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Por que a Transamazônica nunca ficou pronta?

A Transamazônica foi aberta antes do motivo para usá-la: nasceu para levar gente, não carga; o asfalto só veio onde a carga apareceu, e terminar o resto é uma escolha que passa por dentro da floresta.

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Pará

Abertura

Época de chuva no meio do Pará. Um caminhão está parado na estrada, com a lama na altura do eixo. O motorista acelera, a roda gira, e nada. Atrás dele, a fila cresce: carro, ônibus, outro caminhão.

Ilustração de uma estrada de terra vermelha, reta, no meio da floresta amazônica depois da chuva: um caminhão carregado está atolado até o eixo e inclinado, com outros dois esperando atrás.
A Transamazônica na época da chuva: a roda gira e a fila espera.

Essa estrada de barro é a Transamazônica. Atola tanto que, em fevereiro de 2025, o Ministério Público Federal foi cobrar o dono dela, o DNIT, órgão federal das rodovias⁠Fonte 1 · 2025Em fevereiro de 2025, o Ministério Público Federal cobrou o DNIT por denúncias de atoleiros de grandes proporções que deixavam a BR-230 intrafegável entre Medicilândia e Rurópolis, isolando moradores e prejudicando o transporte de pessoas e mercadorias.MPFabrir a fontever na lista.

Em 2026, a obra fez 56 anos⁠Fonte 2 · 2026Em 2026, fazem 56 anos que a obra da Transamazônica foi lançada.Cadernos do CEOMabrir a fontever na lista, e quase 4 em cada 10 quilômetros dela ainda eram de terra⁠Fonte 3 · 2026Quase 4 em cada 10 quilômetros abertos da Transamazônica ainda são de terra (38%), segundo o cadastro do DNIT de julho de 2026.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. Por que a Transamazônica nunca ficou pronta?

A suspeita costuma ser uma de duas: faltou dinheiro, ou alguém levou. Para responder, a viagem é inteira: do quilômetro zero, no litoral da Paraíba, até onde a estrada acaba de verdade, bem antes do lugar que aparece no papel.

A viagem pela Transamazônica

Do quilômetro zero, no porto de Cabedelo, ao fim da estrada aberta, em Lábrea; tracejado, o trecho que só existe no papel; ao lado, a estrada irmã.

EquadorTrópico de CapricórnioPará e AmazonasCabedelo (PB): km zeroMedicilândia (PA): fim do asfaltoLábrea (AM)só no papela estrada irmãEquadorTrópico de CapricórnioPará e Amazonaskm zeroMedicilândiaLábrea

Transamazônica: cerca de 4,15 mil km abertos, do porto de Cabedelo a Lábrea⁠Fonte 4 · 2026Somando só os trechos que existem de fato sob jurisdição federal, a BR-230 tem cerca de 4,15 mil km, do porto de Cabedelo (PB), o km zero, até Lábrea (AM).DNIT (SNV)abrir a fontever na lista, e mais 686 km só no papel⁠Fonte 5 · 2026Depois de Lábrea, os 686 km que levariam a BR-230 até Benjamin Constant (AM), na fronteira com o Peru, só existem no papel: o DNIT os classifica como trecho planejado, fisicamente inexistente.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. Traçado aproximado, pelas cidades do caminho; mapa feito em código a partir dos estados do IBGE.

Cabedelo (PB)

O sonho

Quilômetro zero: o porto de Cabedelo, na Paraíba⁠Fonte 6 · 2026O quilômetro zero da BR-230 fica no porto de Cabedelo, na Paraíba, no litoral do Nordeste.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. Uma estrada da Amazônia começa no litoral do Nordeste porque foi feita para levar gente, e não carga: os colonos sairiam do sertão seco que ela cruza.

Em 1970, o decreto que criou o Programa de Integração Nacional mandou abrir de imediato duas estradas na Amazônia: esta e a Cuiabá-Santarém⁠Fonte 7 · 1970O decreto de 1970 que criou o Programa de Integração Nacional definiu a primeira etapa do programa como a construção imediata de duas rodovias, a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém.Planalto (DL 1.106/1970)abrir a fontever na lista. Primeiro vinham o caminho e os colonos, em lotes dos dois lados; a economia viria depois.

A obra começou em Altamira (PA), com uma árvore gigante derrubada no traçado, e andou rápido: em setembro de 1972, o primeiro trecho, do Maranhão ao rio Tapajós, já era inaugurado, com 1.254 km⁠Fonte 8 · 1972O primeiro trecho, de Estreito (MA) a Itaituba (PA), com 1.254 km, foi inaugurado em 27 de setembro de 1972, menos de dois anos depois do lançamento da obra.Biblioteca Nacionalabrir a fontever na lista.

Ilustração de uma faixa de terra vermelha recém-aberta na floresta amazônica: uma árvore gigante tomba no meio do corredor, entre tocos e troncos empilhados, com tratores de esteira esperando ao longe.
Abrir a floresta foi rápido: uma árvore derrubada no traçado marcou o começo da obra.

