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Por que a soja está trocando Santos pela Amazônia?

O mapa sempre esteve do lado do Norte e só faltavam a lei, o porto e o asfalto, que chegaram nessa ordem; mas o atalho é um rio, que cobra a barcaça, seca e tem gente morando nele, e por isso Santos não perdeu carga, perdeu a exclusividade.

leitura de 7 minvídeo de 9 min

Rio Tapajós (PA)

Abertura

Uma fila de carretas de soja vai chegando à beira de um rio, no meio da Amazônia. Na vila de Miritituba, no Tapajós, cada carreta vira a carga no terminal, e uma esteira leva a soja para dentro de uma barcaça.

Ilustração de um terminal de grãos na margem de um rio largo da Amazônia, no fim da tarde: uma fila de carretas desce uma rampa de terra, a primeira despeja a soja num tombador e uma esteira coberta leva o grão até uma barcaça; à esquerda, casinhas de madeira de uma vila na encosta.
Na beira do Tapajós, a soja troca a estrada pelo rio.

Essa soja saiu de Mato Grosso e podia estar descendo para o porto de Santos, do outro lado do mapa. Mas, em 2025, 42% da soja que Mato Grosso exportou desceu pelos portos dos rios da Amazônia⁠Fonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na lista; em 2010, eram 19%⁠Fonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na lista. Por que a soja está trocando Santos pela Amazônia?

Dois caminhos para o mar

De Sorriso (MT), pela Cuiabá-Santarém até Miritituba e de barcaça até Barcarena, ou pela estrada até Santos; hachurados, Mato Grosso e Pará.

EquadorTrópico de CapricórnioMato Grosso e ParáSorriso (MT)Miritituba (PA)Vila do Conde, Barcarena (PA)Santos (SP)Cuiabá-Santarémde barcaçaaté Santossoja sai pelo Nortesoja sai por SantosEquadorTrópico de CapricórnioMato Grosso e ParáSorriso (MT)Miritituba (PA)Barcarena (PA)Santos (SP)

Mato Grosso: em 2025, 42% da soja exportada desceu pelos portos dos rios da Amazônia; em 2010, 19%⁠Fonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na lista⁠Fonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na lista. Traçados aproximados, pelas cidades do caminho; mapa feito em código a partir dos estados do IBGE.

Sorriso (MT)

A régua

A resposta parece óbvia: pegue a régua. De Sorriso, no coração da soja de Mato Grosso, a estrada até Miritituba tem 885 km a menos que a estrada até Santos⁠Fonte 3 · 2026De Sorriso, a estrada até o rio, em Miritituba, tem 885 km a menos que a estrada até o porto de Santos.Conababrir a fontever na lista: é 45% mais curta⁠Fonte 4 · 2026Pelo Norte, a estrada até o rio é 45% mais curta do que até Santos: são 885 km a menos de caminhão.Conababrir a fontever na lista.

Dois caminhos de estrada

De Sorriso (MT), em quilômetros de caminhão

  • Até o porto de Santos (SP)1.961 km
  • Até Miritituba (PA)depois, ainda tem o rio1.076 km

Distâncias da Conab. Fontes:⁠Fonte 5 · 2026De caminhão, Sorriso (MT) fica a 1.961 km do porto de Santos.Conababrir a fontever na lista⁠Fonte 6 · 2026De Sorriso a Miritituba (PA), na beira do Tapajós, são 1.076 km de estrada.Conababrir a fontever na lista

Mas, se fosse só isso, por que a soja não subia o mapa antes? O mapa não mudou. E tem um detalhe: esse atalho, às vezes, fecha.

Tapajós e Barcarena (PA)

A conta

Ilustração de uma carreta graneleira carregada, vista por trás, parada antes de um trevo numa cidade agrícola de Mato Grosso: uma placa em branco tem só duas setas, a da esquerda em azul e a da direita em terracota; em volta, silos e lavouras planas.
No trevo de Sorriso, a mesma estrada leva para os dois lados: subindo, ao rio; descendo, a Santos.

Imagine um trevo na saída de Sorriso, com a carreta cheia de soja e uma placa apontando para os dois lados: Santos ou Miritituba? Para quem é caminhoneiro, a resposta começa no frete. Em agosto de 2026, o caminhão cobrava R$ 490 por tonelada até Santos⁠Fonte 7 · 2026Em agosto de 2026, levar uma tonelada de grão de caminhão de Sorriso até Santos custava R$ 490 (valor nominal).Conababrir a fontever na lista e R$ 280 até Miritituba⁠Fonte 8 · 2026No mesmo mês, o caminhão de Sorriso até Miritituba (PA) cobrava R$ 280 por tonelada, 43% menos do que até Santos (valor nominal; só a estrada, sem barcaça nem porto).Conababrir a fontever na lista.

Mais perto e mais barato, então? Ainda não. Na beira do Tapajós, a soja continua no meio da Amazônia e desce o rio de barcaça (aqui, descer o rio é subir o mapa, porque o Tapajós corre para o norte) até um porto onde cabe navio, como Santarém ou Vila do Conde, em Barcarena⁠Fonte 9 · 2023De Miritituba, as barcaças levam o grão até portos de navio em Santarém, em Vila do Conde (Barcarena, PA) e em Santana (AP).CNTabrir a fontever na lista.

A barcaça cobra a parte dela. Pelas estimativas da Esalq-Log, da USP, ela come 53% do que o caminhão economizou⁠Fonte 10 · 2026A barcaça de Miritituba até Barcarena devolve mais da metade do que o caminhão economiza ao subir o mapa: ela custa 53% da diferença de frete rodoviário entre as duas rotas.USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista: é como pegar um atalho e achar um pedágio no fim dele. Somando o navio até a China, quem mais compra a nossa soja⁠Fonte 11 · 2025A China comprou 78,9% da soja que o Brasil exportou em 2025: 85,4 milhões de toneladas.Conababrir a fontever na lista, a rota pelo Norte sai só 12% mais barata que o caminhão até Santos⁠Fonte 12 · 2026Contando o navio até a China, a vantagem da rota pelo Norte encolhe para 12%: US$ 129 contra US$ 146 por tonelada de Sorriso até Xangai (1º semestre de 2026).USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista. Mais barata, só que por pouco.

