (PA)
Abertura
Uma fila de carretas de soja vai chegando à beira de um rio, no meio da Amazônia. Na vila de Miritituba, no Tapajós, cada carreta vira a carga no terminal, e uma esteira leva a soja para dentro de uma barcaça.

Essa soja saiu de Mato Grosso e podia estar descendo para o porto de Santos, do outro lado do mapa. Mas, em 2025, 42% da soja que Mato Grosso exportou desceu pelos portos dos rios da AmazôniaFonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na lista; em 2010, eram 19%Fonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na lista. Por que a soja está trocando Santos pela Amazônia?
Dois caminhos para o mar
De Sorriso (MT), pela Cuiabá-Santarém até Miritituba e de barcaça até Barcarena, ou pela estrada até Santos; hachurados, Mato Grosso e Pará.
Mato Grosso: em 2025, 42% da soja exportada desceu pelos portos dos rios da Amazônia; em 2010, 19%Fonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na listaFonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na lista. Traçados aproximados, pelas cidades do caminho; mapa feito em código a partir dos estados do IBGE.
Sorriso (MT)
A régua
A resposta parece óbvia: pegue a régua. De Sorriso, no coração da soja de Mato Grosso, a estrada até Miritituba tem 885 km a menos que a estrada até SantosFonte 3 · 2026De Sorriso, a estrada até o rio, em Miritituba, tem 885 km a menos que a estrada até o porto de Santos.Conababrir a fontever na lista: é 45% mais curtaFonte 4 · 2026Pelo Norte, a estrada até o rio é 45% mais curta do que até Santos: são 885 km a menos de caminhão.Conababrir a fontever na lista.
Dois caminhos de estrada
De Sorriso (MT), em quilômetros de caminhão
Distâncias da Conab. Fontes:Fonte 5 · 2026De caminhão, Sorriso (MT) fica a 1.961 km do porto de Santos.Conababrir a fontever na listaFonte 6 · 2026De Sorriso a Miritituba (PA), na beira do Tapajós, são 1.076 km de estrada.Conababrir a fontever na lista
Mas, se fosse só isso, por que a soja não subia o mapa antes? O mapa não mudou. E tem um detalhe: esse atalho, às vezes, fecha.
Tapajós e Barcarena (PA)
A conta

Imagine um trevo na saída de Sorriso, com a carreta cheia de soja e uma placa apontando para os dois lados: Santos ou Miritituba? Para quem é caminhoneiro, a resposta começa no frete. Em agosto de 2026, o caminhão cobrava R$ 490 por tonelada até SantosFonte 7 · 2026Em agosto de 2026, levar uma tonelada de grão de caminhão de Sorriso até Santos custava R$ 490 (valor nominal).Conababrir a fontever na lista e R$ 280 até MirititubaFonte 8 · 2026No mesmo mês, o caminhão de Sorriso até Miritituba (PA) cobrava R$ 280 por tonelada, 43% menos do que até Santos (valor nominal; só a estrada, sem barcaça nem porto).Conababrir a fontever na lista.
Mais perto e mais barato, então? Ainda não. Na beira do Tapajós, a soja continua no meio da Amazônia e desce o rio de barcaça (aqui, descer o rio é subir o mapa, porque o Tapajós corre para o norte) até um porto onde cabe navio, como Santarém ou Vila do Conde, em BarcarenaFonte 9 · 2023De Miritituba, as barcaças levam o grão até portos de navio em Santarém, em Vila do Conde (Barcarena, PA) e em Santana (AP).CNTabrir a fontever na lista.
A barcaça cobra a parte dela. Pelas estimativas da Esalq-Log, da USP, ela come 53% do que o caminhão economizouFonte 10 · 2026A barcaça de Miritituba até Barcarena devolve mais da metade do que o caminhão economiza ao subir o mapa: ela custa 53% da diferença de frete rodoviário entre as duas rotas.USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista: é como pegar um atalho e achar um pedágio no fim dele. Somando o navio até a China, quem mais compra a nossa sojaFonte 11 · 2025A China comprou 78,9% da soja que o Brasil exportou em 2025: 85,4 milhões de toneladas.Conababrir a fontever na lista, a rota pelo Norte sai só 12% mais barata que o caminhão até SantosFonte 12 · 2026Contando o navio até a China, a vantagem da rota pelo Norte encolhe para 12%: US$ 129 contra US$ 146 por tonelada de Sorriso até Xangai (1º semestre de 2026).USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista. Mais barata, só que por pouco.