Abrir estrada na floresta, o Brasil sabia. Difícil era levar gente para a beira dela. O plano previa assentar 100 mil famílias⁠Fonte 9 · 1970O plano original previa assentar 100 mil famílias ao longo da estrada, principalmente do Nordeste seco.Acta Amazonica (INPA)abrir a fontever na lista; até dezembro de 1974, o INCRA, órgão federal da colonização, tinha instalado 5.717⁠Fonte 10 · 1974Até dezembro de 1974, o INCRA tinha instalado 5.717 famílias na Transamazônica.Acta Amazonica (INPA)abrir a fontever na lista.

Quantas famílias chegaram

Famílias instaladas pelo INCRA até dezembro de 1974, em relação à meta do plano

  • Instaladas até 1974em relação à meta5,7%

De cada 100 famílias esperadas, chegaram menos de 6⁠Fonte 11 · 1974As famílias instaladas até o fim de 1974 eram menos de 6% da meta de 100 mil.Acta Amazonica (INPA)abrir a fontever na lista.

E quem veio esbarrou na própria estrada: em 1973 e 1974, a banana dos colonos apodrecia no chão, porque não aguentava a viagem de terra até o mercado⁠Fonte 12 · 1974Já em 1973 e 1974, colonos perdiam parte da colheita de banana porque a fruta não aguentava a viagem pela Transamazônica sem asfalto e os mercados de Altamira e Marabá estavam saturados.Acta Amazonica (INPA)abrir a fontever na lista. Abriram o caminho antes da carga, então? A resposta tem um furo.

No Pará, logo depois de Medicilândia, perto do quilômetro 2.630 contado desde o litoral, o asfalto acaba⁠Fonte 13 · 2026Contando desde Cabedelo pela quilometragem do DNIT, o asfalto contínuo da BR-230 acaba logo depois de Medicilândia (PA), perto do km 2.630; dali para o oeste começa a terra.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. Dali até o fim da estrada aberta, 95% é terra⁠Fonte 14 · 2026De Medicilândia até o fim da estrada aberta, em Lábrea (AM), são cerca de 1,67 mil km, e 95% deles são de terra.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista.

Medicilândia (PA)

A lama

Medicilândia nasceu do plano de colonização e tem um título que quase ninguém conhece: segundo o IBGE, é o município que mais produz cacau no Brasil⁠Fonte 15 · 2025Medicilândia (PA), cidade nascida da colonização da Transamazônica, é o município que mais produz cacau no Brasil.IBGE (PAM)abrir a fontever na lista.

Nº 1CACAU Medicilândia (PA), a maior produtora do Brasil

As quatro maiores produtoras ficam todas nesta estrada e somam 29% da produção nacional⁠Fonte 16 · 2025Os quatro municípios que mais produzem cacau no Brasil, Medicilândia, Uruará, Placas e Brasil Novo, ficam todos na Transamazônica e somam 29% da produção nacional.IBGE (PAM)abrir a fontever na lista; nenhuma fica na Bahia. Carga, ali, tem. Por que o asfalto parou na porta dela?

Ilustração de um cacaueiro com frutos amarelos presos direto no tronco, à sombra de árvores altas; ao fundo, entre os troncos, uma estrada de terra vermelha com um caminhão passando na poeira.
No cinturão do cacau, o fruto cresce a poucos passos da estrada de terra.

O caminhão do começo está aqui, entre Medicilândia e Rurópolis⁠Fonte 1 · 2025Em fevereiro de 2025, o Ministério Público Federal cobrou o DNIT por denúncias de atoleiros de grandes proporções que deixavam a BR-230 intrafegável entre Medicilândia e Rurópolis, isolando moradores e prejudicando o transporte de pessoas e mercadorias.MPFabrir a fontever na lista. Sem asfalto, a chuva encharca o chão, a roda abre um sulco, o sulco junta água e o próximo caminhão afunda mais: estrada de terra na Amazônia é refeita a cada chuva.

E refazer sai caro: em maio de 2026, o DNIT contratou de emergência, sem licitação, R$ 33 milhões para recuperar a terra entre Uruará e Rurópolis⁠Fonte 17 · 2026Em maio de 2026, o DNIT contratou em caráter emergencial, sem licitação, cerca de R$ 33 milhões para recuperar pontos da BR-230 de terra entre Uruará e Rurópolis (valor nominal).DNITabrir a fontever na lista. É dinheiro para a terra dar passagem até a próxima chuva, sem um metro de asfalto.

Em Rurópolis, a Transamazônica cruza a Cuiabá-Santarém, a irmã do mesmo plano, que também atolava: em fevereiro de 2017, milhares de caminhões ficaram uma semana presos nela⁠Fonte 18 · 2017Antes do asfalto, em fevereiro de 2017, cerca de 3 mil caminhões ficaram parados por uma semana num atoleiro da BR-163 no sudoeste do Pará, perto de Trairão e Novo Progresso, segundo a CNT.CNTabrir a fontever na lista. Em 2013, só uns 16% dela no Pará tinham asfalto⁠Fonte 19 · 2013Em janeiro de 2013, só uns 16% da BR-163 no Pará, da divisa de Mato Grosso até Campo Verde, tinham asfalto no cadastro do DNIT.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista; em novembro de 2019, ela chegou asfaltada aos portos de Miritituba, no Tapajós⁠Fonte 20 · 2019Em novembro de 2019, o DNIT e o Exército concluíram os últimos 51 km de asfalto da BR-163 no Pará, e a rodovia ficou pavimentada de Sinop (MT) até os portos de Miritituba (PA), rota da safra de grãos de Mato Grosso.Ministério dos Transportesabrir a fontever na lista. O que mudou?