A vantagem do Norte encolhe

Quanto a rota Sorriso–Miritituba–Barcarena sai mais barata que o caminhão até Santos, primeiro semestre de 2026

  • Até o portocaminhão e barcaça21,3%
  • Até Xangaicom o navio11,6%

Estimativa da Esalq-Log publicada pelo USDA. Fontes:⁠Fonte 13 · 2026Somando caminhão e barcaça, a rota pelo Norte (Sorriso-Miritituba-Barcarena) chegou ao porto só 21% mais barata do que o caminhão até Santos no 1º semestre de 2026.USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista⁠Fonte 12 · 2026Contando o navio até a China, a vantagem da rota pelo Norte encolhe para 12%: US$ 129 contra US$ 146 por tonelada de Sorriso até Xangai (1º semestre de 2026).USDA / ESALQ-LOGabrir a fontever na lista

E a conta ainda não tem a volta. Se a carreta que subiu cheia volta vazia, quem paga a volta é o frete da ida, explicam os pesquisadores da Esalq-Log⁠Fonte 14 · 2010Quando falta carga para a volta, o caminhão volta vazio e o frete da ida fica mais caro para pagar o retorno, explicam pesquisadores do ESALQ-LOG, da USP.ESALQ-LOG (USP)abrir a fontever na lista. Para a Conab, a companhia de abastecimento do governo federal, o que puxa a soja para o Norte é a estrada mais curta somada à carga de adubo importado na volta⁠Fonte 15 · 2025Para a Conab, o frete mais barato pela proximidade e o frete de retorno com o adubo importado têm levado os operadores a preferir as rotas para o Norte, mas esse fluxo pode parar nas secas dos rios da Amazônia.Conababrir a fontever na lista.

No rio, a volta é leve: numa das empresas de barcaça, em 2024, desceram cerca de 12 toneladas de grão para cada tonelada de adubo que subiu⁠Fonte 16 · 2024Em 2024, no corredor Norte da Hidrovias do Brasil, passaram cerca de 12 toneladas de grão para cada tonelada de adubo levada no sentido contrário.Hidrovias do Brasilabrir a fontever na lista. O adubo pode pagar a volta de uma parte das viagens, não de todas.

Ilustração vista do alto de um rio largo da Amazônia: à esquerda, um empurrador leva rio abaixo um comboio enorme de barcaças cheias de soja; à direita, subindo, um barco pequeno empurra uma única barcaça quase vazia, com poucos sacos brancos de adubo de alças terracota.
Muito grão desce, pouco adubo sobe: a volta paga só uma parte das viagens.

Miritituba (PA)

A vila que virou porto

Em Miritituba, o porto chegou antes do asfalto. Nos anos 1970, com a Transamazônica, a vila na margem do Tapajós, de frente para Itaituba, virou uma agrovila do INCRA, montada pelo governo para colonos: casas iguais, arroz e feijão na roça⁠Fonte 17 · 1972Nos anos 1970, com a Transamazônica, Miritituba virou uma agrovila do INCRA: casas padronizadas para colonos que plantavam arroz e feijão e vendiam a colheita num armazém do governo na própria vila.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista. No Censo de 2010, o IBGE ainda a chamava de povoado⁠Fonte 18 · 2022No Censo de 2010, o IBGE classificava Miritituba como povoado, um aglomerado rural; no Censo de 2022 ela aparece como núcleo urbano, ainda pequena, e o IBGE avisa que parte dessas reclassificações vem da mudança de método.IBGE (Censo 2022)abrir a fontever na lista.

Ilustração da margem de um rio largo da Amazônia vista de um barco: à esquerda, uma fila de casinhas de madeira iguais sobre palafitas, pintadas de cores desbotadas, com canoas na praia, um trapiche e uma capela; à direita, roças de arroz e feijão subindo a encosta ao lado de um armazém de madeira.
Antes: casinhas iguais na margem e a roça subindo a encosta.

Primeiro mudou a lei. Até 2013, um terminal privado só era autorizado se o dono tivesse carga própria para encher⁠Fonte 19 · 2013Até 2013, um terminal privado só era autorizado se a carga do próprio dono justificasse a obra, e carga de terceiros só entrava de forma eventual. A Lei dos Portos, de 5 de junho de 2013, passou a autorizar terminais privados fora dos portos públicos sem exigir carga própria; em Miritituba, Hidrovias do Brasil, Cianport e Bertolini transbordam grão de outras empresas.Lei 12.815/2013abrir a fontever na lista, como se só pudesse abrir posto de gasolina quem tivesse frota de caminhões. A Lei dos Portos liberou terminal que trabalha para qualquer um⁠Fonte 20 · 2019Em Miritituba, primeiro mudou a lei: a Lei dos Portos de 2013 passou a autorizar terminal privado sem carga própria; no ano seguinte abriu a primeira estação de transbordo; o asfalto da BR-163 só chegou aos portos em novembro de 2019.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista.

Depois vieram os terminais: o primeiro abriu em 2014⁠Fonte 21 · 2014A primeira estação de transbordo de grãos de Miritituba, da Bunge (depois dividida com a Amaggi na Unitapajós), começou a operar em 2014, mandando barcaças até Vila do Conde, em Barcarena.Geosul (UFSC)abrir a fontever na lista, e até junho de 2023 foram autorizadas, só ali, 12 instalações portuárias privadas⁠Fonte 22 · 2023Entre 2014 e junho de 2023, foram autorizadas 12 instalações portuárias privadas só no distrito de Miritituba (oito estações de transbordo e quatro terminais de uso privado), 43% de todas as autorizadas no Pará no período.Inesc / ANTAQabrir a fontever na lista. Por último, o asfalto: a Cuiabá-Santarém só chegou asfaltada aos portos em novembro de 2019⁠Fonte 23 · 2019Em novembro de 2019, o DNIT e o Exército concluíram os últimos 51 km de asfalto da BR-163 no Pará, e a rodovia ficou pavimentada de Sinop (MT) até os portos de Miritituba (PA), rota da safra de grãos de Mato Grosso.Ministério dos Transportesabrir a fontever na lista. A lei abriu a porta, e o asfalto trouxe as carretas. No rio, um comboio de barcaças leva de uma vez o que cerca de mil carretas levam⁠Fonte 24 · 2014Um comboio de barcaças leva de uma vez o que cerca de mil carretas levam: na rota aberta em 2014, eram 20 barcaças com 40 mil toneladas, o equivalente a mil caminhões.Boletim Goiano de Geografiaabrir a fontever na lista.

A vila ganhou bairros novos de quem chegou atrás de trabalho, mas também poeira nas ruas de terra, barulho de carreta e margem fechada pelos terminais, onde a pesca ficou restrita, segundo estudos de campo de um geógrafo da Universidade Federal do Oeste do Pará⁠Fonte 25 · 2019Segundo os estudos de campo de um geógrafo da Universidade Federal do Oeste do Pará, os terminais trouxeram a Miritituba bairros novos, como Nova Miritituba e Jardim do Éden, de migrantes atrás de moradia e de trabalho nas estações, e também poeira das carretas nas ruas principais sem asfalto, barulho do vaivém de caminhões, acesso à margem do rio fechado pelos portos e pesca restrita perto deles.Geosul; Bol. Goiano de Geogr.abrir a fontever na lista. Uma professora de lá resumiu ao Brasil de Fato, em 2024: “aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial”⁠Fonte 26 · 2024"De repente, uma vila de moradores, porque aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial", disse a professora Ivaneide Lima, moradora de Miritituba, ao Brasil de Fato em 2024.Brasil de Fatoabrir a fontever na lista.