A vantagem do Norte encolhe
Quanto a rota Sorriso–Miritituba–Barcarena sai mais barata que o caminhão até Santos, primeiro semestre de 2026
Estimativa da Esalq-Log publicada pelo USDA. Fontes:Fonte 13 · 2026Somando caminhão e barcaça, a rota pelo Norte (Sorriso-Miritituba-Barcarena) chegou ao porto só 21% mais barata do que o caminhão até Santos no 1º semestre de 2026.USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na listaFonte 12 · 2026Contando o navio até a China, a vantagem da rota pelo Norte encolhe para 12%: US$ 129 contra US$ 146 por tonelada de Sorriso até Xangai (1º semestre de 2026).USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista
E a conta ainda não tem a volta. Se a carreta que subiu cheia volta vazia, quem paga a volta é o frete da ida, explicam os pesquisadores da Esalq-LogFonte 14 · 2010Quando falta carga para a volta, o caminhão volta vazio e o frete da ida fica mais caro para pagar o retorno, explicam pesquisadores do ESALQ-LOG, da USP.ESALQ-LOG (USP)abrir a fontever na lista. Para a Conab, a companhia de abastecimento do governo federal, o que puxa a soja para o Norte é a estrada mais curta somada à carga de adubo importado na voltaFonte 15 · 2025Para a Conab, o frete mais barato pela proximidade e o frete de retorno com o adubo importado têm levado os operadores a preferir as rotas para o Norte, mas esse fluxo pode parar nas secas dos rios da Amazônia.Conababrir a fontever na lista.
No rio, a volta é leve: numa das empresas de barcaça, em 2024, desceram cerca de 12 toneladas de grão para cada tonelada de adubo que subiuFonte 16 · 2024Em 2024, no corredor Norte da Hidrovias do Brasil, passaram cerca de 12 toneladas de grão para cada tonelada de adubo levada no sentido contrário.Hidrovias do Brasilabrir a fontever na lista. O adubo pode pagar a volta de uma parte das viagens, não de todas.

Miritituba (PA)
A vila que virou porto
Em Miritituba, o porto chegou antes do asfalto. Nos anos 1970, com a Transamazônica, a vila na margem do Tapajós, de frente para Itaituba, virou uma agrovila do INCRA, montada pelo governo para colonos: casas iguais, arroz e feijão na roçaFonte 17 · 1972Nos anos 1970, com a Transamazônica, Miritituba virou uma agrovila do INCRA: casas padronizadas para colonos que plantavam arroz e feijão e vendiam a colheita num armazém do governo na própria vila.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista. No Censo de 2010, o IBGE ainda a chamava de povoadoFonte 18 · 2022No Censo de 2010, o IBGE classificava Miritituba como povoado, um aglomerado rural; no Censo de 2022 ela aparece como núcleo urbano, ainda pequena, e o IBGE avisa que parte dessas reclassificações vem da mudança de método.IBGE (Censo 2022)abrir a fontever na lista.

Primeiro mudou a lei. Até 2013, um terminal privado só era autorizado se o dono tivesse carga própria para encherFonte 19 · 2013Até 2013, um terminal privado só era autorizado se a carga do próprio dono justificasse a obra, e carga de terceiros só entrava de forma eventual. A Lei dos Portos, de 5 de junho de 2013, passou a autorizar terminais privados fora dos portos públicos sem exigir carga própria; em Miritituba, Hidrovias do Brasil, Cianport e Bertolini transbordam grão de outras empresas.Lei 12.815/2013abrir a fontever na lista, como se só pudesse abrir posto de gasolina quem tivesse frota de caminhões. A Lei dos Portos liberou terminal que trabalha para qualquer umFonte 20 · 2019Em Miritituba, primeiro mudou a lei: a Lei dos Portos de 2013 passou a autorizar terminal privado sem carga própria; no ano seguinte abriu a primeira estação de transbordo; o asfalto da BR-163 só chegou aos portos em novembro de 2019.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista.