A irmã ganhou asfalto

Quilômetros asfaltados da Cuiabá-Santarém no Pará, da divisa de Mato Grosso a Campo Verde

  • Em 2013em trechos soltos107 km
  • Em 2026o trecho inteiro677 km

Fontes:⁠Fonte 21 · 2013Em janeiro de 2013, só cerca de 107 km da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso e Campo Verde (PA), de um total de cerca de 677 km, eram asfaltados, em trechos soltos; o resto estava em obras.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista⁠Fonte 22 · 2026Em 2026, os cerca de 680 km da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso e Campo Verde (PA), onde ela encontra a BR-230 a caminho de Miritituba, estão todos asfaltados.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista

A carga. A soja e o milho de Mato Grosso passaram a sair pelos portos do Arco Norte: cerca de 11 milhões de toneladas em 2010⁠Fonte 23 · 2010Em 2010, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 11 milhões de toneladas de milho e soja.ANTAQabrir a fontever na lista, cerca de 106 milhões em 2025⁠Fonte 24 · 2025Em 2025, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 106 milhões de toneladas de milho e soja, quase dez vezes o volume de 2010.ANTAQabrir a fontever na lista. Na estrada do grão, o dinheiro chegou junto com a carga.

O grão que mudou de rumo

Milho e soja nos portos do Arco Norte, em milhões de toneladas

  • Em 201011,2 mi t
  • Em 2025106,5 mi t

Fontes:⁠Fonte 23 · 2010Em 2010, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 11 milhões de toneladas de milho e soja.ANTAQabrir a fontever na lista⁠Fonte 24 · 2025Em 2025, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 106 milhões de toneladas de milho e soja, quase dez vezes o volume de 2010.ANTAQabrir a fontever na lista

Até na Transamazônica, o único asfalto entre o cacau e o Tapajós é o pedacinho que os caminhões de grão usam para chegar ao porto⁠Fonte 25 · 2026Entre o fim do asfalto, logo depois de Medicilândia, e o rio Tapajós, o único trecho asfaltado da BR-230 são os cerca de 33 km entre Campo Verde, onde chega a BR-163, e o porto de Miritituba, o caminho dos caminhões de grão até os portos.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. O cacau é carga miúda: o que as quatro cidades colhem num ano equivale a cerca de 31% de um único dia de grão nos portos do Norte⁠Fonte 26 · 2025Todo o cacau que as quatro maiores cidades produtoras colhem num ano (cerca de 91 mil toneladas) equivale a cerca de 31% de um único dia de milho e soja nos portos do Arco Norte.IBGE; ANTAQabrir a fontever na lista. Na fila das obras, carga miúda fica para depois.

O trecho do cacau pode estar chegando à frente da fila: em junho de 2026, o governo do Pará e o federal assinaram o aviso de licitação para asfaltar os cerca de 125 km entre Uruará e Rurópolis⁠Fonte 27 · 2026Em junho de 2026, o governo do Pará e o governo federal assinaram o aviso de licitação para asfaltar cerca de 125 km da BR-230 entre Uruará e Rurópolis.Agência Paráabrir a fontever na lista. O pedaço de Medicilândia a Uruará ainda espera licença ambiental, segundo o ministro dos Transportes⁠Fonte 28 · 2026Na mesma assinatura, o ministro dos Transportes disse que o trecho restante, entre Medicilândia e Uruará, ainda depende de licenciamento ambiental, com licitação prevista para 2026.Agência Paráabrir a fontever na lista. E licença, aqui, é assunto de floresta.

Itaituba (PA) a Lábrea (AM)

A floresta

A estrada atravessa o Tapajós de balsa, porque ponte não tem. Do outro lado começa o maior trecho de terra dela: cerca de 1.040 km, de Itaituba até o rio Madeira, já no Amazonas⁠Fonte 29 · 2026O maior trecho seguido sem asfalto da BR-230 tem cerca de mil e quarenta quilômetros, de Itaituba (PA) até a travessia do rio Madeira, em Humaitá (AM).DNIT (SNV)abrir a fontever na lista.

Vista de cima, estrada na Amazônia ganha um desenho com nome: espinha de peixe. A estrada é a espinha; dos dois lados saem ramais abertos por madeireiros, garimpeiros e quem ocupa terra, e em volta de cada um a mata cai. Pelas contas do Imazon, esses ramais não oficiais já somavam, em 2020, o comprimento de mais de 800 Transamazônicas⁠Fonte 30 · 2020Segundo o Imazon, as estradas não oficiais abertas a partir das estradas oficiais na Amazônia Legal somavam cerca de 3,46 milhões de km em 2020, o comprimento de mais de 800 Transamazônicas (contando os cerca de 4,15 mil km abertos da BR-230).Imazon, DNIT (SNV)abrir a fontever na lista.