Ilustração da mesma margem de rio vista do mesmo ponto: as casinhas de madeira, a capela, o trapiche e a castanheira continuam lá, mas onde era roça agora há silos gigantes, uma torre de concreto e uma esteira que despeja soja numa barcaça; no morro, casas novas de tijolo.
Depois: as mesmas casinhas, agora ao pé dos silos.

E Santos, do outro lado do mapa? A fatia dele na soja de Mato Grosso caiu de 59% em 2010 para 46% em 2025⁠Fonte 27 · 2010Em 2010, 59% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista⁠Fonte 28 · 2025Em 2025, 46% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista. Mas a soja que Mato Grosso exporta quase quadruplicou⁠Fonte 29 · 2025A soja que Mato Grosso exporta quase quadruplicou de 2010 a 2025: de 8,7 para 32,1 milhões de toneladas.Comex Statabrir a fontever na lista, e a que sai por Santos chegou a 14,8 milhões de toneladas em 2025, quase o triplo de 2010⁠Fonte 30 · 2025Santos não perdeu a soja de Mato Grosso: embarcou 14,8 milhões de toneladas dela em 2025, quase o triplo de 2010 (5,1 milhões), mesmo com a fatia caindo de 59% para 46%.Comex Statabrir a fontever na lista. Santos não perdeu carga. Perdeu a exclusividade.

Por onde sai a soja de Mato Grosso

Fatia da soja exportada por Mato Grosso, por saída

2010202519%42%Portos dos rios da Amazônia59%46%Porto de Santos

Dados do Comex Stat. Fontes:⁠Fonte 2 · 2010Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).Comex Statabrir a fontever na lista⁠Fonte 1 · 2025Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.Comex Statabrir a fontever na lista⁠Fonte 27 · 2010Em 2010, 59% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista⁠Fonte 28 · 2025Em 2025, 46% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.Comex Statabrir a fontever na lista

Itaituba (PA)

O limite

A estrada nova da soja é um rio. E rio seca.

No rio, a régua é uma escala pintada na margem. A de Itaituba, de frente para os terminais, marcou cerca de 83 cm no fim de setembro de 2024, quase meio metro abaixo do menor nível anotado ali desde 1968⁠Fonte 31 · 2024No fim de setembro de 2024, a régua do rio Tapajós em Itaituba, de frente para Miritituba, desceu a cerca de 83 cm, o nível mais baixo da série da ANA, que começa em 1968.ANAabrir a fontever na lista⁠Fonte 32 · 2024Em 2024, o Tapajós em Itaituba desceu quase meio metro abaixo do menor nível já registrado até então.ANAabrir a fontever na lista. A ANA, a agência federal de águas, declarou situação crítica no baixo Tapajós⁠Fonte 33 · 2024Em setembro de 2024, a ANA declarou situação crítica de escassez de água no baixo Tapajós, entre Itaituba e Santarém: a chuva na bacia estava em 74% da média e a régua de Itaituba já estava abaixo do menor valor visto naquela data do ano.ANAabrir a fontever na lista.

A régua de Itaituba

Menor nível do Tapajós na régua da ANA, em centímetros

  • Recorde anterioroutubro de 2010132 cm
  • Seca de 2024fim de setembro83 cm

A régua mostra o nível da água, não a profundidade do rio. Fontes:⁠Fonte 34 · 2010Antes de 2024, o nível mais baixo já anotado na régua do Tapajós em Itaituba tinha sido 132 cm, em outubro de 2010.ANAabrir a fontever na lista⁠Fonte 31 · 2024No fim de setembro de 2024, a régua do rio Tapajós em Itaituba, de frente para Miritituba, desceu a cerca de 83 cm, o nível mais baixo da série da ANA, que começa em 1968.ANAabrir a fontever na lista

Rio baixo trava a barcaça por causa do calado: com pouca água, ela precisa viajar mais leve.

Ilustração de um rio largo da Amazônia na seca: bancos de areia enormes saem do leito, a água vira canais estreitos, e um comboio de barcaças cheias de soja está parado e inclinado contra a areia; no barranco alto, a marca escura de onde a água chegava.
Na seca, o atalho fecha: a barcaça cheia encalha na areia.

Para onde foi a soja? Segundo a Conab, os portos do Norte passaram a operar com baixa capacidade, e a carga de Mato Grosso foi desviada, principalmente para Santos⁠Fonte 35 · 2024Segundo a Conab, em setembro de 2024 os portos do Arco Norte operaram com baixa capacidade por causa das restrições nos rios, e a maior parte da carga de exportação de Mato Grosso foi desviada para outros portos, com destaque para Santos.Conababrir a fontever na lista. Quando o rio enche, a soja sobe o mapa de novo: em 2025, a hidrovia do Tapajós bateu recorde de carga⁠Fonte 36 · 2025No ano seguinte à seca, em 2025, a hidrovia do Tapajós bateu recorde de carga.Agência iNFRAabrir a fontever na lista.

Tem também a floresta. Pelas nossas contas com dados do INPE, a derrubada desde 2008 numa faixa de 50 km de cada lado da Cuiabá-Santarém, entre Sinop e Miritituba, soma cerca de metade de Sergipe⁠Fonte 37 · 2025Entre 2008 e 2025, o INPE mapeou cerca de 11 mil km² de floresta derrubada numa faixa de 50 km de cada lado da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).INPE (Prodes)abrir a fontever na lista⁠Fonte 38 · 2025A floresta derrubada nessa faixa da BR-163 desde 2008 equivale a cerca de metade da área do estado de Sergipe.INPE / IBGEabrir a fontever na lista; desde o pico, em 2021, o ritmo caiu cerca de três quartos até 2025⁠Fonte 39 · 2025O desmatamento nessa faixa da BR-163 teve pico em 2021, com cerca de 1.300 km², e caiu cerca de três quartos até 2025, para cerca de 300 km², já com a estrada toda asfaltada.INPE (Prodes)abrir a fontever na lista. Por que caiu, o dado não diz.