Depois vieram os terminais: o primeiro abriu em 2014Fonte 21 · 2014A primeira estação de transbordo de grãos de Miritituba, da Bunge (depois dividida com a Amaggi na Unitapajós), começou a operar em 2014, mandando barcaças até Vila do Conde, em Barcarena.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista, e até junho de 2023 foram autorizadas, só ali, 12 instalações portuárias privadasFonte 22 · 2023Entre 2014 e junho de 2023, foram autorizadas 12 instalações portuárias privadas só no distrito de Miritituba (oito estações de transbordo e quatro terminais de uso privado), 43% de todas as autorizadas no Pará no período.Inesc / ANTAQabrir a fontever na lista. Por último, o asfalto: a Cuiabá-Santarém só chegou asfaltada aos portos em novembro de 2019Fonte 23 · 2019Em novembro de 2019, o DNIT e o Exército concluíram os últimos 51 km de asfalto da BR-163 no Pará, e a rodovia ficou pavimentada de Sinop (MT) até os portos de Miritituba (PA), rota da safra de grãos de Mato Grosso.Ministério dos Transportesabrir a fontever na lista. A lei abriu a porta, e o asfalto trouxe as carretas. No rio, um comboio de barcaças leva de uma vez o que cerca de mil carretas levamFonte 24 · 2014Um comboio de barcaças leva de uma vez o que cerca de mil carretas levam: na rota aberta em 2014, eram 20 barcaças com 40 mil toneladas, o equivalente a mil caminhões.Boletim Goiano de Geografiaabrir a fontever na lista.
A vila ganhou bairros novos de quem chegou atrás de trabalho, mas também poeira nas ruas de terra, barulho de carreta e margem fechada pelos terminais, onde a pesca ficou restrita, segundo estudos de campo de um geógrafo da Universidade Federal do Oeste do ParáFonte 25 · 2019Segundo os estudos de campo de um geógrafo da Universidade Federal do Oeste do Pará, os terminais trouxeram a Miritituba bairros novos, como Nova Miritituba e Jardim do Éden, de migrantes atrás de moradia e de trabalho nas estações, e também poeira das carretas nas ruas principais sem asfalto, barulho do vaivém de caminhões, acesso à margem do rio fechado pelos portos e pesca restrita perto deles.Geosul; Bol. Goiano de Geogr.abrir a fontever na lista. Uma professora de lá resumiu ao Brasil de Fato, em 2024: “aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial”Fonte 26 · 2024"De repente, uma vila de moradores, porque aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial", disse a professora Ivaneide Lima, moradora de Miritituba, ao Brasil de Fato em 2024.Brasil de Fatoabrir a fontever na lista.

E Santos, do outro lado do mapa? A fatia dele na soja de Mato Grosso caiu de 59% em 2010 para 46% em 2025Fonte 27 · 2010Em 2010, 59% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na listaFonte 28 · 2025Em 2025, 46% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista. Mas a soja que Mato Grosso exporta quase quadruplicouFonte 29 · 2025A soja que Mato Grosso exporta quase quadruplicou de 2010 a 2025: de 8,7 para 32,1 milhões de toneladas.Comex Statabrir a fontever na lista, e a que sai por Santos chegou a 14,8 milhões de toneladas em 2025, quase o triplo de 2010Fonte 30 · 2025Santos não perdeu a soja de Mato Grosso: embarcou 14,8 milhões de toneladas dela em 2025, quase o triplo de 2010 (5,1 milhões), mesmo com a fatia caindo de 59% para 46%.Comex Statabrir a fontever na lista. Santos não perdeu carga. Perdeu a exclusividade.