Asfalto encurta a viagem para todo mundo: para quem vai à escola e para quem vai abrir mais um ramal. Um estudo de 2020 sobre projetos de estrada na Amazônia estimou que melhorar a Transamazônica faria a floresta perder, até 2030, cerca de 561 mil hectares⁠Fonte 31 · 2020Um estudo de 2020 de pesquisadores do Conservation Strategy Fund e do IPAM, entre outros, estimou que os projetos de melhoria de 2.234 km da Transamazônica causariam a perda de cerca de 561 mil hectares de floresta até 2030, quase um quarto do total previsto para 75 projetos de estrada na Amazônia.PNAS (Vilela et al., 2020)abrir a fontever na lista: quase um Distrito Federal⁠Fonte 32 · 2020Os cerca de 561 mil hectares de floresta (5,61 mil km²) que o estudo da PNAS de 2020 estimou perder com a melhoria da Transamazônica equivalem a uns 97% da área do Distrito Federal, quase um DF inteiro.IBGEabrir a fontever na lista. No caminho de terra ficam quatro terras indígenas e três unidades de conservação federais⁠Fonte 33 · 2026No trecho de terra, a BR-230 atravessa quatro terras indígenas (Arara, Jiahui, Tenharim Marmelos e Sai-Cinza) e três unidades de conservação federais (Parque Nacional da Amazônia, Floresta Nacional de Balata-Tufari e Parque Nacional Mapinguari).INPE, FUNAI, ICMBio, DNITabrir a fontever na lista.

Ilustração de um pequeno ônibus escolar amarelo-ocre avançando pela lama de uma estrada de terra vermelha na floresta, enquanto três crianças de mochila esperam, de costas, num abrigo de tábuas.
Na época da chuva, o dia de aula depende da lama.

Do outro lado está quem mora na beira da estrada. Na chuva, se o ônibus atola, a criança não chega à escola; se alguém adoece, o hospital fica a um atoleiro de distância. O mesmo estudo reconhece esse lado: em quase metade das estradas analisadas, o asfalto aproxima a escola e o posto de saúde⁠Fonte 34 · 2020O mesmo estudo reconhece o outro lado: quase metade das estradas analisadas melhoraria o acesso a escolas e postos de saúde, porque encurta o tempo de viagem.PNAS (Vilela et al., 2020)abrir a fontever na lista.

Dá para ter a estrada sem o desenho todo? Um estudo de 2014 mostrou que, perto de estradas e rios da Amazônia, as áreas protegidas perderam bem menos floresta⁠Fonte 35 · 2014Um estudo publicado em 2014 mostrou que, perto de estradas e rios da Amazônia, as áreas protegidas tiveram bem menos desmatamento do que as áreas sem proteção.Biological Conservationabrir a fontever na lista.

No Amazonas, o asfalto quase não andou: em 2026, eram cerca de 780 km de terra, quase a mesma extensão de 2013⁠Fonte 36 · 2026No Amazonas, cerca de 780 km da BR-230 são de terra, praticamente a mesma extensão de 2013: lá o asfalto quase não avançou em 13 anos.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. A estrada cruza mais rios de balsa e, logo depois de Lábrea, acaba.

Ilustração de uma trilha de terra vermelha que bate numa parede fechada de floresta, com marcas de pneu fazendo a curva de volta e capim alto à esquerda.
Depois de Lábrea, a estrada bate na floresta e acaba.

No cadastro do DNIT, ela continua por mais 686 km, até a fronteira com o Peru⁠Fonte 5 · 2026Depois de Lábrea, os 686 km que levariam a BR-230 até Benjamin Constant (AM), na fronteira com o Peru, só existem no papel: o DNIT os classifica como trecho planejado, fisicamente inexistente.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista. Esse trecho só existe no papel, onde pelo menos ela nunca atola.

Veredito

A estrada veio antes do motivo

Faltou dinheiro? Não: o dinheiro apareceu, só que foi para onde estava a carga. Alguém levou? Os dados não mostram que houve desvio, nem que não houve. Mas desvio não explica por que a irmã ganhou asfalto e a Transamazônica, não.

A estrada nasceu para levar gente. Onde a carga veio, o asfalto veio atrás: rápido na estrada do grão, devagar no cacau, que é carga miúda.

Essa é metade da resposta. A outra é a floresta: os cerca de 1,58 mil km de terra que faltam ficam todos no Pará e no Amazonas⁠Fonte 37 · 2026Cerca de 1,58 mil km da BR-230 ainda são de terra, sem asfalto, e todos ficam no Pará e no Amazonas; do litoral da Paraíba até o Tocantins, a estrada é asfaltada.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista, por dentro da mata, onde o asfalto encurta a viagem também de quem abre ramal.

O que falta asfaltar

Quilômetros de terra da Transamazônica em 2026, por estado

  • Pará803 km
  • Amazonas781 km

Do litoral da Paraíba até o Tocantins, a estrada é asfaltada. Fontes:⁠Fonte 38 · 2026No Pará, cerca de 800 km da BR-230 ainda são de terra.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista⁠Fonte 36 · 2026No Amazonas, cerca de 780 km da BR-230 são de terra, praticamente a mesma extensão de 2013: lá o asfalto quase não avançou em 13 anos.DNIT (SNV)abrir a fontever na lista

Na nossa leitura, esta estrada só deveria ficar pronta com a floresta dos lados protegida. Sem carga, ela vira lama; asfaltada sem proteção, vira espinha de peixe. Enquanto isso, quem mora lá precisa, no mínimo, de uma estrada de terra que dê passagem.