Para a rota, há dois projetos. Em terra, a Ferrogrão, ferrovia planejada de Sinop até Miritituba: em março de 2026, o Tribunal de Contas da União segurou a concessão até uma nova audiência pública e a licença ambiental prévia⁠Fonte 40 · 2026Em março de 2026, o TCU manteve parado o processo de concessão da Ferrogrão: pediu nova audiência pública, porque o projeto mudou, e a licença prévia antes do leilão, por ser uma obra de sensibilidade ambiental 'não ordinária', inteira na Amazônia Legal.TCUabrir a fontever na lista; em maio, o Supremo validou a lei que tirou uma faixa de parque nacional para o traçado⁠Fonte 41 · 2026Em maio de 2026, o STF validou a lei que tirou uma faixa do Parque Nacional do Jamanxim para a Ferrogrão; a obra ainda depende de licença ambiental.STFabrir a fontever na lista. No rio, empresas de infraestrutura pediram que a dragagem do Tapajós, que tira areia dos trechos rasos, começasse antes da seca⁠Fonte 42 · 2026Em 30 de julho de 2026, o MoveInfra, grupo de seis grandes empresas de infraestrutura entre as quais a Hidrovias do Brasil, publicou nota defendendo que a dragagem de manutenção do Tapajós começasse imediatamente, para terminar antes do agravamento da seca, e alertou que os comboios operariam com restrição de carga a partir de agosto e correriam risco de parar em meados de setembro.MoveInfraabrir a fontever na lista; o mesmo tribunal exigiu antes a licença ambiental e a consulta aos povos do rio⁠Fonte 43 · 2026Em julho de 2026, o TCU decidiu que a dragagem do Tapajós entre Santarém e Itaituba só volta à licitação depois da licença prévia e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.TCUabrir a fontever na lista.

No Tapajós também vivem povos indígenas, como os Munduruku.

Ilustração de um rio largo e claro da Amazônia de manhã cedo, visto de pedras escuras na beira: uma canoa de madeira vazia amarrada a uma pedra, com o remo atravessado e uma rede de pesca secando ao lado; praias brancas e floresta alta na outra margem.
O Tapajós antes de virar estrada: o rio de quem mora nele.

Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós no programa federal que prepara concessões a empresas privadas; o governo disse que era só para estudos⁠Fonte 44 · 2026Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Programa Nacional de Desestatização, e o governo federal disse que era só para estudos; depois de mais de 30 dias de protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós, que chegaram a ocupar o terminal da Cargill em Santarém, o decreto foi revogado em fevereiro de 2026.Agência iNFRAabrir a fontever na lista. Para o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, o decreto “transforma o rio em estrada de soja”⁠Fonte 45 · 2025Para o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, o decreto das hidrovias 'transforma o rio em estrada de soja' e abria caminho para dragagens, a retirada de pedrais sagrados do leito e mais portos privados.Poder360abrir a fontever na lista. Depois de mais de um mês de protestos de povos do Baixo Tapajós, que ocuparam um terminal de grãos em Santarém, o governo federal revogou o decreto em fevereiro de 2026⁠Fonte 44 · 2026Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Programa Nacional de Desestatização, e o governo federal disse que era só para estudos; depois de mais de 30 dias de protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós, que chegaram a ocupar o terminal da Cargill em Santarém, o decreto foi revogado em fevereiro de 2026.Agência iNFRAabrir a fontever na lista.

Veredito

O atalho é um rio

O Norte sempre foi o caminho mais curto, e só faltavam a lei, o porto e o asfalto, que chegaram nessa ordem. Só que o atalho é um rio: cobra a barcaça, seca e tem gente morando nele.

Por isso Santos continua lá, pronto para quando o rio secar. Na nossa leitura, o que segura a rota já não é a lei nem o asfalto: é o rio. E as duas saídas, a ferrovia e a dragagem, ainda dependiam de licença em 2026⁠Fonte 40 · 2026Em março de 2026, o TCU manteve parado o processo de concessão da Ferrogrão: pediu nova audiência pública, porque o projeto mudou, e a licença prévia antes do leilão, por ser uma obra de sensibilidade ambiental 'não ordinária', inteira na Amazônia Legal.TCUabrir a fontever na lista⁠Fonte 43 · 2026Em julho de 2026, o TCU decidiu que a dragagem do Tapajós entre Santarém e Itaituba só volta à licitação depois da licença prévia e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.TCUabrir a fontever na lista. Fica uma escolha para o país: de um lado, uma rota mais barata para a soja; do outro, quanto de rio e de floresta ele aceita mexer.

O atalho é um rio. Santos não perdeu carga: perdeu a exclusividade.

Shorts deste vídeo

  • Metade da estrada não é metade do preço

    Short e Reel

  • Por que a soja troca a carreta pelo barco?

    Short e Reel

  • Essa vila da Amazônia virou porto de soja

    Short e Reel

  • Quando o rio seca, para onde vai a soja?

    Short e Reel

  • Quem paga a volta da carreta?

    Short e Reel

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Fontes

Cada número do texto tem uma nota azul. Toque nela para ver de onde veio.

Lista completa, com links
  1. Da soja de Mato Grosso exportada em 2025, 42% desceu pelos portos dos rios da Amazônia (Barcarena, Itacoatiara, Santarém e Santana); em 2010 eram 19%.

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), filtro UF do produto = Mato Grosso, por URF, peso líquido; cálculo próprio. 2025: Belém (Barcarena) 7,01 + Porto de Manaus (Itacoatiara) 3,43 + Santarém 2,48 + Santana 0,46 = 13,38 de 32,06 milhões de t (41,7%). 2010: Manaus 1,15 + Santarém 0,50 = 1,66 de 8,67 milhões de t (19,1%). Mesma API, com o filtro {"filter":"state","values":["52"]}

  2. Em 2010, só 19% da soja que Mato Grosso exportou desceram pelos portos dos rios da Amazônia (Itacoatiara e Santarém).

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), filtro UF do produto = Mato Grosso, por URF, peso líquido; cálculo próprio. 2025: Belém (Barcarena) 7,01 + Porto de Manaus (Itacoatiara) 3,43 + Santarém 2,48 + Santana 0,46 = 13,38 de 32,06 milhões de t (41,7%). 2010: Manaus 1,15 + Santarém 0,50 = 1,66 de 8,67 milhões de t (19,1%). Mesma API, com o filtro {"filter":"state","values":["52"]}

  3. De Sorriso, a estrada até o rio, em Miritituba, tem 885 km a menos que a estrada até o porto de Santos.

    Conab: Cálculo a partir de conta_dist_sorriso_santos_km e conta_dist_sorriso_miritituba_km (Conab, Boletim Logístico set/2026, Tabela 5): 1.961 - 1.076 = 885 km

  4. Pelo Norte, a estrada até o rio é 45% mais curta do que até Santos: são 885 km a menos de caminhão.

    Conab: Cálculo a partir de conta_dist_sorriso_santos_km e conta_dist_sorriso_miritituba_km (Conab, Boletim Logístico set/2026, Tabela 5): (1.961 - 1.076) / 1.961 = 45,1%; a estrada até Miritituba tem 54,9% da estrada até Santos

  5. De caminhão, Sorriso (MT) fica a 1.961 km do porto de Santos.

    Conab: Conab, Boletim Logístico set/2026 (ano IX), Tabela 5 'Preços de fretes praticados em Mato Grosso', distância da rota Sorriso (MT) - Santos (SP)

  6. De Sorriso a Miritituba (PA), na beira do Tapajós, são 1.076 km de estrada.

    Conab: Conab, Boletim Logístico set/2026 (ano IX), Tabela 5, distância da rota Sorriso (MT) - Miritituba (PA) (no arquivo de fretes da Conab a rota aparece como Sorriso - Itaituba, município de Miritituba)

  7. Em agosto de 2026, levar uma tonelada de grão de caminhão de Sorriso até Santos custava R$ 490 (valor nominal).

    Conab: Conab, Boletim Logístico set/2026 (ano IX), Tabela 5 'Preços de fretes praticados em Mato Grosso', rota Sorriso (MT) - Santos (SP), 1.961 km, ago/2026 (R$ 500 em jul/2026, R$ 460 em ago/2025); pesquisa da Conab-MT, indicativo de mercado. É a edição mais recente publicada em 20/10/2026

  8. No mesmo mês, o caminhão de Sorriso até Miritituba (PA) cobrava R$ 280 por tonelada, 43% menos do que até Santos (valor nominal; só a estrada, sem barcaça nem porto).