Por onde sai a soja de Mato Grosso
Fatia da soja exportada por Mato Grosso, por saída
Dados do Comex Stat. Fontes:Fonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na listaFonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na listaFonte 27 · 2010Em 2010, 59% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na listaFonte 28 · 2025Em 2025, 46% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista
Itaituba (PA)
O limite
A estrada nova da soja é um rio. E rio seca.
No rio, a régua é uma escala pintada na margem. A de Itaituba, de frente para os terminais, marcou cerca de 83 cm no fim de setembro de 2024, quase meio metro abaixo do menor nível anotado ali desde 1968Fonte 31 · 2024No fim de setembro de 2024, a régua do rio Tapajós em Itaituba, de frente para Miritituba, desceu a cerca de 83 cm, o nível mais baixo da série da ANA, que começa em 1968.ANAabrir a fontever na listaFonte 32 · 2024Em 2024, o Tapajós em Itaituba desceu quase meio metro abaixo do menor nível já registrado até então.ANAabrir a fontever na lista. A ANA, a agência federal de águas, declarou situação crítica no baixo TapajósFonte 33 · 2024Em setembro de 2024, a ANA declarou situação crítica de escassez de água no baixo Tapajós, entre Itaituba e Santarém: a chuva na bacia estava em 74% da média e a régua de Itaituba já estava abaixo do menor valor visto naquela data do ano.ANAabrir a fontever na lista.
A régua de Itaituba
Menor nível do Tapajós na régua da ANA, em centímetros
A régua mostra o nível da água, não a profundidade do rio. Fontes:Fonte 34 · 2010Antes de 2024, o nível mais baixo já anotado na régua do Tapajós em Itaituba tinha sido 132 cm, em outubro de 2010.ANAabrir a fontever na listaFonte 31 · 2024No fim de setembro de 2024, a régua do rio Tapajós em Itaituba, de frente para Miritituba, desceu a cerca de 83 cm, o nível mais baixo da série da ANA, que começa em 1968.ANAabrir a fontever na lista
Rio baixo trava a barcaça por causa do calado: com pouca água, ela precisa viajar mais leve.

Para onde foi a soja? Segundo a Conab, os portos do Norte passaram a operar com baixa capacidade, e a carga de Mato Grosso foi desviada, principalmente para SantosFonte 35 · 2024Segundo a Conab, em setembro de 2024 os portos do Arco Norte operaram com baixa capacidade por causa das restrições nos rios, e a maior parte da carga de exportação de Mato Grosso foi desviada para outros portos, com destaque para Santos.Conababrir a fontever na lista. Quando o rio enche, a soja sobe o mapa de novo: em 2025, a hidrovia do Tapajós bateu recorde de cargaFonte 36 · 2025No ano seguinte à seca, em 2025, a hidrovia do Tapajós bateu recorde de carga.Agência iNFRAabrir a fontever na lista.
Tem também a floresta. Pelas nossas contas com dados do INPE, a derrubada desde 2008 numa faixa de 50 km de cada lado da Cuiabá-Santarém, entre Sinop e Miritituba, soma cerca de metade de SergipeFonte 37 · 2025Entre 2008 e 2025, o INPE mapeou cerca de 11 mil km² de floresta derrubada numa faixa de 50 km de cada lado da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).INPE (Prodes)abrir a fontever na listaFonte 38 · 2025A floresta derrubada nessa faixa da BR-163 desde 2008 equivale a cerca de metade da área do estado de Sergipe.INPE / IBGEabrir a fontever na lista; desde o pico, em 2021, o ritmo caiu cerca de três quartos até 2025Fonte 39 · 2025O desmatamento nessa faixa da BR-163 teve pico em 2021, com cerca de 1.300 km², e caiu cerca de três quartos até 2025, para cerca de 300 km², já com a estrada toda asfaltada.INPE (Prodes)abrir a fontever na lista. Por que caiu, o dado não diz.