A estrada veio antes do motivo. O asfalto foi atrás da carga, e o que falta passa por dentro da floresta.

Shorts deste vídeo

  • Por que a Transamazônica ainda atola?

    Short e Reel

  • A capital do cacau não fica na Bahia

    Short e Reel

  • Duas estradas irmãs na Amazônia: por que só uma ganhou asfalto?

    Short e Reel

  • Por que a estrada na Amazônia vira espinha de peixe?

    Short e Reel

  • Onde termina a Transamazônica? Não é onde diz o mapa

    Short e Reel

Fontes

Cada número do texto tem uma nota azul. Toque nela para ver de onde veio.

Lista completa, com links
  1. Em fevereiro de 2025, o Ministério Público Federal cobrou o DNIT por denúncias de atoleiros de grandes proporções que deixavam a BR-230 intrafegável entre Medicilândia e Rurópolis, isolando moradores e prejudicando o transporte de pessoas e mercadorias.

    MPF: MPF, Procuradoria da República no Pará, 'MPF volta a cobrar explicações e providências do DNIT sobre condições da Transamazônica no Pará', 27/02/2025 (procedimento 1.23.002.000100/2022-80)

  2. Em 2026, fazem 56 anos que a obra da Transamazônica foi lançada.

    Cadernos do CEOM: Cálculo nosso: 2026 menos 1970 (lançamento das obras em 9/10/1970, Cadernos do CEOM 2021, citando Folha de S.Paulo de 10/10/1970)

  3. Quase 4 em cada 10 quilômetros abertos da Transamazônica ainda são de terra (38%), segundo o cadastro do DNIT de julho de 2026.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia); IMP / (PAV + DUP + IMP + TRV)

  4. Somando só os trechos que existem de fato sob jurisdição federal, a BR-230 tem cerca de 4,15 mil km, do porto de Cabedelo (PB), o km zero, até Lábrea (AM).

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (planilha SNV_202607A.xls, acervo 'SNV Planilhas (2011-Atual)', publicada em jul/2026), BR-230, eixo principal: soma dos segmentos com superfície PAV (2.562,1 km) e N_PAV (1.589,7 km); exclui 837,9 km com superfície PLA (planejada). Primeiro segmento 230BPB0010 'PORTO (CABEDELO)', km 0,0

  5. Depois de Lábrea, os 686 km que levariam a BR-230 até Benjamin Constant (AM), na fronteira com o Peru, só existem no papel: o DNIT os classifica como trecho planejado, fisicamente inexistente.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (planilha SNV_202607A.xls, acervo 'SNV Planilhas (2011-Atual)', publicada em jul/2026), BR-230, eixo principal, segmentos 230BAM2182 a 230BAM2250 ('FIM DA PAVIMENTAÇÃO' em Lábrea até 'ENTR BR-230/307 (BENJAMIN CONSTANT)'), superfície PLA, jurisdição federal, sem rodovia estadual coincidente; definição de PLA no Guia SNV 2025 (DNIT), seção 3.3.1

  6. O quilômetro zero da BR-230 fica no porto de Cabedelo, na Paraíba, no litoral do Nordeste.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230, trechos principais (tipo B); primeiro segmento 230BPB0010, 'PORTO (CABEDELO)' a 'INÍCIO DUPLICAÇÃO (CABEDELO)', km 0,0 a 1,8

  7. O decreto de 1970 que criou o Programa de Integração Nacional definiu a primeira etapa do programa como a construção imediata de duas rodovias, a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém.

    Planalto (DL 1.106/1970): Decreto-Lei nº 1.106, de 16 de junho de 1970 (cria o Programa de Integração Nacional), art. 2º: 'A primeira etapa do Programa de Integração Nacional será constituída pela construção imediata das rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém'

  8. O primeiro trecho, de Estreito (MA) a Itaituba (PA), com 1.254 km, foi inaugurado em 27 de setembro de 1972, menos de dois anos depois do lançamento da obra.

    Biblioteca Nacional: O Estado de Mato Grosso (Cuiabá), nº 6.380, 28/09/1972, p. 1, 'Médici inaugurou primeiro trecho da Transamazônica, com 1.254 kms' (Hemeroteca Digital Brasileira, Biblioteca Nacional); data confirmada pelos registros de pronunciamentos do Senado Federal de 27 e 28/09/1972 (sen. José Lindoso) sobre a inauguração do trecho Estreito-Itaituba

  9. O plano original previa assentar 100 mil famílias ao longo da estrada, principalmente do Nordeste seco.

    Acta Amazonica (INPA): Smith, N. J. H. Influências culturais e ecológicas na produtividade agrícola ao longo da Transamazônica. Acta Amazonica (INPA), v. 7, n. 1, p. 23-38, 1977 (Introdução, p. 23), DOI 10.1590/1809-43921977071023