    Conab: Conab, Boletim Logístico set/2026 (ano IX), Tabela 5, rota Sorriso (MT) - Miritituba (PA), 1.076 km, ago/2026 (R$ 290 em jul/2026, R$ 320 em ago/2025); diferença: (490 - 280) / 490 = 42,9%

  9. De Miritituba, as barcaças levam o grão até portos de navio em Santarém, em Vila do Conde (Barcarena, PA) e em Santana (AP).

    CNT: CNT Transporte Atual, mar/2023, pp. 45-47; BARROS, Geosul (UFSC), v. 34, n. 71, 2019, pp. 394-399

  10. A barcaça de Miritituba até Barcarena devolve mais da metade do que o caminhão economiza ao subir o mapa: ela custa 53% da diferença de frete rodoviário entre as duas rotas.

    USDA / ESALQ-LOG: Cálculo a partir de USDA/AMS, Brazil Soybean Transportation, Mid-Year 2026 (publicado em set/2026), dados de ESALQ-LOG/USP e Comex Stat; médias de jan-jun/2026 em US$ por tonelada (convertidas pela taxa média mensal do Banco Central), Tabelas 1a e 1b: caminhão Sorriso-Santos US$ 97,22/t; caminhão Sorriso-Itaituba (Miritituba) US$ 52,99/t; barcaça Itaituba-Barcarena US$ 23,57/t; 23,57 / (97,22 - 52,99) = 53,3%. No Brasil não há tarifa de barcaça publicada: o valor é estimativa da ESALQ-LOG

  11. A China comprou 78,9% da soja que o Brasil exportou em 2025: 85,4 milhões de toneladas.

    Conab: Conab, Anuário Agrologístico 2026 (v. 3, mai/2026), Sumário Executivo: 'A China continua sendo o principal destino da soja brasileira, com um volume de compra que chegou a 85,4 milhões de toneladas, representando 78,9% do total da soja exportada' (base Comex Stat)

  12. Contando o navio até a China, a vantagem da rota pelo Norte encolhe para 12%: US$ 129 contra US$ 146 por tonelada de Sorriso até Xangai (1º semestre de 2026).

    USDA / ESALQ-LOG: Cálculo a partir de USDA/AMS, Brazil Soybean Transportation, Mid-Year 2026 (publicado em set/2026), dados de ESALQ-LOG/USP e Comex Stat; médias de jan-jun/2026 em US$ por tonelada (convertidas pela taxa média mensal do Banco Central), Tabelas 1a e 1b, transporte total até Xangai: North MT-Santos by truck US$ 146,22/t (caminhão 97,22 + navio 49,00); North MT-Barcarena US$ 129,31/t (caminhão 52,99 + barcaça 23,57 + navio 52,75); (146,22 - 129,31) / 146,22 = 11,6%

  13. Somando caminhão e barcaça, a rota pelo Norte (Sorriso-Miritituba-Barcarena) chegou ao porto só 21% mais barata do que o caminhão até Santos no 1º semestre de 2026.

    USDA / ESALQ-LOG: Cálculo a partir de USDA/AMS, Brazil Soybean Transportation, Mid-Year 2026 (publicado em set/2026), dados de ESALQ-LOG/USP e Comex Stat; médias de jan-jun/2026 em US$ por tonelada (convertidas pela taxa média mensal do Banco Central), Tabelas 1a e 1b: North MT-Santos by truck US$ 97,22/t; North MT-Barcarena: caminhão US$ 52,99 + barcaça US$ 23,57 = US$ 76,56/t; (97,22 - 76,56) / 97,22 = 21,3%. Sem tarifas portuárias nas duas rotas

  14. Quando falta carga para a volta, o caminhão volta vazio e o frete da ida fica mais caro para pagar o retorno, explicam pesquisadores do ESALQ-LOG, da USP.

    ESALQ-LOG (USP): Oliveira, C. de F.; Rosa, M. J.; Caixeta Filho, J. V. (ESALQ-LOG/USP), 'Estimativa da oferta de fertilizantes como carga de retorno no ambiente portuário brasileiro entre 2005 e 2009', Informações Econômicas (IEA-SP), v. 40, n. 9, set. 2010: 'Caso não haja disponibilidade de carga de retorno [...] as cotações do valor do frete de ida serão mais onerosas a fim de cobrir as despesas da volta do veículo vazio'

  15. Para a Conab, o frete mais barato pela proximidade e o frete de retorno com o adubo importado têm levado os operadores a preferir as rotas para o Norte, mas esse fluxo pode parar nas secas dos rios da Amazônia.

    Conab: Conab, Anuário Agrologístico 2026, volume 3 (maio de 2026), seção de exportação de soja e milho por porto: 'O apelo representado pela redução dos fretes [...] e o frete de retorno, quando se considera as importações de fertilizantes, tem induzido os operadores a preferirem as rotas em direção ao Norte [...] Esse fluxo pode sofrer impactos em períodos de estiagem na Região Amazônica, suspendendo as operações pelos rios, especialmente o Madeira, Tapajós e o Amazonas'

  16. Em 2024, no corredor Norte da Hidrovias do Brasil, passaram cerca de 12 toneladas de grão para cada tonelada de adubo levada no sentido contrário.

    Hidrovias do Brasil: Hidrovias do Brasil, Call de Resultados 4T24, Corredor Norte, volume por carga em 2024: grãos 4.881 mil t (Sistema Integrado) + 1.243 mil t (Rodoviário Direto) = 6.124 mil t; fertilizantes 503 mil t (+23% sobre 2023); cálculo do canal 6.124 / 503 = 12,2. Dado de uma operadora, não do corredor inteiro

  17. Nos anos 1970, com a Transamazônica, Miritituba virou uma agrovila do INCRA: casas padronizadas para colonos que plantavam arroz e feijão e vendiam a colheita num armazém do governo na própria vila.