Para a rota, há dois projetos. Em terra, a Ferrogrão, ferrovia planejada de Sinop até Miritituba: em março de 2026, o Tribunal de Contas da União segurou a concessão até uma nova audiência pública e a licença ambiental préviaFonte 40 · 2026Em março de 2026, o TCU manteve parado o processo de concessão da Ferrogrão: pediu nova audiência pública, porque o projeto mudou, e a licença prévia antes do leilão, por ser uma obra de sensibilidade ambiental 'não ordinária', inteira na Amazônia Legal.TCUabrir a fontever na lista; em maio, o Supremo validou a lei que tirou uma faixa de parque nacional para o traçadoFonte 41 · 2026Em maio de 2026, o STF validou a lei que tirou uma faixa do Parque Nacional do Jamanxim para a Ferrogrão; a obra ainda depende de licença ambiental.STFabrir a fontever na lista. No rio, empresas de infraestrutura pediram que a dragagem do Tapajós, que tira areia dos trechos rasos, começasse antes da secaFonte 42 · 2026Em 30 de julho de 2026, o MoveInfra, grupo de seis grandes empresas de infraestrutura entre as quais a Hidrovias do Brasil, publicou nota defendendo que a dragagem de manutenção do Tapajós começasse imediatamente, para terminar antes do agravamento da seca, e alertou que os comboios operariam com restrição de carga a partir de agosto e correriam risco de parar em meados de setembro.MoveInfraabrir a fontever na lista; o mesmo tribunal exigiu antes a licença ambiental e a consulta aos povos do rioFonte 43 · 2026Em julho de 2026, o TCU decidiu que a dragagem do Tapajós entre Santarém e Itaituba só volta à licitação depois da licença prévia e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.TCUabrir a fontever na lista.
No Tapajós também vivem povos indígenas, como os Munduruku.

Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós no programa federal que prepara concessões a empresas privadas; o governo disse que era só para estudosFonte 44 · 2026Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Programa Nacional de Desestatização, e o governo federal disse que era só para estudos; depois de mais de 30 dias de protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós, que chegaram a ocupar o terminal da Cargill em Santarém, o decreto foi revogado em fevereiro de 2026.Agência iNFRAabrir a fontever na lista. Para o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, o decreto “transforma o rio em estrada de soja”Fonte 45 · 2025Para o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, o decreto das hidrovias 'transforma o rio em estrada de soja' e abria caminho para dragagens, a retirada de pedrais sagrados do leito e mais portos privados.Poder360abrir a fontever na lista. Depois de mais de um mês de protestos de povos do Baixo Tapajós, que ocuparam um terminal de grãos em Santarém, o governo federal revogou o decreto em fevereiro de 2026Fonte 44 · 2026Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Programa Nacional de Desestatização, e o governo federal disse que era só para estudos; depois de mais de 30 dias de protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós, que chegaram a ocupar o terminal da Cargill em Santarém, o decreto foi revogado em fevereiro de 2026.Agência iNFRAabrir a fontever na lista.
Veredito
O atalho é um rio
O Norte sempre foi o caminho mais curto, e só faltavam a lei, o porto e o asfalto, que chegaram nessa ordem. Só que o atalho é um rio: cobra a barcaça, seca e tem gente morando nele.
Por isso Santos continua lá, pronto para quando o rio secar. Na nossa leitura, o que segura a rota já não é a lei nem o asfalto: é o rio. E as duas saídas, a ferrovia e a dragagem, ainda dependiam de licença em 2026Fonte 40 · 2026Em março de 2026, o TCU manteve parado o processo de concessão da Ferrogrão: pediu nova audiência pública, porque o projeto mudou, e a licença prévia antes do leilão, por ser uma obra de sensibilidade ambiental 'não ordinária', inteira na Amazônia Legal.TCUabrir a fontever na listaFonte 43 · 2026Em julho de 2026, o TCU decidiu que a dragagem do Tapajós entre Santarém e Itaituba só volta à licitação depois da licença prévia e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.TCUabrir a fontever na lista. Fica uma escolha para o país: de um lado, uma rota mais barata para a soja; do outro, quanto de rio e de floresta ele aceita mexer.
O atalho é um rio. Santos não perdeu carga: perdeu a exclusividade.