  10. Até dezembro de 1974, o INCRA tinha instalado 5.717 famílias na Transamazônica.

    Acta Amazonica (INPA): Smith, N. J. H. Influências culturais e ecológicas na produtividade agrícola ao longo da Transamazônica. Acta Amazonica (INPA), v. 7, n. 1, p. 23-38, 1977 (Introdução, p. 23), DOI 10.1590/1809-43921977071023, citando Smith (1976a)

  11. As famílias instaladas até o fim de 1974 eram menos de 6% da meta de 100 mil.

    Acta Amazonica (INPA): Smith, N. J. H. Influências culturais e ecológicas na produtividade agrícola ao longo da Transamazônica. Acta Amazonica (INPA), v. 7, n. 1, p. 23-38, 1977 (Introdução, p. 23), DOI 10.1590/1809-43921977071023; cálculo nosso: 5.717 / 100.000

  12. Já em 1973 e 1974, colonos perdiam parte da colheita de banana porque a fruta não aguentava a viagem pela Transamazônica sem asfalto e os mercados de Altamira e Marabá estavam saturados.

    Acta Amazonica (INPA): Smith, N. J. H. Influências culturais e ecológicas na produtividade agrícola ao longo da Transamazônica. Acta Amazonica (INPA), v. 7, n. 1, p. 23-38, 1977 (p. 29, culturas perenes), DOI 10.1590/1809-43921977071023

  13. Contando desde Cabedelo pela quilometragem do DNIT, o asfalto contínuo da BR-230 acaba logo depois de Medicilândia (PA), perto do km 2.630; dali para o oeste começa a terra.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (planilha SNV_202607A.xls, acervo 'SNV Planilhas (2011-Atual)', publicada em jul/2026), BR-230, eixo principal: segmento 230BPA1525 'MEDICILÂNDIA' a 'FIM DA PAVIMENTAÇÃO' (km 743,8 no PA), somado aos km dos estados anteriores (PB 517,1 + CE 242,6 + PI 310,5 + MA 669,8 + TO 146,4 + PA 743,8 = 2.630,2). Antes disso há só 5 km de terra (ponte do rio Arataú, PA) e um trecho no CE em que a rodovia federal é planejada e o tráfego usa rodovias estaduais

  14. De Medicilândia até o fim da estrada aberta, em Lábrea (AM), são cerca de 1,67 mil km, e 95% deles são de terra.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia); trechos do Pará a partir do km 743,8 e do Amazonas não planejados: 1.579,4 km IMP de 1.666,4 km implantados; cálculo do canal

  15. Medicilândia (PA), cidade nascida da colonização da Transamazônica, é o município que mais produz cacau no Brasil.

    IBGE (PAM): IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025, SIDRA tabela 1613 (quantidade produzida, cacau em amêndoa, por município): Medicilândia 47.953 t, 1º lugar (também 1º em 2024); origem do município no PIN segundo o histórico IBGE de Medicilândia

  16. Os quatro municípios que mais produzem cacau no Brasil, Medicilândia, Uruará, Placas e Brasil Novo, ficam todos na Transamazônica e somam 29% da produção nacional.

    IBGE (PAM): IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025, SIDRA tabela 1613: Medicilândia 47.953 t + Uruará 18.912 t + Placas 13.340 t + Brasil Novo 10.659 t = 90.864 t, de 314.364 t no Brasil; cálculo nosso

  17. Em maio de 2026, o DNIT contratou em caráter emergencial, sem licitação, cerca de R$ 33 milhões para recuperar pontos da BR-230 de terra entre Uruará e Rurópolis (valor nominal).

    DNIT: DNIT, Superintendência Regional no Pará, Contrato Emergencial nº 00315/2026 (processo 50602.001286/2026-87), serviços emergenciais de recuperação na BR-230/PA, subtrecho Uruará - Entr. BR-163/230 (Rurópolis), km 848,80 a 999,80, R$ 33.153.248,72, assinado em 25/05/2026, Comprasnet Contratos

  18. Antes do asfalto, em fevereiro de 2017, cerca de 3 mil caminhões ficaram parados por uma semana num atoleiro da BR-163 no sudoeste do Pará, perto de Trairão e Novo Progresso, segundo a CNT.

    CNT: CNT (Confederação Nacional do Transporte), 'Caminhões voltam a trafegar em um sentido da BR-163 no Pará', republicado pelo SETCESP em 02/03/2017; estimativas de outras fontes vão de 2 mil a 5 mil

  19. Em janeiro de 2013, só uns 16% da BR-163 no Pará, da divisa de Mato Grosso até Campo Verde, tinham asfalto no cadastro do DNIT.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 201301A (jan/2013), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-163/PA, trechos principais (tipo B), segmentos 163BPA0870 a 163BPA1110; cálculo do canal: 106,7 km PAV / 676,8 km (PAV 106,7 + EOP 570,1) = 15,8% (a partir de hoje_br163_pa_pav_2013_km)

  20. Em novembro de 2019, o DNIT e o Exército concluíram os últimos 51 km de asfalto da BR-163 no Pará, e a rodovia ficou pavimentada de Sinop (MT) até os portos de Miritituba (PA), rota da safra de grãos de Mato Grosso.