    Geosul (UFSC): BARROS, Márcio Júnior Benassuly. 'De agrovila a nó logístico do agronegócio na Amazônia: o caso de Miritituba, Itaituba, Pará'. Geosul (UFSC), v. 34, n. 71, p. 382-406, abr. 2019, doi:10.5007/1982-5153.2019v34n71p382, pp. 385, 391-392 e 404-405 (agrovila do PIC Itaituba sob gestão do INCRA; DNER instalado em 1972; armazém da CIBRAZEM; lotes urbanos com casas padronizadas)

  18. No Censo de 2010, o IBGE classificava Miritituba como povoado, um aglomerado rural; no Censo de 2022 ela aparece como núcleo urbano, ainda pequena, e o IBGE avisa que parte dessas reclassificações vem da mudança de método.

    IBGE (Censo 2022): IBGE, Censo Demográfico 2010, Resultados do Universo, Agregados por setores censitários, arquivo Basico_PA.csv (V002 = moradores em domicílios particulares permanentes; Situacao_setor 5 = 'aglomerado rural isolado - povoado', 8 = zona rural); IBGE, Censo Demográfico 2022, Agregados por setores censitários, arquivo básico (Agregados_por_setores_basico_BR_20260520), variável V0001 (total de pessoas); IBGE, Localidades do Brasil (2025), pp. 28-29 e nota 25

  19. Até 2013, um terminal privado só era autorizado se a carga do próprio dono justificasse a obra, e carga de terceiros só entrava de forma eventual. A Lei dos Portos, de 5 de junho de 2013, passou a autorizar terminais privados fora dos portos públicos sem exigir carga própria; em Miritituba, Hidrovias do Brasil, Cianport e Bertolini transbordam grão de outras empresas.

    Lei 12.815/2013: Lei nº 12.815, de 5/6/2013, art. 2º, IV (terminal de uso privado) e V (estação de transbordo de cargas), art. 8º e art. 76 (revoga a Lei nº 8.630/1993), texto na Legislação Informatizada da Câmara dos Deputados; regime anterior: Decreto nº 6.620, de 29/10/2008, art. 2º, IX ('carga própria ... que justifique por si só, técnica e economicamente, a implantação e a operação da instalação portuária') e X (carga de terceiros 'eventual e subsidiária'), e Lei nº 8.630/1993, art. 4º, § 2º, II (uso privativo exclusivo, para carga própria, ou misto); terminais que atendem terceiros em Miritituba: CNA, 22/07/2022

  20. Em Miritituba, primeiro mudou a lei: a Lei dos Portos de 2013 passou a autorizar terminal privado sem carga própria; no ano seguinte abriu a primeira estação de transbordo; o asfalto da BR-163 só chegou aos portos em novembro de 2019.

    Geosul (UFSC): A partir de vila_lei_portos_2013 (Lei 12.815/2013), vila_primeira_etc_ano (Geosul/UFSC, 2019) e vila_br163_asfalto_concluido_ano (Ministério dos Transportes, 28/11/2019)

  21. A primeira estação de transbordo de grãos de Miritituba, da Bunge (depois dividida com a Amaggi na Unitapajós), começou a operar em 2014, mandando barcaças até Vila do Conde, em Barcarena.

    Geosul (UFSC): BARROS, Márcio Júnior Benassuly. 'De agrovila a nó logístico do agronegócio na Amazônia: o caso de Miritituba, Itaituba, Pará'. Geosul (UFSC), v. 34, n. 71, p. 382-406, abr. 2019, doi:10.5007/1982-5153.2019v34n71p382, pp. 394-395 e 399 (rota Miritituba-Barcarena aberta pela Bunge em 2014; contrato de adesão 13/2014 com a SEP assinado em 27/03/2014, o primeiro de Miritituba; primeiro transporte da Amaggi pelo corredor Tapajós em 2014; inauguração oficial da rota em 24/04/2015); confirmado por Inesc, Relatório Técnico 'A soja no corredor logístico norte', Brasília, abr. 2024, Tabela 2, p. 44 (Unitapajós, ETC Terfron Itaituba, início da operação em 2014, dados da ANTAQ)

  22. Entre 2014 e junho de 2023, foram autorizadas 12 instalações portuárias privadas só no distrito de Miritituba (oito estações de transbordo e quatro terminais de uso privado), 43% de todas as autorizadas no Pará no período.

    Inesc / ANTAQ: Inesc, Relatório Técnico 'A soja no corredor logístico norte', Brasília, abr. 2024, p. 40, com base no Painel de Monitoramento de Instalações Privadas da ANTAQ (2014 a jun/2023)

  23. Em novembro de 2019, o DNIT e o Exército concluíram os últimos 51 km de asfalto da BR-163 no Pará, e a rodovia ficou pavimentada de Sinop (MT) até os portos de Miritituba (PA), rota da safra de grãos de Mato Grosso.

    Ministério dos Transportes: Ministério dos Transportes / DNIT, 'Governo Federal conclui asfaltamento da BR-163/PA', 28/11/2019 (entrega oficial em 14/02/2020)

  24. Um comboio de barcaças leva de uma vez o que cerca de mil carretas levam: na rota aberta em 2014, eram 20 barcaças com 40 mil toneladas, o equivalente a mil caminhões.

    Boletim Goiano de Geografia: BARROS, Márcio Júnior Benassuly. 'Dinâmica dos portos graneleiros da soja na Amazônia brasileira: o caso de Santarém e Itaituba, Pará'. Boletim Goiano de Geografia (UFG), v. 44, e66834, 2024, doi:10.5216/bgg.v44i1.66834, p. 11 do PDF ('Cada comboio é formado por 20 barcaças que totalizam 40 mil toneladas e representam o transporte de 1.000 caminhões', citando Pereira, O Estado de S. Paulo, 2014). Conferência nossa: um comboio de até 25 barcaças da Unitapajós leva ~48 mil t (Inesc 2024, p. 44) e cada carreta da BR-163 leva ~47 t (CNA, 22/07/2022: 1.800 caminhões = 84,6 mil t por dia), ou ~1.020 carretas

  25. Segundo os estudos de campo de um geógrafo da Universidade Federal do Oeste do Pará, os terminais trouxeram a Miritituba bairros novos, como Nova Miritituba e Jardim do Éden, de migrantes atrás de moradia e de trabalho nas estações, e também poeira das carretas nas ruas principais sem asfalto, barulho do vaivém de caminhões, acesso à margem do rio fechado pelos portos e pesca restrita perto deles.