    Ministério dos Transportes: Ministério dos Transportes / DNIT, 'Governo Federal conclui asfaltamento da BR-163/PA', 28/11/2019 (entrega oficial em 14/02/2020)

  21. Em janeiro de 2013, só cerca de 107 km da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso e Campo Verde (PA), de um total de cerca de 677 km, eram asfaltados, em trechos soltos; o resto estava em obras.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 201301A (jan/2013), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-163/PA, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia; EOP = em obras de pavimentação); segmentos 163BPA0870 a 163BPA1110, do km 0 (divisa MT/PA) ao km 676,8 (Entr. BR-230(A), Campo Verde): PAV 106,7 km, EOP 570,1 km. Corrigido em 2026-10-18: a soma anterior (PAV 81,0 de 651,1 km) deixava de fora o segmento 163BPA1110 (km 651,1-676,8, 25,7 km PAV)

  22. Em 2026, os cerca de 680 km da BR-163 entre a divisa de Mato Grosso e Campo Verde (PA), onde ela encontra a BR-230 a caminho de Miritituba, estão todos asfaltados.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-163/PA, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia); segmentos do km 0 (divisa MT/PA) ao km 676,5 (Entr. BR-163/230, Campo Verde), todos PAV

  23. Em 2010, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 11 milhões de toneladas de milho e soja.

    ANTAQ: ANTAQ, Desempenho Aquaviário 2025 (Anuário, SESGI/GEA), painel 'Movimentação de milho e soja supera rotas tradicionais', Arco Norte, movimentação 2010

  24. Em 2025, os portos do Arco Norte movimentaram cerca de 106 milhões de toneladas de milho e soja, quase dez vezes o volume de 2010.

    ANTAQ: ANTAQ, Desempenho Aquaviário 2025 (Anuário, SESGI/GEA), painel 'Movimentação de milho e soja supera rotas tradicionais', Arco Norte, movimentação 2025 (+12,5% sobre 2024)

  25. Entre o fim do asfalto, logo depois de Medicilândia, e o rio Tapajós, o único trecho asfaltado da BR-230 são os cerca de 33 km entre Campo Verde, onde chega a BR-163, e o porto de Miritituba, o caminho dos caminhões de grão até os portos.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230/PA, trechos principais (tipo B): segmentos 230BPA1530 a 230BPA1630 (km 743,8 'FIM DA PAVIMENTAÇÃO' ao km 1.111,9 'ENTR BR-163/230 (CAMPO VERDE)') todos IMP; segmento 230BPA1640 (km 1.111,9 a 1.144,9, 'INÍCIO TRAVESSIA RIO TAPAJÓS (MIRITITUBA)'), 33,0 km PAV; depois, a travessia do Tapajós (TRV). Rota do grão: Ministério dos Transportes, 'Governo Federal conclui asfaltamento da BR-163/PA', 28/11/2019 (hoje_br163_asfalto_concluido_ano)

  26. Todo o cacau que as quatro maiores cidades produtoras colhem num ano (cerca de 91 mil toneladas) equivale a cerca de 31% de um único dia de milho e soja nos portos do Arco Norte.

    IBGE; ANTAQ: Cálculo do canal: 90.864 t de cacau (IBGE. PAM 2025. SIDRA 1613: Medicilândia. Uruará. Placas e Brasil Novo) ÷ (106.5 milhões de t de milho e soja no Arco Norte em 2025. ANTAQ ÷ 365 = 291.781 t por dia)

  27. Em junho de 2026, o governo do Pará e o governo federal assinaram o aviso de licitação para asfaltar cerca de 125 km da BR-230 entre Uruará e Rurópolis.

    Agência Pará: Agência Pará (governo do Estado do Pará), 'Governo do Pará e União assinam licitação para asfaltar 125 km da Transamazônica', 10/06/2026

  28. Na mesma assinatura, o ministro dos Transportes disse que o trecho restante, entre Medicilândia e Uruará, ainda depende de licenciamento ambiental, com licitação prevista para 2026.

    Agência Pará: Agência Pará (governo do Estado do Pará), 'Governo do Pará e União assinam licitação para asfaltar 125 km da Transamazônica', 10/06/2026, declaração do ministro dos Transportes

  29. O maior trecho seguido sem asfalto da BR-230 tem cerca de mil e quarenta quilômetros, de Itaituba (PA) até a travessia do rio Madeira, em Humaitá (AM).

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (planilha SNV_202607A.xls, acervo 'SNV Planilhas (2011-Atual)', publicada em jul/2026), BR-230, eixo principal: segmentos contíguos com superfície N_PAV de 'ENTR PA-192/265' (Itaituba, km 1.154,7 no PA) até 'FIM TRAVESSIA RIO MADEIRA (CRATO)' (km 610,4 no AM), incluindo as balsas do Sucunduri e do Aripuanã

  30. Segundo o Imazon, as estradas não oficiais abertas a partir das estradas oficiais na Amazônia Legal somavam cerca de 3,46 milhões de km em 2020, o comprimento de mais de 800 Transamazônicas (contando os cerca de 4,15 mil km abertos da BR-230).