    Geosul; Bol. Goiano de Geogr.: BARROS, Márcio Júnior Benassuly (UFOPA). 'De agrovila a nó logístico do agronegócio na Amazônia: o caso de Miritituba, Itaituba, Pará'. Geosul (UFSC), v. 34, n. 71, p. 382-406, abr. 2019, doi:10.5007/1982-5153.2019v34n71p382, pp. 402-403 (trabalho de campo com entrevistas de moradores; p. 403: novos bairros Nova Miritituba e Jardim do Éden, 'onde novos migrantes buscam locais de moradias e oportunidades de trabalhos' nas estações de transbordo; poeira na zona urbana pelo tráfego de carretas nas principais ruas e nos acessos às estações, com queixas de problemas na visão; controle territorial do rio pelas empresas e limitação da pesca artesanal; p. 402: pressão sobre serviços públicos e vias urbanas). E BARROS, M. J. B. 'Dinâmica dos portos graneleiros da soja na Amazônia brasileira: o caso de Santarém e Itaituba, Pará'. Boletim Goiano de Geografia, v. 44, e66834, 2024, doi:10.5216/bgg.v44i1.66834 (https://revistas.ufg.br/bgg/article/download/66834/41216/396865), p. 14 do PDF (5 moradores de Miritituba entrevistados em 2019) e p. 16 do PDF (privatização do acesso à margem do Tapajós onde os portos edificaram; mais fluxo de caminhões; 'poluição sonora'; poeira porque 'as principais ruas da vila não são asfaltadas'; relatos de problemas de visão e de prostituição; restrição da pesca perto das instalações portuárias). O barulho só aparece no artigo de 2024; a ligação dos bairros novos com o emprego nos terminais só no de 2019.

  26. "De repente, uma vila de moradores, porque aqui era vila de Miritituba, vira distrito industrial", disse a professora Ivaneide Lima, moradora de Miritituba, ao Brasil de Fato em 2024.

    Brasil de Fato: Brasil de Fato, Carolina Bataier, 'De agrovila pacata a grande porto de grãos, Miritituba é engolida pela chegada da soja à Amazônia', 11/12/2024 (fala da professora Ivaneide Lima)

  27. Em 2010, 59% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), UF do produto = Mato Grosso, URF Porto de Santos, peso líquido: 14,78 milhões de t em 2025 (46,1% de 32,06) e 5,10 milhões de t em 2010 (58,8% de 8,67); cálculo próprio

  28. Em 2025, 46% da soja que Mato Grosso exportou saíram pelo porto de Santos.

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), UF do produto = Mato Grosso, URF Porto de Santos, peso líquido: 14,78 milhões de t em 2025 (46,1% de 32,06) e 5,10 milhões de t em 2010 (58,8% de 8,67); cálculo próprio

  29. A soja que Mato Grosso exporta quase quadruplicou de 2010 a 2025: de 8,7 para 32,1 milhões de toneladas.

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), UF do produto = Mato Grosso, peso líquido: 32,06 milhões de t em 2025 e 8,67 milhões de t em 2010; 32,06 / 8,67 = 3,7; cálculo próprio

  30. Santos não perdeu a soja de Mato Grosso: embarcou 14,8 milhões de toneladas dela em 2025, quase o triplo de 2010 (5,1 milhões), mesmo com a fatia caindo de 59% para 46%.

    Comex Stat: Comex Stat (MDIC/Secex), exportação, SH4 1201 (soja), UF do produto = Mato Grosso, URF Porto de Santos, peso líquido: 14,78 milhões de t em 2025 (46,1% de 32,06) e 5,10 milhões de t em 2010 (58,8% de 8,67); cálculo próprio

  31. No fim de setembro de 2024, a régua do rio Tapajós em Itaituba, de frente para Miritituba, desceu a cerca de 83 cm, o nível mais baixo da série da ANA, que começa em 1968.

    ANA: ANA, HidroWeb / Rede Hidrometeorológica Nacional, estação fluviométrica 17730000 Itaituba (rio Tapajós), cotas diárias da leitura convencional (dado bruto, nível de consistência 1 desde 2014): mínima de 2024 = 82,5 cm em 30/09/2024 (a telemetria da mesma estação registrou 81 cm em 29 e 30/09/2024); menor mínima anual anterior da série = 132 cm em 23/10/2010. A cota é a leitura da régua, não a profundidade do rio. Série com falhas (2023 sem leituras de 18/09 a 13/11); cálculo do canal sobre a série baixada do serviço da ANA

  32. Em 2024, o Tapajós em Itaituba desceu quase meio metro abaixo do menor nível já registrado até então.

    ANA: Cálculo do canal a partir de limite_tapajos_regua_recorde_anterior_2010 (132 cm, 2010) e limite_tapajos_regua_minima_2024 (82,5 cm, 2024): 132 - 82,5 = 49,5 cm; ANA, HidroWeb, estação 17730000

  33. Em setembro de 2024, a ANA declarou situação crítica de escassez de água no baixo Tapajós, entre Itaituba e Santarém: a chuva na bacia estava em 74% da média e a régua de Itaituba já estava abaixo do menor valor visto naquela data do ano.

    ANA: ANA, Voto nº 146/2024/DIREC (24/09/2024), 916ª Reunião Deliberativa da Diretoria Colegiada, processo 02501.004508/2024-47: Declaração de Situação Crítica de Escassez Quantitativa dos Recursos Hídricos no trecho baixo do rio Tapajós (Resolução ANA nº 212/2024, número pelo nome do arquivo), válida até 30/11/2024; chuva de out/2023 a ago/2024 em 74% da média (déficit de 459 mm); Itaituba 172 cm em 11/09/2024, abaixo do mínimo histórico para a data (178 cm); a Capitania Fluvial de Santarém (Marinha) reduziu a folga abaixo da quilha dos comboios e pediu a declaração; a Amport relatou impactos na navegação (Carta 041/2024)

  34. Antes de 2024, o nível mais baixo já anotado na régua do Tapajós em Itaituba tinha sido 132 cm, em outubro de 2010.

    ANA: ANA, HidroWeb, estação 17730000 Itaituba (rio Tapajós), cotas diárias consistidas: mínima de 2010 = 132 cm em 23/10/2010, a menor mínima anual da série de 1968 a 2023 (2023 com falha de leituras entre 18/09 e 13/11); cálculo do canal

  35. Segundo a Conab, em setembro de 2024 os portos do Arco Norte operaram com baixa capacidade por causa das restrições nos rios, e a maior parte da carga de exportação de Mato Grosso foi desviada para outros portos, com destaque para Santos.

    Conab: Conab, Boletim Logístico, ano VIII, outubro de 2024, seção Mato Grosso (dados de setembro de 2024): 'Os portos do Arco Norte têm operado com baixa capacidade, em razão das restrições hidroviárias [...] com o fluxo externo majoritário sendo redirecionado para outros portos, com destaque para o de Santos'; Rondonópolis (transbordo para o trem até Santos) 'tem suprido a piora da navegabilidade fluvial'

  36. No ano seguinte à seca, em 2025, a hidrovia do Tapajós bateu recorde de carga.

    Agência iNFRA: Agência iNFRA, 'Rio Tapajós registra recorde de cargas e reforça logística do Arco Norte', 12/05/2026 (atribui o número a 'dados do setor' e ao governo federal); bate com o dado da ANTAQ para 2024 (14.665 mil t x 1,143 = 16,76 Mt)

  37. Entre 2008 e 2025, o INPE mapeou cerca de 11 mil km² de floresta derrubada numa faixa de 50 km de cada lado da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).

    INPE (Prodes): INPE, Prodes Amazônia Legal (TerraBrasilis, camada prodes-legal-amz:yearly_deforestation, incrementos anuais de 2008 a 2025); cálculo do canal: soma de area_km dos 38.417 polígonos a até 50 km (filtro DWITHIN) do traçado da BR-163 de Sinop a Campo Verde e da BR-230 até Miritituba (geometria do DNIT/SNV vendorizada em motion/vendor/geo/br-roads.js, simplificada em 85 vértices) = 11.174 km² (Pará 9.394, Mato Grosso 1.780); polígonos que cruzam a borda contados inteiros; a até 10 km da estrada: 2.194 km²

  38. A floresta derrubada nessa faixa da BR-163 desde 2008 equivale a cerca de metade da área do estado de Sergipe.

    INPE / IBGE: Cálculo do canal: limite_desmatamento_br163_50km (11.174 km², INPE Prodes 2008-2025) / área territorial de Sergipe (21.938 km², IBGE, API de malhas, metadados da UF 28) = 50,9%

  39. O desmatamento nessa faixa da BR-163 teve pico em 2021, com cerca de 1.300 km², e caiu cerca de três quartos até 2025, para cerca de 300 km², já com a estrada toda asfaltada.

    INPE (Prodes): INPE, Prodes Amazônia Legal (TerraBrasilis, yearly_deforestation); mesmo cálculo de limite_desmatamento_br163_50km (faixa de 50 km): 2019 893 km², 2020 1.248 km², 2021 1.301 km², 2022 873 km², 2023 498 km², 2024 389 km², 2025 301 km²; variação 2021-2025 = (301 - 1.301) / 1.301 = -76,9% (ano Prodes = ago a jul)

  40. Em março de 2026, o TCU manteve parado o processo de concessão da Ferrogrão: pediu nova audiência pública, porque o projeto mudou, e a licença prévia antes do leilão, por ser uma obra de sensibilidade ambiental 'não ordinária', inteira na Amazônia Legal.

    TCU: TCU, Boletim do TCU nº 45 (17/03/2026), processo 025.756/2020-6, despacho de 12/03/2026 do relator (ministro-substituto Marcos Bemquerer Costa): manutenção do sobrestamento; a ANTT enviou o EVTEA versão 2024 em dez/2025; demanda projetada até 30% maior; o despacho reconhece que o projeto pode reduzir frete, aliviar a BR-163 e reduzir emissões, e pede nova audiência pública, licença prévia antes do leilão (ou motivação técnica para antecipar a licitação) e detalhamento do aporte público

  41. Em maio de 2026, o STF validou a lei que tirou uma faixa do Parque Nacional do Jamanxim para a Ferrogrão; a obra ainda depende de licença ambiental.

    STF: STF, notícia de 21/05/2026: ADI 6553 (PSOL) contra a Lei 13.452/2017, julgada improcedente por maioria (relator Alexandre de Moraes; divergência de Edson Fachin; voto-vista de Flávio Dino com condicionantes, sem maioria)

  42. Em 30 de julho de 2026, o MoveInfra, grupo de seis grandes empresas de infraestrutura entre as quais a Hidrovias do Brasil, publicou nota defendendo que a dragagem de manutenção do Tapajós começasse imediatamente, para terminar antes do agravamento da seca, e alertou que os comboios operariam com restrição de carga a partir de agosto e correriam risco de parar em meados de setembro.

    MoveInfra: MoveInfra (EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo), 'Nota sobre a dragagem do rio Tapajós', 30/07/2026, moveinfra.org.br ('os trabalhos precisam começar imediatamente para que sejam concluídos antes do agravamento da estiagem'; restrição de carga a partir de agosto e 'risco concreto de paralisação parcial ou até total da navegação nos trechos mais críticos' em meados de setembro sem a dragagem; estimativa do próprio grupo: 3,5 a 5,5 milhões de toneladas de grãos e R$ 500 a 800 milhões em custos logísticos). Noticiado por Agência iNFRA, 'Empresas de infraestrutura cobram dragagem no Tapajós e temem prejuízos', Luiz Araújo, 30/07/2026.

  43. Em julho de 2026, o TCU decidiu que a dragagem do Tapajós entre Santarém e Itaituba só volta à licitação depois da licença prévia e da consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.

    TCU: TCU, Acórdão 1736/2026-TCU-Plenário (TC 001.064/2026-6, sessão de 01/07/2026, relator Walton Alencar Rodrigues): denúncia sobre o Pregão Eletrônico 90515/2025 do DNIT, valor estimado de R$ 74.800.760,26 (nominal), Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária da hidrovia do rio Tapajós (HN-106), trecho Santarém-Itaituba (cerca de 280 km); licitação suspensa desde 06/02/2026, após nota pública de MPor, MPI e SG/PR com o compromisso de consulta prévia (Convenção 169 da OIT); o TCU rejeitou a exigência de EIA/Rima para dragagem de manutenção

  44. Em agosto de 2025, um decreto incluiu a hidrovia do Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Programa Nacional de Desestatização, e o governo federal disse que era só para estudos; depois de mais de 30 dias de protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós, que chegaram a ocupar o terminal da Cargill em Santarém, o decreto foi revogado em fevereiro de 2026.

    Agência iNFRA: Decreto nº 12.600, de 28/08/2025 (DOU de 29/08/2025), art. 1º, III: hidrovia do rio Tapajós entre Itaituba e a foz, em Santarém, cerca de 250 km (texto do Planalto, cópia publicada pelo Poder360 em fev/2026); revogado pelo Decreto nº 12.856, de 23/02/2026, publicado no DOU de 24/02/2026, segundo a Agência iNFRA ('Governo revoga decreto sobre concessão de hidrovias na região amazônica', 23/02/2026, atualizada em 24/02/2026), com protestos de mais de 30 dias e ocupação do terminal da Cargill em Santarém, que parou as operações; a posição do governo de que o decreto só autorizava estudos técnicos está no Poder360 ('Após protestos, governo Lula recua em plano de concessão de hidrovias', 23/02/2026)

  45. Para o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, o decreto das hidrovias 'transforma o rio em estrada de soja' e abria caminho para dragagens, a retirada de pedrais sagrados do leito e mais portos privados.

    Poder360: Poder360, 'Ferrogrão, hidrovias, demarcação: o que indígenas cobram de Lula na COP' (14/11/2025): nota do Movimento Munduruku Ipereg Ayu durante o bloqueio da entrada da Zona Azul da COP30, em Belém, por cerca de 100 indígenas dos povos Munduruku, Tapajó, Tukano, Tupinambá e Tapuia, pedindo a revogação do Decreto 12.600/2025

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  • Vídeo e artigo elaborados a partir do roteiro, revisado e aprovado por uma pessoa.
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  • Versão final assistida e aprovada por uma pessoa antes de publicar.

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