    Imazon, DNIT (SNV): Cálculo do canal: 3,46 milhões de km de estradas não oficiais mapeadas em 2020 (Botelho Jr., J.; Costa, S. C. P.; Ribeiro, J. G.; Souza Jr., C. M. (Imazon), 'Mapping Roads in the Brazilian Amazon with Artificial Intelligence and Sentinel-2', Remote Sensing 14(15):3625, 2022, resumo; hoje_estradas_amazonia_milhoes_km) / 4.151,8 km existentes da BR-230 (DNIT, SNV 202607A; hist_br230_existente_km) = 833

  31. Um estudo de 2020 de pesquisadores do Conservation Strategy Fund e do IPAM, entre outros, estimou que os projetos de melhoria de 2.234 km da Transamazônica causariam a perda de cerca de 561 mil hectares de floresta até 2030, quase um quarto do total previsto para 75 projetos de estrada na Amazônia.

    PNAS (Vilela et al., 2020): Vilela, T. et al. 'A better Amazon road network for people and the environment'. PNAS 117(13):7095-7102, 2020, doi:10.1073/pnas.1910853117 (seção Results: 561.000 ha, 23% do total previsto para a região até 2030); repercutido pelo IPAM em 30/03/2020

  32. Os cerca de 561 mil hectares de floresta (5,61 mil km²) que o estudo da PNAS de 2020 estimou perder com a melhoria da Transamazônica equivalem a uns 97% da área do Distrito Federal, quase um DF inteiro.

    IBGE: Cálculo do canal: 561.000 ha = 5.610 km² (Vilela, T. et al., 'A better Amazon road network for people and the environment', PNAS 117(13):7095-7102, 2020, doi:10.1073/pnas.1910853117, Results; hoje_vilela_br230_desmatamento_mil_ha) / 5.760,785 km², área territorial oficial do Distrito Federal (IBGE, Áreas Territoriais 2025, planilha AR_BR_RG_UF_RGINT_RGI_MUN_2025, aba AR_BR_UF_2025) = 97,4%; herda a incerteza da projeção

  33. No trecho de terra, a BR-230 atravessa quatro terras indígenas (Arara, Jiahui, Tenharim Marmelos e Sai-Cinza) e três unidades de conservação federais (Parque Nacional da Amazônia, Floresta Nacional de Balata-Tufari e Parque Nacional Mapinguari).

    INPE, FUNAI, ICMBio, DNIT: Cruzamento do traçado da BR-230 no SNV 202607A (DNIT) com as camadas de terras indígenas (FUNAI) e unidades de conservação do INPE TerraBrasilis (prodes-legal-amz:indigenous_area_legal_amazon e conservation_units_legal_amazon); cálculo do canal. O próprio SNV nomeia a 'Área Indígena Tenharim' (km 458,7-516,3/AM) e a 'Flona Balata-Tufari' (km 753-797,5/AM)

  34. O mesmo estudo reconhece o outro lado: quase metade das estradas analisadas melhoraria o acesso a escolas e postos de saúde, porque encurta o tempo de viagem.

    PNAS (Vilela et al., 2020): Vilela, T. et al. PNAS 117(13):7095-7102, 2020, doi:10.1073/pnas.1910853117 (Results, perspectiva social)

  35. Um estudo publicado em 2014 mostrou que, perto de estradas e rios da Amazônia, as áreas protegidas tiveram bem menos desmatamento do que as áreas sem proteção.

    Biological Conservation: Barber, C. P.; Cochrane, M. A.; Souza Jr., C. M.; Laurance, W. F. 'Roads, deforestation, and the mitigating effect of protected areas in the Amazon'. Biological Conservation 177 (2014): 203-209, doi:10.1016/j.biocon.2014.07.004 (resumo: 10,9% de desmatamento nas áreas protegidas perto de estradas e rios, contra 43,6% nas áreas sem proteção)

  36. No Amazonas, cerca de 780 km da BR-230 são de terra, praticamente a mesma extensão de 2013: lá o asfalto quase não avançou em 13 anos.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026) comparada com 201301A (jan/2013: 781,0 km IMP + 22,9 km em obras), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230/AM, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia); superfície IMP

  37. Cerca de 1,58 mil km da BR-230 ainda são de terra, sem asfalto, e todos ficam no Pará e no Amazonas; do litoral da Paraíba até o Tocantins, a estrada é asfaltada.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (planilha SNV_202607A.xls, acervo 'SNV Planilhas (2011-Atual)', publicada em jul/2026), BR-230, eixo principal: superfície federal IMP (implantada, sem pavimento) = 803,3 km no PA + 781,1 km no AM; PB, PI, MA e TO sem nenhum km não pavimentado

  38. No Pará, cerca de 800 km da BR-230 ainda são de terra.

    DNIT (SNV): DNIT, Sistema Nacional de Viação (SNV), versão 202607A (jul/2026), camada vgeo:vw_snv_rod do DNITGeo (VGeo/GeoServer), BR-230/PA, trechos principais (tipo B); soma da coluna Extensao por Superficie_Federal (PAV/DUP = pavimentada/duplicada; IMP = implantada, sem pavimento; PLA = planejada; TRV = travessia); superfície IMP

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